Boletim da SBPMat – 56ª edição.


 

 

Saudações !

Edição nº 56 – 28 de abril de 2017

XVI Encontro da SBPMat/ XVI B-MRS Meeting

Submissão de resumos: ÚLTIMOS DIAS. Está aberta no site do evento, até 5 de maio, a submissão de trabalhos para apresentação oral ou em forma de pôster. Veja instruções para autores, aqui.
Auxílio Fapesp. Veja as regras da solicitação de auxílio coletivo para pesquisadores ligados a instituições do estado de São Paulo, aqui.

Simpósios. Veja a lista dos 23 simpósios aprovados, dentro dos quais os resumos são submetidos, aqui.

Prêmio Bernhard Gross. Trabalhos submetidos por autores que são estudantes de graduação ou pós-graduação podem ser candidatos ao prêmio da SBPMat. Para participar da seleção, o autor deve submeter, até 14 de agosto, um resumo estendido adicional ao resumo convencional. Mais informações, nas instruções para autores, aqui.

Organização. Conheça o comitê organizador, aqui.

Expositores. Veja no site do evento as 18 empresas que já confirmaram participação. Empresas interessadas em participar do evento com estandes e outras formas de divulgação devem entrar em contato com Alexandre, no e-mail comercial@sbpmat.org.br.

Artigo em destaque

Um catalisador feito com materiais abundantes e sem metais torna eficiente a produção de eletricidade por meio de células a combustível de hidrazina. A pesquisa foi reportada por uma equipe científica internacional que inclui pesquisadores da UEM no Journal of Materials Chemistry A
 Veja nossa matéria de divulgação.

Gente da comunidade

Entrevistamos Angelo Fernando Padilha, professor da Escola Politécnica da USP.  Graduado na primeira turma de Engenharia de Materiais da América Latina (UFSCar), Padilha prosseguiu sua formação de pesquisador entre o Brasil e a Alemanha. Desde a década de 1970, trabalha com pesquisa, desenvolvimento e inovação em materiais para reatores nucleares e em materiais metálicos. Recentemente, presidiu a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). É autor de livros didáticos da área de Materiais bastante conhecidos no país. Na entrevista, Padilha, que faz parte do grupo de fundadores da SBPMat, falou sobre sua trajetória profissional e sobre os desafios do segmento nuclear para a área de Materiais, além de deixar uma mensagem para os leitores que estão iniciando suas carreiras científicas. Veja a entrevista.

Victor C. Pandolfelli (DEMa-UFSCar) recebe pela terceira vez prêmio da ACerS (Estados Unidos) ao melhor paper sobre cerâmicas refratárias. Saiba mais.
Marcelo Knobel (IFGW-Unicamp) tomou posse como reitor da Unicamp. Saiba mais.

Dicas de leitura


  • Novo método de nanofabricação baseado em materiais auto-organizados tem potencial para produção industrial de fios de menos de 10 nm de largura (baseado em paper da Nature Nanotechnology). Aqui.
  • Transístor de pontos quânticos desenvolvido com participação brasileira faz operações complexas (enxerga, conta, lembra) prescindindo de memória complementar (baseado em paper da Nano Letters). Aqui.
  • Método de fabricação permite controle preciso da morfologia e composição de objetos unidimensionais (baseado em paper da 
    Small). Aqui.
  • Vídeo de cientistas mostra uma população real de nanotubos de carbono crescendo e se organizando. Aqui.
  • Matéria no MRS Bulletin (EUA) sobre cortes no orçamento de CTI no Brasil, com depoimentos de presidente e sócios da SBPMat. Aqui.

Oportunidades


  • Chamada de projetos multinacionais de P&D em Materiais FAPESP – M-ERA NET. Aqui.
  • Feira virtual sobre oportunidades de pesquisa na Alemanha. Aqui.

Próximos eventos da área

  • 9th International Conference on Materials for Advanced Technologies. Suntec (Cingapura). 18 a 23 de junho de 2017. Site. 
  • 1ª Escola Brasileira de Síncrotron (EBS). Campinas, SP (Brasil). 10 a 21 de julho de 2017. Site.
  • XI Brazilian Symposium on Glass and Related Materials (XI Brazglass). Curitiba, PR (Brasil). 13 a 16 de julho de 2017. Site.
  • VIII Método Rietveld de Refinamento de Estrutura. Fortaleza, CE (Brasil). 24 a 28 de julho de 2017. Site.
  • XXXVIII Congresso Brasileiro de Aplicações de Vácuo na Indústria e na Ciência (CBRAVIC) + III Workshop de Tratamento e Modificação de Superfícies (WTMS). São José dos Campos, SP (Brasil). 21 a 25 de agosto de 2017. Site.
  • IUMRS-ICAM 2017. Kyoto (Japão). 27 de agosto a 1º de setembro de 2017. Site.

  • 18 International Conference on Luminescence.
    João Pessoa, PB (Brasil). 27 de agosto a 1º de setembro de 2017. Site.

  • XVI Encontro da SBPMat/ XVI B-MRS Meeting. Gramado, RS (Brasil). 10 a 14 de setembro de 2017. Site.
  • 18th International Conference on Internal Friction and Mechanical Spectroscopy (ICIFMS-18). Foz do Iguaçu, PR (Brasil). 12 a 15 de setembro de 2017. Site.
  • 2ª Conferência Nacional em Materiais Celulares (MatCel’2017) + Conferência Internacional em Dinâmica de Materiais Celulares (DynMatCel’2017). Aveiro (Portugal). 25 a 27 de setembro de 2017. Site.
  • 1st Pan American Congress of Nanotechnology. Fundamentals and Applications to Shape the Future. Guarujá, SP (Brasil). 27 a 30 de novembro de 2017.
    Site.
 

   
Você pode divulgar novidades, oportunidades, eventos ou dicas de leitura da área de Materiais, e sugerir papers, pessoas e temas para as seções do boletim. Escreva para comunicacao@sbpmat.org.br.

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Artigo em destaque: Melhores catalisadores para células a combustível de hidrazina.


O artigo científico com participação de membros da comunidade brasileira de pesquisa em Materiais em destaque neste mês é: From ionic liquid-modified cellulose nanowhiskers to highly active metal-free nanostructured carbon catalysts for the hydrazine oxidation reaction. Elizângela H. Fragal, Vanessa H. Fragal, Xiaoxi Huang, Alessandro C. Martins, Thelma Sley P. Cellet, Guilherme M. Pereira, Eliška Mikmeková, Adley F. Rubira, Rafael Silva* and Tewodros Asefa*. J. Mater. Chem. A, 2017,5, 1066-1077. DOI: 10.1039/C6TA09821E.

Melhores catalisadores para células a combustível de hidrazina

Células a combustível são dispositivos que, valendo-se de processos de oxidação, convertem diretamente a energia química dos combustíveis, os quais podem ser renováveis, em eletricidade. As células a combustível operam com alta eficiência energética e baixo impacto ambiental, e podem ser usadas nas mais diversas aplicações. De uso ainda restrito, as células a combustível apresentam vários desafios à pesquisa, como o desenvolvimento de catalisadores que tornem mais eficientes os processos de conversão de energia.

Uma equipe científica internacional deu um significativo passo nesse sentido ao desenvolver um material que demonstrou ser muito eficiente para catalisar a oxidação de hidrozina (N2H4) – um combustível líquido adequado para uso em células a combustível.  Diferentemente da maioria dos catalisadores eficientes, este novo catalisador não possui metais nobres na sua composição, e sim materiais abundantes, baratos e renováveis. O trabalho foi reportado em artigo recentemente publicado no Journal of Materials Chemistry A. Materials for energy and sustainability (fator de impacto 8,262), assinado por pesquisadores de instituições do Brasil, Estados Unidos e República Checa.

“Nesse trabalho destacamos a síntese de materiais nanoestruturados de carbono usando como precursor nanopartículas de celulose cristalina modificada com líquido iônico”, diz Rafael da Silva, professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e um dos autores correspondentes do artigo. “O material obtido neste processo foi utilizado como catalisador para o processo de oxidação de hidrazina”, completa.

Como se fossem cozinheiros testando qual é a melhor combinação de ingredientes para fazer determinado prato, os pesquisadores fabricaram uma série de materiais de carbono com pequenas diferenças entre eles, com a finalidade de compará-los e determinar qual teria melhor desempenho como catalisador na oxidação de hidrozina.

Para isso, inicialmente, a equipe preparou cuidadosamente os precursores (compostos que participam de uma reação química para formar um novo composto) dos materiais de carbono: as nanopartículas de celulose modificadas com líquido iônico. O algodão comercial, aquele que é vendido em farmácias, foi escolhido como matéria-prima para a preparação das nanopartículas de celulose. Polímero natural de fórmula (C6H10O5)n muito abundante na Terra, a celulose é produzida por plantas e bactérias. As nanopartículas foram “funcionalizadas” em dois grupos: enquanto uma parte delas recebeu a adição do grupo funcional SO3, às demais adicionou-se o grupo CO2. Em etapas posteriores, determinados grupos de nanopartículas foram submetidos a determinados processos de modificação superficial.

Com os diferentes precursores (nanopartículas) obtidos, os cientistas conseguiram preparar vários tipos de materiais de carbono. Tanto os precursores quanto os materiais obtidos a partir deles foram caracterizados por uma série de técnicas. Finalmente, a equipe investigou a atividade catalítica perante a oxidação da hidrazina em cada um dos materiais de carbono preparados. Os cientistas puderam concluir que o material com melhor desempenho nessa aplicação tinha sido preparado com nanopartículas de celulose funcionalizadas com SO3– e, posteriormente modificadas com um líquido iônico (composto iônico em estado líquido que funciona como solvente) de fórmula ([C4mim][CH3SO3]) e sem traços de elementos metálicos em sua composição.

“Usamos precursores simples e conseguimos obter um catalisador que está entre os melhores já reportados para a reação de oxidação de hidrazina”, comemora o professor Silva. “De fato, nosso material, que é baseado apenas em elementos químicos abundantes, consegue ser mais ativo que catalisadores baseados em metais nobres”, completa.

Os autores do artigo justificaram o bom desempenho do material pela sinergia da celulose e o líquido iônico, desde que o solvente se adsorve na superfície e também penetra na estrutura das nanopartículas de celulose, propiciando a inserção de impurezas e defeitos – fenômenos que favorecem a atividade catalítica.

O projeto foi realizado na Universidade Rutgers (New Jersey, EUA), no contexto do doutorado em Química da estudante da UEM Elizângela Hafemann Fragal, orientada pelos professores Adley Rubira e Rafael da Silva. O trabalho foi desenvolvido no início do doutorado de Elizângela, em 2015, durante um estágio sanduiche no grupo do professor Tewodros Asefa em Rutgers. Elizângela fez o estágio sanduíche no mesmo período e grupo que a sua irmã mais velha Vanessa Hafemann Fragal, ambas autoras do artigo do “J. Mater. Chem. A”. Na época, Vanessa também era aluna de doutorado do mesmo grupo da UEM.

Oito dos dez autores do paper. A partir da esquerda do leitor: estudante Elizângela Fragal (UEM), doutora Vanessa Fragal (UEM), doutor Alessandro Martins (UEM), doutora Thelma Sley Cellet (UEM) estudante Guilherme Pereira (UEM), professor Adley Rubira (UEM), professor Rafael Silva (UEM) e professor Tewodros Asefa (Rutgers).
Oito dos dez autores do paper. A partir da esquerda do leitor: estudante Elizângela Fragal (UEM), doutora Vanessa Fragal (UEM), doutor Alessandro Martins (UEM), doutora Thelma Sley Cellet (UEM) estudante Guilherme Pereira (UEM), professor Adley Rubira (UEM), professor Rafael da Silva (UEM) e professor Tewodros Asefa (Rutgers).

A cooperação entre UEM e a Universidade Rutgers, bem como a gênese do trabalho divulgado nesta matéria, remontam a 2010, quando Silva foi fazer doutorado pleno em Rutgers como bolsista Fulbright/Capes, depois de ter feito graduação e mestrado na UEM. Depois disso, Silva voltou à UEM, onde se tornou professor efetivo em 2015, e seis membros do grupo da instituição paranaense foram trabalhar no grupo do professor Asefa (três doutorandos em estágios sanduíche e três pós-docs). Além disso, Asefa é professor visitante na UEM, contando com bolsa do CNPq.

No doutorado, Silva participou do primeiro trabalho que demonstrou que um catalisador para oxidação eletroquímica de hidrazina pode ser feito sem o uso de metais. “Em 2012, publicamos um artigo [SILVA, Rafael ; Al-Sharab, Jafar ; Asefa, Tewodros . Edge-Plane-Rich Nitrogen-Doped Carbon Nanoneedles and Efficient Metal-Free Electrocatalysts. Angewandte Chemie (International ed. Print), v. 51, p. 7171-7175, 2012] no qual divulgamos a síntese de uma nova estrutura de carbono, a qual denominamos de nanoagulhas de carbono, que era ativa em relação à oxidação de hidrazina, com atividade semelhante à dos melhores catalisadores à época”, relata Silva, que conta com mais de 2.700 citações a seus artigos, segundo o Google Scholar, conseguidas em apenas 10 anos atuando em pesquisa.

Desde o paper de 2012, novos avanços sobre o tema foram publicados por diversos grupos. “Os fatos que aprendemos nestes anos levaram-nos a construir um sistema que é muito mais ativo que o material publicado em 2012. Para isso usamos a celulose e a sua interação específica com líquido iônico, que introduz agentes dopantes à estrutura do carbono final”, conclui Silva. Com o artigo divulgado nesta matéria, a equipe mostrou que é possível recuperar de forma eficiente a energia armazenada em moléculas de hidrazina. “Hoje dominamos o processo de síntese dos melhores catalisadores possíveis para a reação de hidrazina”, diz Silva.

O trabalho foi realizado com recursos das agências brasileiras CAPES, CNPq e Fundação Araucária, bem como recursos da Universidade Rutgers e da National Science Foundation (EUA).

Gente da comunidade: entrevista com o pesquisador Angelo Fernando Padilha.


Prof. Angelo Fernando Padilha (USP).
Prof. Angelo Fernando Padilha (USP).

Angelo Fernando Padilha nasceu no dia 30 de agosto de 1951 em Novo Horizonte, uma pequena cidade do estado de São Paulo. Cursou o ensino primário e os primeiros anos do secundário (o então chamado “ginásio”) na cidade natal e, aos 16 anos, mudou-se para São Carlos, a uns 170 km de Novo Horizonte, para fazer o “curso científico”, que abrangia os últimos três anos do ensino secundário e oferecia ao aluno uma formação com ênfase maior do que no “curso clássico” nas disciplinas de Matemática, Física, Química e Biologia.

Em 1970, ingressou no curso de graduação em Engenharia de Materiais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que acabara de ser criado. Formou-se em 1974. No ano seguinte, realizou uma especialização em Ciência e Tecnologia Nucleares da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), oferecida no Instituto de Energia Atômica (IEA), atual Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), na cidade de São Paulo. No mesmo ano, ele começou a trabalhar no IPEN com pesquisa e desenvolvimento de materiais para reatores nucleares. Também em 1975, Padilha iniciou o mestrado em Engenharia Metalúrgica da Universidade de São Paulo (USP), o qual concluiu em 1977 com a aprovação da sua dissertação sobre recuperação e recristalização em uma liga de alumínio.

Em 1978, ainda vinculado ao IEA, iniciou o doutorado em Engenharia Mecânica na Universität Karlsruhe, atual Karlsruher Institut für Technologie (KIT), Alemanha, obtendo o diploma de Doktor-Ingenieur em 1981 após a defesa de sua tese sobre precipitação em um aço inoxidável, utilizado no elemento combustível do reator rápido regenerador (fast breeder reactor) alemão SNR300. No ano seguinte, no Max Planck Institut für Metallforschung, na cidade alemã de Stuttgart, Padilha fez uma especialização de três meses em Ciência dos Materiais na qual estudou diagramas de fases envolvendo metais refratários.

De 1984 a 1986, além de desenvolver atividades de pesquisa no IPEN, atuou como docente no curso de graduação em Engenharia Metalúrgica da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

De 1987 a 1988, realizou um pós-doutorado na Ruhr Universität Bochum (RUB), na Alemanha.

Em 1988, depois de passar 13 anos trabalhando no IPEN, Angelo Padilha tornou-se docente do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Escola Politécnica da USP (EPUSP). Na Politécnica fez a livre-docência em 1989, e, em 1993, foi aprovado em concurso de professor titular.

No ano 1993, voltou à RUB, na Alemanha, para realizar uma especialização em aços inoxidáveis dúplex. Em 1998, realizou um segundo pós-doutorado, na University of Wales Swansea, hoje Swansea University, no Reino Unido.

De julho de 2011 a novembro de 2015, foi cedido pela USP para exercer cargos diretivos em entidades ligadas ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), atualmente de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Nesse período, foi presidente e presidente da comissão deliberativa da CNEN, presidente da Rede Nacional de Fusão (criada em 2006 para coordenar e ampliar a pesquisa em fusão nuclear no Brasil) e presidente do conselho de administração de duas empresas do segmento nuclear vinculadas ao MCTI, a Nuclebrás Equipamentos Pesados (NUCLEP) e a Indústrias Nucleares do Brasil (INB). Além disso, foi membro do comitê de coordenação dos fundos setoriais e, de 2012 a 2014, membro do conselho técnico-científico do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF).

É autor de mais de 100 artigos publicados em periódicos científicos indexados e cerca de vinte livros e capítulos de livros, como o conhecido livro didático “Materiais de Engenharia”. Sua produção acadêmica conta com, aproximadamente, 2.800 citações, segundo o Google Scholar. Já orientou 25 dissertações de mestrado e 24 teses de doutorado.

Ao longo da sua trajetória profissional, Padilha recebeu uma série de distinções da Presidência da República, Marinha do Brasil e Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais (ABM), entre outras entidades.

Atualmente, Angelo Padilha é professor titular da EPUSP, onde ministra disciplinas na graduação e pós-graduação e desenvolve pesquisas sobre metais. Ele é membro titular da Academia de Ciências do Estado de São Paulo desde 2012 e bolsista de produtividade do CNPq de nível sênior (nível outorgado a cientistas ativos na pesquisa e formação de recursos humanos que tenham sido bolsistas de nível 1 A ou B por, no mínimo, 15 anos). Seu índice h é de 27, de acordo com o Google Scholar.

Segue uma entrevista com o pesquisador.

Boletim da SBPMat: – Conte-nos o que o levou a estudar Engenharia de Materiais na primeira turma de Engenharia de Materiais da América Latina (UFSCar, 1970-1974) e a se tornar um pesquisador da área.

Angelo F. Padilha: – Durante o curso ginasial, eu já havia decidido ser engenheiro, mas não tinha clareza sobre que modalidade de Engenharia escolheria. Concluído o ginásio em minha cidade natal (Novo Horizonte, SP), fui para São Carlos, fazer o curso científico. São Carlos foi essencial para a minha formação. A cidade oferecia tudo que um garoto de 16 anos e distante dos pais poderia desejar! No meio estudantil, fervilhavam cultura, debate e rebeldia. Estou falando do início de 1967. O período pior do regime militar iniciado em 1964 ainda estava por vir.

Fui alertado da criação de um curso de Engenharia de Materiais em São Carlos por uma tia, que havia lido um artigo ou uma entrevista do professor Sérgio Mascarenhas no jornal da cidade e ficara impressionada. Foi a primeira vez que ouvi falar desta modalidade de Engenharia. O exame de ingresso foi instigante, muito diferente dos vestibulares da época. Fui muito bem classificado e fiz matrícula. A primeira turma de Engenharia de Materiais da UFSCar era composta de 50 alunos: 2 garotas e 48 rapazes. A universidade foi instalada em uma fazenda de mais de 200 alqueires, pouco distante da cidade. As instalações iniciais foram adaptadas. O ambiente era calmo e acolhedor. Hoje, posso avaliar melhor do que podia à época e estou convencido de que o curso como um todo foi excelente. Ofereceu-nos uma base científica consistente e moderna. A proporção de aulas experimentais foi a mais elevada que tenho conhecimento, para um curso de engenharia. Graças à base científica e tecnológica adquirida nos cinco anos de UFSCar, pude aproveitar bem o mestrado em Engenharia Metalúrgica na Escola Politécnica e depois o doutorado na faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade de Karlsruhe. Grande parte da nossa turma fez pós-graduação, em universidades de primeira linha do Brasil e do exterior.

Boletim da SBPMat: – Quais são, na sua própria avaliação, as suas principais contribuições à área de Materiais? Descreva brevemente as contribuições de mais impacto ou mais destacadas considerando todos os aspectos da atividade científica.

Angelo F. Padilha: – A área de Materiais fez muito mais por mim do que eu fiz por ela. Nunca trabalhei na fronteira do conhecimento, tampouco procurei nichos científicos. Procuro utilizar conceitos científicos modernos e técnicas experimentais avançadas para estudar, entender e aperfeiçoar materiais tradicionais e amplamente utilizados, tais como aços e ligas de alumínio. Por exemplo, meu artigo (em coautoria com Paulo Rangel Rios) mais lido e citado é um trabalho de revisão, publicado em 2002 e aborda a microestrutura de aços inoxidáveis austeníticos; um material descoberto em 1911 e ainda bastante utilizado.

Encaro como uma obrigação agradável escrever livros técnicos em português. Publiquei meu primeiro livro, sobre técnicas de análise microestrutural, em coautoria com Francisco Ambrózio Filho, em 1985. Sinto-me gratificado ao ver meus livros espalhados por várias bibliotecas do país. Embora sejam todos muito simples, são lidos e até citados.

Gosto muito da atividade docente, tive muitas centenas, talvez milhares, de alunos e dezenas de orientados. Até hoje sinto prazer em orientar estudantes e em dar aulas de Ciência dos Materiais no primeiro ano da Poli e de disciplinas mais específicas nos anos finais da graduação e na pós-graduação. Considero a interação com a indústria essencial para um professor e pesquisador da área de Engenharia. Mais da metade dos trabalhos que orientei foram em cooperação com a indústria.

Boletim da SBPMat: – Você tem uma significativa trajetória de pesquisa e gestão em instituições do segmento da energia nuclear. Quais são, na sua visão, os desafios da pesquisa em Materiais para área nuclear?

Angelo F. Padilha: – Meu primeiro emprego como engenheiro foi na área nuclear, na Coordenadoria de Ciência e Tecnologia de Materiais (CCTM) do Instituto de Energia Atômica (IEA), hoje IPEN-CNEN. O grupo foi criado e era liderado pelo Professor Shigueo Watanabe. Era composto de cerca de 50 pessoas, quase todos físicos do estado sólido. A convivência com eles foi para mim uma escola importante.

As aplicações da tecnologia nuclear contemplam não apenas a geração de energia núcleo-elétrica, mas também numerosas aplicações na indústria, na medicina, na agricultura, além da propulsão nuclear. Por exemplo, o número de pessoas que já se beneficiaram dos radio-fármacos produzidos no IPEN é comparável ao número de pessoas que se beneficiam da energia elétrica gerada pelos reatores instalados em Angra dos Reis.

Quase todos os materiais utilizados na construção de um reator nuclear, ou de um submarino de propulsão nuclear, ou até mesmo de uma centrífuga para enriquecimento isotópico de urânio são materiais que não foram desenvolvidos para estas aplicações. Na década de 1950, quando os norte-americanos construíram o primeiro reator nuclear para geração de energia núcleo-elétrica e o primeiro submarino de propulsão nuclear, em termos de materiais, eles precisaram desenvolver principalmente a tecnologia do urânio e do zircônio. Centenas de outros materiais indispensáveis para as aplicações mencionadas já eram disponíveis ou precisaram tão somente de alguma adaptação.

Por outro lado, as tecnologias nucleares apresentam algumas características especiais: i) são dominadas por poucos países; ii) muitas delas não podem ser adquiridas no mercado; iii) existe pouca cooperação internacional, especialmente nas tecnologias nucleares sensíveis; iv) são tecnologias complexas e exigem uma grande quantidade de recursos humanos e econômicos para serem desenvolvidas; v) são em geral tecnologias maduras, dominadas e aperfeiçoadas ao longo de décadas. Um país ao dominar uma tecnologia madura, pode rapidamente transformá-la em vantagem geopolítica ou econômica.

O Brasil construiu ao longo dos últimos sessenta anos um programa nuclear que pode ser classificado como um dos dez ou doze mais importantes do planeta. Além disto, temos grandes reservas de urânio. Do ponto de vista de materiais, ainda somos dependentes de importações, que frequentemente encontram grandes obstáculos. Acredito que os maiores desafios e oportunidades na área de materiais para aplicações nucleares estão na produção nacional, nas adaptações e nos aperfeiçoamentos. É mais provável que as inovações futuras sejam do tipo incremental do que radical.

Boletim da SBPMat: – Deixe uma mensagem para os leitores que estão iniciando suas carreiras científicas.

Angelo F. Padilha: – Procure obter uma formação científica consistente, o resto será consequência. Um pesquisador com conhecimentos profundos em disciplinas fundamentais, tais como termodinâmica, cristalografia e transformação de fases será sempre bem-vindo em qualquer grupo de pesquisa. Não desanime ao enfrentar a nossa mastodôntica e caolha burocracia.

Boletim da SBPMat: – Seu nome consta na “comissão interdisciplinar de materiais”, criada no final do ano 2000 para viabilizar a fundação da SBPMat. Se possível, compartilhe alguma lembrança ou comentário a respeito da sua participação na criação da sociedade.

Angelo F. Padilha: – Acredito que a SBPMat foi criada no momento certo e com o perfil adequado. Em minha opinião, esta é a principal razão do seu perdurável sucesso. Todos da “Comissão Interdisciplinar de Materiais” contribuíram de alguma forma; uns mais e outros menos. Eu estou certamente entre os que menos contribuíram. Acho que a capacidade de articulação agregadora do Guillermo Solórzano e a liderança científica do Edgar Zanotto foram decisivas. Tenho orgulho de ter participado da criação da SBPMat.

Victor C. Pandolfelli (DEMa-UFSCar) recebe pela terceira vez prêmio da ACerS (Estados Unidos) ao melhor paper sobre cerâmicas refratárias.


Professor Victor Carlos Pandolfelli (UFSCar).
Professor Victor Carlos Pandolfelli (UFSCar).

Desde a década de 1980, The American Ceramic Society (ACerS) seleciona e premia as publicações sobre cerâmicas para alta temperatura que mais contribuíram para o conhecimento no setor e as distingue com o prêmio Alfred Allen. Não há inscrição para tal prêmio, visto que a escolha se baseia em consultas às revistas indexadas na Web of Science, que são analisadas por uma equipe de especialistas.

Neste ano, em sua 18ª edição, o prêmio foi outorgado a um artigo publicado no periódico Ceramics International, assinado por três pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o professor Victor Carlos Pandolfelli e as doutoras Ana Paula da Luz e Mariana Braulio,  e uma pesquisadora do Instituto de Investigaciones en Ciencia y Tecnología de Materiales (INTEMA), da Argentina, Analía Tomba Martinez. Victor C. Pandolfelli e Mariana Braulio já tinham recebido esse prêmio em duas edições anteriores, sendo, até o momento, os únicos pesquisadores que foram distinguidos três vezes com o prêmio Alfred Allen da ACerS desde que a honraria é outorgada.

O prêmio foi recebido pelos autores durante o 53rd Annual Symposium on Ceramic Refractories, realizado no final de março na cidade de St Louis (Estados Unidos). Na ocasião, o professor Pandolfelli apresentou uma palestra convidada sobre cerâmicas para alta temperatura inspiradas na natureza.

  • Veja a lista de trabalhos premiados em todas as edições do Alfred Allen Award, aqui.
  • Veja o artigo premiado na edição de 2017, aqui.
  • Veja matéria no site da ACerS sobre o simpósio, com relato da palestra do professor Pandolfelli, aqui.

Boletim da SBPMat – 55ª edição.


 

Saudações !

Edição nº 55 – 31 de março de 2017
Notícias da SBPMat
Anuidade SBPMat. Veja motivos e benefícios de ser sócio da SBPMat e saiba como pagar a anuidade. O prazo para emissão do boleto no valor com desconto encerra hoje. Veja aqui. 
XVI Encontro da SBPMat/ XVI B-MRS Meeting
Submissão de resumos. Está aberta no site do evento, até 5 de maio, a submissão de trabalhos para apresentação oral ou em forma de pôster. Veja instruções para autores, aqui.

Simpósios. Veja a lista dos 23 simpósios aprovados, dentro dos quais os resumos são submetidos. Aqui.

Prêmio Bernhard Gross. Trabalhos submetidos por autores que são estudantes de graduação ou pós-graduação podem ser candidatos ao prêmio da SBPMat. Para participar da seleção, o autor deve submeter, até 14 de agosto, um resumo estendido adicional ao resumo convencional. Mais informações, nas instruções para autores, aqui.

Organização. Conheça o comitê organizador. Aqui.

Expositores. Veja no site do evento as 18 empresas que já confirmaram participação. Empresas
interessadas em participar do evento com estandes e outras formas de divulgação devem entrar em contato com Alexandre, no e-mail comercial@sbpmat.org.br.

Artigo em destaque

Uma equipe internacional que inclui pesquisadores da UFMG, Unicamp e UFRN apresentou, no periódico Nano Energy, uma contribuição ao desenvolvimento de materiais para supercapacitores. Usando um método simples e facilmente escalável, os autores fabricaram um compósito de polipirrol, grafeno e zircônia e testaram seu desempenho na estocagem de eletricidade. O material demonstrou potencial para uso em eletrodos de supercapacitores.  Veja nossa matéria de divulgação.

Gente da comunidade

Entrevistamos Vinícius Galhard Grassi, líder de pesquisa em polímeros no Brasil da Braskem. Doutor em Química pela UFRGS, Grassi trabalha há 16 anos em P&D em polímeros no meio empresarial, e já viu vários produtos desenvolvidos por ele e seus colaboradores sendo comercializados no mercado – um prazer incrível, diz ele, que justifica todo o esforço. Saiba mais sobre a carreira deste pesquisador, os produtos que desenvolveu e sua visão da atividade de P&D empresarial. Veja a entrevista.

Edgar Zanotto (UFSCar) e Oswaldo Alves (Unicamp) integram o conselho científico do Instituto Serrapilheira de apoio à ciência. Saiba mais. 

Yvonne Mascarenhas (USP), pioneira da pesquisa em Materiais no Brasil, é premiada pela União Internacional de Química Básica e Aplicada. Saiba mais.

Dicas de leitura
  • Livro “Nanociência e Nanotecnologia: Princípios e Aplicações” (editora Elsevier). A obra de 3 volumes, realizada por autores do Brasil e lançada em português em 2015, ganha edição em inglês. Saiba mais.
  • Rumo ao computador neuromórfico: dispositivo orgânico faz sinapse artificial com menor gasto de energia (divulgação de paper da Nature Materials com participação de pesquisador do Brasil). Saiba mais.
  • Contrariando lei da Física que relaciona condutividade elétrica e térmica, material se mostra bom condutor da eletricidade e mau condutor do calor (divulgação de paper da Science). Saiba mais.
  • Fio têxtil inteligente que estimula a circulação e outras inovações da empresa Rhodia criadas em laboratórios brasileiros. Aqui.
Oportunidades
  • Prêmio “Para Mulheres na Ciência” da LÓreal, Unesco e ABC está com inscrições abertas. Aqui.
  • Chamada SibtratecNano de projetos de nanotecnologia em produtos e processos, para empresas em colaboração com ICTs. Aqui.
  • Período para inscrições ao “Young Researcher Award”, prêmio da SBPMat em parceria com a E-MRS para pós-docs, encerra hoje. Aqui.
Próximos eventos da área
  • 9th International Conference on Materials for Advanced Technologies. Suntec (Cingapura). 18 a 23 de junho de 2017. Site. 
  • 1ª Escola Brasileira de Síncrotron (EBS). Campinas, SP (Brasil). 10 a 21 de julho de 2017. Site.
  • XI Brazilian Symposium on Glass and Related Materials (XI Brazglass). Curitiba, PR (Brasil). 13 a 16 de julho de 2017. Site.
  • VIII Método Rietveld de Refinamento de Estrutura. Fortaleza, CE (Brasil). 24 a 28 de julho de 2017. Site.
  • XXXVIII Congresso Brasileiro de Aplicações de Vácuo na Indústria e na Ciência (CBRAVIC) + III Workshop de Tratamento e Modificação de Superfícies (WTMS). São José dos Campos, SP (Brasil). 21 a 25 de agosto de 2017. Site.
  • IUMRS-ICAM 2017. Kyoto (Japão). 27 de agosto a 1º de setembro de 2017. Site.
  • 18 International Conference on Luminescence. João Pessoa, PB (Brasil). 27
    de agosto a 1º de setembro de 2017. Site.

  • XVI Encontro da SBPMat/ XVI B-MRS Meeting. Gramado, RS (Brasil). 10 a 14 de setembro de 2017. Site.
  • 2ª Conferência Nacional em Materiais Celulares (MatCel’2017) + Conferência Internacional em Dinâmica de Materiais Celulares (DynMatCel’2017). Aveiro (Portugal). 25 a 27 de setembro de 2017. Site.


Você pode divulgar novidades, oportunidades, eventos ou dicas de leitura da área de Materiais, e sugerir papers, pessoas e temas para as seções do boletim. Escreva para comunicacao@sbpmat.org.br.
 

 
 

 

Artigo em destaque: Material avançado para supercapacitores supercapazes.


O artigo científico com participação de membros da comunidade brasileira de pesquisa em Materiais em destaque neste mês é: One-step electrodeposited 3D-ternary composite of zirconia nanoparticles, rGO and polypyrrole with enhanced supercapacitor performance. Alves, Ana Paula P.; Koizumi, Ryota; Samanta, Atanu; Machado, Leonardo D.; Singh, Abhisek K.; Galvao, Douglas S.; Silva, Glaura G.; Tiwary, Chandra S.; Ajayan, Pulickel M. NANO ENERGY, volume 31, January 2017, 225–232. DOI: 10.1016/j.nanoen.2016.11.018.

Material avançado para supercapacitores supercapazes

Supercapacitores são dispositivos de estocagem de eletricidade que apresentam a útil particularidade de liberarem grandes quantidades de energia em curtos intervalos de tempo. Já são usados, por exemplo, em veículos elétricos ou híbridos, flashes de câmeras fotográficas e elevadores, mas ainda podem ser aperfeiçoados – em grande parte, com a contribuição da Ciência e Tecnologia de Materiais – para as aplicações atuais e potenciais. Em um esquema bem simplificado, um supercapacitor é formado por dois eletrodos, o positivo e o negativo, separados por uma substância contendo íons positivos e negativos (o eletrólito).

Um artigo recentemente publicado no periódico científico Nano Energy (fator de impacto 11,553) apresenta uma contribuição de uma equipe científica internacional e interdisciplinar ao desenvolvimento de materiais que melhoram o desempenho de supercapacitores. Mediante um processo simples e facilmente escalável, o time de pesquisadores do Brasil, Estados Unidos e Índia fabricou eletrodos de um material compósito formado por polipirrol (PPi), óxido de grafeno reduzido (rGO) e nanopartículas de óxido de zircônio (ZrO2). Ao combinarem os três materiais, os cientistas conseguiram gerar um eletrodo com grande área superficial e alta porosidade – características fundamentais para promover a interação dos íons do eletrólito com a superfície dos eletrodos e, dessa maneira, potencializar o desempenho do supercapacitor.

“Nossa contribuição diferenciada foi a síntese, em uma única e simples etapa de eletrodeposição, de um híbrido contendo grafeno, óxido de zircônio e polipirrol e a demonstração experimental de ganhos consideráveis em propriedades eletroquímicas, em paralelo à modelagem teórica visando obter uma compreensão do papel dos componentes do material”, diz Glaura Goulart Silva, professora do departamento de Química da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e autora correspondente do artigo.

Além de preparar amostras do compósito ternário (ou seja, formado por três elementos) PPi/rGO/ZrO2, a equipe fabricou, usando o mesmo método e para fins de comparação, amostras do compósito binário PPi/rGO, e amostras de polipirrol puro. Os três materiais foram analisados usando as técnicas de XPS (espectroscopia de fotoelétrons excitados por raios X), MEV (microscopia eletrônica de varredura), espectroscopia Raman e microscopia eletrônica de transmissão, para determinar sua composição, estrutura e morfologia.

Como pode ser observado nas imagens de MEV da figura abaixo, os cientistas notaram que a adição de óxido de grafeno e nanopartículas de zircônia mudara significativamente a morfologia do material. Enquanto o polipirrol puro tinha formado um filme trincado e com aspecto de aramado, o compósito com grafeno possuía uma morfologia granulosa e sem fendas, e o material com óxido de zircônio se apresentava com aspecto semelhante ao de folhas.

Finalizando a parte experimental do estudo, os cientistas realizaram uma série de testes para medir o desempenho dos três materiais enquanto supercapacitores. Os resultados mostraram que a capacidade de armazenar cargas elétricas (capacitância) tinha aumentado até 100% no compósito ternário com relação ao polipirrol. Além disso, esse desempenho, em vez de diminuir devido ao uso do eletrodo, aumentara 5% depois de 1.000 recargas nos compósitos binário e ternário.

O artigo foi o primeiro a apresentar a introdução de nanopartículas de óxido de zircônio em eletrodos de polipirrol e grafeno para supercapacitores. Assim, a equipe realizou modelagens computacionais para analisar o papel do óxido de zircônio no desempenho do compósito. As simulações confirmaram os efeitos benéficos das nanopartículas na estabilidade do material, diretamente relacionada ao alongamento da vida útil dos eletrodos.

Esquema ilustrativo de armazenamento de carga e interação dos íons próximos à superfície dos eletrodos de polipirrol puro (PPi), con óxido de grafeno reduzido (PPi/rGO) e polipirrol, PPi/rGO/ZrO2 (acima), baseado na morfologia associada às imagens de MEV da superfície dos eletrodos com os respectivos materiais sob substrato de fibra de carbono (abaixo). Imagem feita por Ana Paula Pereira Alves para sua tese de doutorado.
Esquema ilustrativo de armazenamento de carga e interação dos íons próximos à superfície dos eletrodos de polipirrol puro (PPi), con óxido de grafeno reduzido (PPi/rGO) e polipirrol, PPi/rGO/ZrO2 (acima), baseado na morfologia associada às imagens de MEV da superfície dos eletrodos com os respectivos materiais sob substrato de fibra de carbono (abaixo). Imagem feita por Ana Paula Pereira Alves para sua tese de doutorado.

 

“O potencial destes novos compósitos para uso em supercapacitores é muito grande devido às necessidades de aumento da densidade de energia fornecida pelo dispositivo, em paralelo à sua miniaturização”, afirma a professora Goulart Silva. “A alternativa desenvolvida no trabalho em questão permite um melhor desempenho em termos de estabilidade à ciclagem com ganhos na direção da segurança do supercapacitor. O uso de supercapacitores e baterias nos carros elétricos e híbridos é uma das frentes tecnológicas onde estes materiais podem encontrar aplicação”, completa.

A partir da esquerda do leitor: a professora Glaura Goulart Silva (UFMG), o professor Pulickel Ajayan (Rice University) e Ana Paula Pereira Alves, doutora recém- diplomada pela UFMG.
A partir da esquerda do leitor: a professora Glaura Goulart Silva (UFMG), o professor Pulickel Ajayan (Rice University) e Ana Paula Pereira Alves, doutora recém- diplomada pela UFMG.

O trabalho faz parte do doutorado em Química de Ana Paula Pereira Alves, realizado com orientação da professora Goulart Silva e defendido em fevereiro deste ano na UFMG com uma tese sobre síntese e caracterização de materiais avançados para supercapacitores. Na universidade mineira, Pereira Alves realizou, no doutorado, um treinamento intensivo em técnicas de síntese e análise físico-química de polímeros conjugados e de grafenos e em caracterização de supercapacitores. Em 2015, ela partiu para os Estados Unidos para realizar um estágio “sanduíche” de um ano, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), no departamento de Ciência dos Materiais e Nanoengenharia da Rice University, no grupo de pesquisa do professor Pulickel Ajayan (pesquisador com índice h=139 segundo o Google Scholar), que é colaborador do grupo da professora Goulart Silva desde 2010. “O professor Ajayan tem sistematicamente proposto inovações radicais em sínteses e design de baterias e supercapacitores, com grande impacto internacional na área”, comenta ela.

O trabalho experimental reportado no artigo foi realizado na Rice University, com a presença de todos os autores, inclusive os oriundos do Brasil e da Índia, sem omitir a própria professora Goulart Silva, que passou ali o mês de fevereiro de 2016 com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). “O ambiente altamente interdisciplinar do Department of Materials Science and NanoEngineering da Rice permitiu que engenheiros, físicos e químicos se reunissem para trabalhar em um problema de grande importância na atualidade”.

A modelagem computacional foi realizada por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) – entre eles, o professor Douglas Galvão (Unicamp), que mantinha uma colaboração científica com o professor Ajayan desde antes do início desta pesquisa.

“Em minha opinião este trabalho é um excelente exemplo de sucesso, onde a competência dos grupos brasileiros se uniu à de um grupo altamente produtivo e impactante no cenário internacional e se complementaram”, diz Goulart Silva. “A estabilidade e ampliação dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento no Brasil são essenciais para que exemplos de trabalhos como esse sejam corriqueiros. Pesquisa é um investimento que precisa ser feito a longo termo, sem retrocessos, para assim permitir uma alta taxa de retorno em termos de materiais, tecnologias e pessoas altamente qualificadas. Ana Paula Alves é agora uma jovem doutora em busca de oportunidade para construir seu grupo de pesquisa e assim formar novos estudantes e contribuir para enfrentar os desafios do nosso país”, completa a professora da UFMG.

Gente da comunidade: Entrevista com Vinícius Galhard Grassi, líder de pesquisa em polímeros (Brasil) na Braskem.


ViníciusApenas 8,5 % dos doutores formados no Brasil trabalham em empresas, segundo dados de estudo do CGEE lançado no ano passado. Vinícius Galhard Grassi, gaúcho de Santa Maria, pertence a esse grupo minoritário. Aos 38 anos de idade, Grassi acumula 16 anos de experiência em pesquisa e desenvolvimento (P&D) no meio empresarial, sempre na área de polímeros, tendo atuado em todas as fases do processo de inovação, desde a concepção do produto até a sua consolidação no mercado.

Vinícius Grassi formou-se em Química Industrial pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) em 1999. No ano 2000 iniciou o mestrado em Ciência dos Materiais na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Em 2001, foi contratado pela empresa Innova para trabalhar como químico de polímeros na unidade localizada no polo petroquímico de Triunfo (RS). Em 2002, obteve o título de mestre pela UFRGS com a defesa de sua dissertação sobre a resistência química do poliestireno de alto impacto, trabalho que originou uma família de novos produtos para a Innova. Entre 2010 e 2013, ainda trabalhando na empresa, realizou o doutorado em Química, iniciado na UFRGS e finalizado no Instituto Max Planck de Pesquisa em Polímeros (Alemanha). No doutorado, desenvolveu um trabalho de pesquisa sobre a obtenção e caracterização de um material polimérico que mistura polímeros feitos com matérias-primas renováveis e fósseis.

No início de 2014, depois de ter trabalhado durante 13 anos na Innova, principalmente com polímeros estirênicos, Grassi ingressou à empresa Braskem como coordenador de projetos de P&D. Em novembro de 2015, passou a liderar o grupo de pesquisadores dedicados à caracterização avançada de materiais na empresa. Desde maio de 2016, é líder de pesquisa em polímeros da Braskem no Brasil, trabalhando com polipropileno (PP), polietileno (PE) e acetato-vinilo de etileno (EVA).

Além de ter desenvolvido, junto a seus colaboradores, uma série de produtos para a Innova e a Braskem (veja entrevista), Vinícius Grassi é autor de 8 artigos publicados em revistas indexadas e de 9 pedidos de patente (um deles, depositado nos Estados Unidos). Duas dessas patentes foram distinguidas com prêmios da Petrobrás e da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

Segue uma entrevista com o pesquisador.

Boletim da SBPMat: – Conte-nos o que o levou a estudar Química e Materiais e a trabalhar em P&D no meio empresarial.

Vinícius Galhard Grassi: – O interesse e prazer em estudar Química, certamente catalisado por bons professores no ensino médio. Desde a graduação eu me interessava por polímeros, mas me graduei em uma universidade (UFSM) que disponibilizava somente uma disciplina em polímeros, e ainda de forma eletiva. Decidi fazer um mestrado em Engenharia de Materiais na UFRGS para me aprofundar em polímeros, e desde o início quis direcionar para um tema de interesse da indústria. Fazer P&D em meio empresarial é um desafio de colocar em prática a ciência para gerar uma vida melhor às pessoas e a sociedade como um todo, e gerar lucro para as empresas. Também permite o desenvolvimento de algumas competências típicas do meio empresarial que refletem em nossa própria vida pessoal.

Boletim da SBPMat: – Você fez o doutorado enquanto trabalhava na Innova. Desenvolveu um trabalho do interesse da empresa? Se sim, o desenvolvimento chegou a virar inovação?

Vinícius Galhard Grassi: – Sim, iniciei e conclui enquanto trabalhava na Innova, em um tema de interesse da empresa, mas com alto conteúdo científico. O doutorado (iniciado na UFRGS e concluído no Max Planck for Polymer Research na Alemanha) gerou uma patente que ainda não foi explorada comercialmente, pois precisa de um trabalho continuado de aumento de escala.

Boletim da SBPMat: – Na sua opinião, quais são seus trabalhos de P&D em Materiais mais importantes? Gostaríamos que na resposta fosse além da enumeração de resultados e nos descrevesse brevemente esses trabalhos, relatando se viraram inovações e o impacto que tiveram no mercado.

Vinícius Galhard Grassi: – O trabalho de mestrado gerou uma nova família de produtos para a Innova que representa um faturamento muito significativo da empresa e está protegido por patente já concedida. Estes produtos estão presentes especialmente nos refrigeradores produzidos no Brasil. Na Braskem estou liderando a área de Pesquisa em Polímeros no Brasil, e os principais resultados recentes da equipe foram o lançamento de uma tecnologia proprietária de grades de PP para produção de espumas, que foram lançados na Feira K em 2016 na Alemanha (a saber, a maior Feira mundial de plásticos), que já estão sendo comercializados no Brasil e nos EUA. Os produtos atendem aplicações das principais montadoras de automóveis, além de outras aplicações industriais. Esta equipe também desenvolveu a tecnologia do EVA Rubber, que hoje é usada em diversos calçados, dando leveza, durabilidade e conforto, trazendo competitividade à indústria brasileira, além de um processo de produção de solados com menor consumo de energia e geração de resíduos. Ou seja, ganhos de sustentabilidade para a cadeia.

Boletim da SBPMat: – Quais foram os principais desafios ou dificuldades que você enfrentou em seu trabalho de P&D em empresas?

Vinícius Galhard Grassi: – Eu percebo vários momentos críticos durante um projeto de P&D. 1) Selecionar as melhores ideias em termos de potencial de mercado e que sejam passíveis de geração de patente (no caso de projetos de pesquisa). Não adianta colocar recursos em ideias ruins. 2) Gerar resultados consistentes de uma forma ágil, com base científica sólida, alocando os recursos e competências certas. Se é para falhar, que seja rápido, mas obviamente ter persistência quando você realmente acredita no projeto. 3) Aumento de escala: acho esta a etapa crítica, muitos projetos falham no scale up, pois pequenos detalhes tornam-se significantes quando a escala é maior. É também uma etapa que só se justifica quando algum cliente está realmente interessado no projeto, pois a alocação de recursos e investimentos em geral são significativos.

Boletim da SBPMat: – Você é coautor/ autor de artigos e de patentes. Comente o que significam os artigos e as patentes para você no contexto do trabalho em empresas.

Vinícius Galhard Grassi: – Os artigos fortalecem a veia científica e representam a contribuição individual ao progresso da ciência através do compartilhamento de conhecimento. E as patentes são um ativo valioso que o pesquisador cria para a empresa. Dá poderes à empresa de ser a dona de uma tecnologia e fortalece sua estratégia tecnológica.

Boletim da SBPMat: – Deixe uma mensagem aos jovens da comunidade de Materiais que desejam trabalhar com P&D no meio empresarial.

Vinícius Galhard Grassi: – Como em tudo na vida, há vantagens e desvantagens em trabalhar com P&D no meio empresarial. A pressão por prazos e resultados é constante, faz parte do dia-a-dia. Mas isto cria senso de urgência e foco no que é prioritário e de fato cria valor. O prazer de ver uma tecnologia ser escalada e chegar ao mercado é incrível e justifica todo o esforço. E conhecer e interagir com muitas pessoas competentes, que te ensinam e te fazem crescer como profissional, com reflexos na vida pessoal. Especialmente na Braskem, é uma oportunidade ímpar de crescimento. A terra lá é muito fértil, se a semente for boa e bem tratada, ela cresce mesmo!

Dicas de leitura. Livro “Nanociência e Nanotecnologia: Princípios e Aplicações” (editora Elsevier).


“Nanociência e Nanotecnologia: Princípios e Aplicações” é uma obra distribuída em 3 volumes, com um total de 22 capítulos, redigidos por especialistas e cientistas renomados de diferentes regiões do país. O volume 1 apresenta tópicos de nanoestruturas; o volume 2, técnicas de nanocaracterização, e o volume 3, exemplos de aplicações.

Os organizadores do livro são os pesquisadores doutores Alessandra da Róz (IFSP), Fábio de Lima Leite (UFSCar/CCTS), Marystela Ferreira (UFSCar/CCTS) e Osvaldo Novais Oliveira Jr (USP/IFSC). “Observamos que em português eram poucos os livros destinados à Nanociência e Nanotecnologia e nos unimos para organizar a série”, diz Marystela Ferreira.

A obra foi lançada em 2015 pela editora Campus, da Elsevier. “O sucesso da série lançada em 2015 foi tão grande que a Elsevier nos convidou para editar essa série em língua inglesa”, conta Ferreira. O novo desafio foi aceito e vem sendo realizado pelos organizadores, com a ajuda dos autores e da editora. Os dois primeiros volumes em inglês foram lançados em 2016, e p lançamento do volume 3 está previsto para junho de 2017. Na edição em língua inglesa, novos capítulos foram adicionados no sentido de abranger o máximo possível de materiais e técnicas. “Destaca-se o acréscimo de estruturas de carbono no volume 1 e a apresentação da técnica de SPR (superfície de ressonância de plásmons), no volume 3”, comenta Ferreira.

De acordo com a pesquisadora, a obra aborda os conceitos básicos e os princípios fundamentais da Nanociência e da Nanotecnologia, além de temas como nanossensores, filmes nanoestruturados e técnicas de nanocaracterização (incluídas pensando nos estudantes de graduação e pós que realizam pesquisa experimental). A série também inclui tópicos de mecânica quântica e simulação computacional – temas que ainda não tinham sido abordados em livros nacionais de Nanociência – redigidos em linguagem fácil e objetiva, com aplicações e ilustrações, comenta Ferreira. Novas linhas de pesquisa, como Nanomedicina, Nanoeletrônica e Nanoneurobiofísica também foram abordadas na série. “Trata-se de uma obra que reúne tópicos em áreas como Biologia, Biotecnologia, Física Materiais, Medicina, Química e áreas afins”, diz Ferreira.

Os volumes estão disponíveis no Science Direct (site da Elsevier para busca de artigos e livros) e à venda na forma de e-book e livro impresso no site da Elsevier.

Links para a edição em inglês:

Volume 1.

Volume 2.

Volume 3.

applications techniques nanostructures

 

Prêmio “Para Mulheres na Ciência”.


Prêmio “Para Mulheres na Ciência”, da Academia Brasileira de Ciências (ABC), LÓreal e Unesco, destinado a mulheres que tenham concluído o doutorado a partir de 01/01/2010.

Inscrições até 8 de abril.

Prêmio: R$ 50. 000 (para cada uma das sete ganhadoras).

Mais informações e inscrições: http://www.paramulheresnaciencia.com.br/

 

XVI B-MRS Meeting/ Encontro da SBPMat: aberta a submissão de trabalhos.


bannersbpmat2017Está aberta, até 5 de maio, a submissão de resumos para apresentação de trabalhos na décima sexta edição do evento anual organizado pela Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat, ou B-MRS na sigla em inglês). O evento será realizado de 10 a 14 de setembro deste ano na cidade de Gramado (RS), no centro de eventos FAURGS.

Interdisciplinar e internacional, o evento é dedicado à apresentação e discussão, em idioma inglês, dos avanços científicos e tecnológicos alcançados no campo dos materiais. Nas últimas edições, o encontro tem reunido cerca de 2.000 participantes de diversos pontos do Brasil e de dezenas de outros países.

Esta edição do evento conta com 23 simpósios temáticos, dentro dos quais pesquisadores e estudantes do Brasil e do exterior podem submeter resumos de seus trabalhos para apresentação oral ou em forma de pôster. Os simpósios abrangem um amplo leque de temas de pesquisa em Materiais, desde o estudo, fabricação e modificação de diversos materiais (polímeros, metais, compósitos, hidrogéis, nanomateriais, biomateriais) até seu uso nos segmentos de energia, aeronáutica, saúde, eletrônica, bioeletrônica, fotônica, plasmônica, fotocatálise e diversas indústrias. O impacto ambiental da fabricação e a segurança do uso de alguns materiais também serão abordados nos simpósios.

Os melhores trabalhos de cada simpósio apresentados por estudantes de graduação ou pós-graduação serão destacados no final do evento com o Prêmio Bernhard Gross da SBPMat, que homenageia um dos pioneiros da pesquisa em Materiais no Brasil.

Os simpósios do XVI B-MRS Meeting são coordenados por pesquisadores de instituições das cinco regiões brasileiras e da Argentina, Canadá, Espanha, Estados Unidos, Portugal e Reino Unido, além de pesquisadores de empresas como a Boeing, Embraer e Omnidea. O coordenador geral do evento é o professor Daniel Eduardo Weibel, do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Além das sessões nas quais se desenvolvem os simpósios mediante a apresentação dos trabalhos aceitos e das palestras convidadas, o evento terá uma série de palestras plenárias, nas quais cientistas internacionalmente renomados abordarão assuntos de grande impacto científico e social e mostrarão resultados que estão na fronteira do conhecimento. O encontro também contará com empresas expositoras.

Informações sobre o XVI B-MRS Meeting e instruções para elaboração e envio dos resumos e para participação no Prêmio Bernhard Gross, no site do evento: http://sbpmat.org.br/16encontro/home/