Prêmio “Para Mulheres na Ciência”.


Prêmio “Para Mulheres na Ciência”, da Academia Brasileira de Ciências (ABC), LÓreal e Unesco, destinado a mulheres que tenham concluído o doutorado a partir de 01/01/2010.

Inscrições até 8 de abril.

Prêmio: R$ 50. 000 (para cada uma das sete ganhadoras).

Mais informações e inscrições: http://www.paramulheresnaciencia.com.br/

 

XVI B-MRS Meeting/ Encontro da SBPMat: aberta a submissão de trabalhos.


bannersbpmat2017Está aberta, até 5 de maio, a submissão de resumos para apresentação de trabalhos na décima sexta edição do evento anual organizado pela Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat, ou B-MRS na sigla em inglês). O evento será realizado de 10 a 14 de setembro deste ano na cidade de Gramado (RS), no centro de eventos FAURGS.

Interdisciplinar e internacional, o evento é dedicado à apresentação e discussão, em idioma inglês, dos avanços científicos e tecnológicos alcançados no campo dos materiais. Nas últimas edições, o encontro tem reunido cerca de 2.000 participantes de diversos pontos do Brasil e de dezenas de outros países.

Esta edição do evento conta com 23 simpósios temáticos, dentro dos quais pesquisadores e estudantes do Brasil e do exterior podem submeter resumos de seus trabalhos para apresentação oral ou em forma de pôster. Os simpósios abrangem um amplo leque de temas de pesquisa em Materiais, desde o estudo, fabricação e modificação de diversos materiais (polímeros, metais, compósitos, hidrogéis, nanomateriais, biomateriais) até seu uso nos segmentos de energia, aeronáutica, saúde, eletrônica, bioeletrônica, fotônica, plasmônica, fotocatálise e diversas indústrias. O impacto ambiental da fabricação e a segurança do uso de alguns materiais também serão abordados nos simpósios.

Os melhores trabalhos de cada simpósio apresentados por estudantes de graduação ou pós-graduação serão destacados no final do evento com o Prêmio Bernhard Gross da SBPMat, que homenageia um dos pioneiros da pesquisa em Materiais no Brasil.

Os simpósios do XVI B-MRS Meeting são coordenados por pesquisadores de instituições das cinco regiões brasileiras e da Argentina, Canadá, Espanha, Estados Unidos, Portugal e Reino Unido, além de pesquisadores de empresas como a Boeing, Embraer e Omnidea. O coordenador geral do evento é o professor Daniel Eduardo Weibel, do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Além das sessões nas quais se desenvolvem os simpósios mediante a apresentação dos trabalhos aceitos e das palestras convidadas, o evento terá uma série de palestras plenárias, nas quais cientistas internacionalmente renomados abordarão assuntos de grande impacto científico e social e mostrarão resultados que estão na fronteira do conhecimento. O encontro também contará com empresas expositoras.

Informações sobre o XVI B-MRS Meeting e instruções para elaboração e envio dos resumos e para participação no Prêmio Bernhard Gross, no site do evento: http://sbpmat.org.br/16encontro/home/

Boletim da SBPMat – 54ª edição.


 

Saudações !

Edição nº 54 – 27 de fevereiro de 2017

Notícias da SBPMat
  • Young Researcher Award. SBPMat lança prêmio para pós-docs em parceria com a E-MRS. A submissão de candidaturas está aberta. Aqui.
  • Isenção na inscrição do Encontro da E-MRS. Conheça os estudantes selecionados, que vão participar do E-MRS 2017 Spring Meeting sem pagarem taxa de inscrição. Aqui.
  • Campanha de sócios SBPMat. Ainda está aberto o período de desconto na anuidade 2017. Veja motivos e benefícios de ser sócio da SBPMat e saiba como pagar a anuidade. Aqui. 
  • Sócios pessoa jurídica. Empresas e organizações de todos os tipos também são bem-vindas à comunidade de sócios da SBPMat. Conheça os novos sócios institucionais da SBPMat: Altmann e Interprise. Aqui.
XVI Encontro da SBPMat/ XVI B-MRS Meeting
  • Simpósios. A lista de simpósios aprovados estará no site do evento no início de março. 
  • Organização. Conheça o comitê organizador. Aqui.
  • Expositores. Veja no site do evento as 14 empresas que já confirmaram participação. Empresas interessadas em participar do evento com estandes e outras formas de divulgação devem entrar em contato com Alexandre, no e-mail comercial@sbpmat.org.br.
      
Artigo em destaque

Uma equipe com participação de pesquisadores da Unicamp desenvolveu uma “receita” inovadora para fabricar nanocristais de perovskita luminescentes (pontos quânticos) que podem ser purificados sem se degradarem. Com os robustos nanocristais, a equipe fabricou LEDs brilhantes e eficientes de arquitetura inovadora. O trabalho foi reportado em paper publicado na Advanced Functional Materials.  Veja nossa matéria de divulgação.

Gente da comunidade

Entrevistamos Aloísio Nelmo Klein, professor da UFSC, onde foi um dos introdutores da pesquisa e ensino em Materiais. Com mais de 60 patentes e um histórico de interação com empresas, Klein se define como um pesquisador convencido de que a ciência é uma das principais forças motrizes para o desenvolvimento de uma nação. Saiba mais sobre a história deste pesquisador, desde sua infância numa vila de descentes de alemães no Rio Grande do Sul até o presente, e veja a mensagem que deixou para os leitores mais jovens. Veja a entrevista.

Ex-presidentes da SBPMat Elson Longo (UNESP, UFSCar) e José Arana Varela (in memoriam) são homenageados por meio dos nomes de dois novos laboratórios da UFPel. Saiba mais.

Dicas de leitura
  • Inovações tecnológicas feitas no Brasil em aços usados em motores elétricos e transformadores melhoram a eficiência energética. Aqui.
  • Colaboração do LNNano (CNPEM) com usina de álcool gera tecnologia de transformação do bagaço de cana em carvão ativo, que pode ser usado na purificação de água e ar. Aqui.
  • Visando a aplicações aeroespaciais, equipe com participação brasileira estuda o que acontece com nanotubos durante impactos em alta velocidade e melhora o material. Aqui.
Oportunidades
  • Oportunidades para pesquisadores no CNPEM. Aqui.
  • Inscrições abertas para o Young Research Award, prêmio da SBPMat em parceria com a E-MRS para pós-docs. Aqui.
Próximos eventos da área
  • Pan-American Polymer Science Conference (PanPoly). Guarujá, SP (Brasil). 22 a 24 de março de 2017. Site.
  • 9th International Conference on Materials for Advanced Technologies. Suntec (Cingapura). 18 a 23 de junho de 2017. Site. 
  • XXXVIII Congresso Brasileiro de Aplicações de Vácuo na Indústria e na Ciência (CBRAVIC) + III Workshop de Tratamento e Modificação de Superfícies (WTMS). São José dos Campos, SP (Brasil). 21 a 25 de agosto de 2017. Facebook.
  • IUMRS-ICAM 2017. Kyoto (Japão). 27 de agosto a 1º de setembro de 2017. Site.
  • XVI Encontro da SBPMat/ XVI B-MRS Meeting. Gramado, RS (Brasil). 10 a 14 de setembro de 2017. Site.

Você pode divulgar novidades, oportunidades, eventos ou dicas de leitura da área de Materiais, e sugerir papers, pessoas e temas para as seções do boletim. Escreva para comunicacao@sbpmat.org.br.
Descadastre-se caso não queira receber mais e-mails.

 
 

 

 

Artigo em destaque: Como fazer nanocristais de perovskita mais estáveis para LEDs mais eficientes.


O artigo científico com participação de membros da comunidade brasileira de pesquisa em Materiais em destaque neste mês é: Amine-Free Synthesis of Cesium Lead Halide Perovskite Quantum Dots for Efficient Light-Emitting Diodes. Emre Yassitepe, Zhenyu Yang, Oleksandr Voznyy, Younghoon Kim, Grant Walters, Juan Andres Castañeda, Pongsakorn Kanjanaboos, Mingjian Yuan, Xiwen Gong, Fengjia Fan, Jun Pan, Sjoerd Hoogland, Riccardo Comin, Osman M. Bakr, Lazaro A. Padilha, Ana F. Nogueira, and Edward H. Sargent. Adv. Funct. Mater. 2016. DOI: 10.1002/adfm.201604580.

Como fazer nanocristais de perovskita mais estáveis para LEDs mais eficientes

Nesta imagem ilustrativa, enviada por Emre Yassitepe, pontos quânticos azuis, verdes e vermelhos excitados por radiação ultravioleta exibem uma brilhante luminescência.
Nesta imagem ilustrativa, enviada por Emre Yassitepe, pontos quânticos azuis, verdes e vermelhos excitados por radiação ultravioleta exibem uma brilhante luminescência.

Os pontos quânticos de perovskita vem sendo enxergados como ótimos candidatos para compor uma próxima geração de telas e dispositivos para iluminação. De fato, essas nanopartículas luminescentes são capazes de emitir luz de alto brilho e em cores muito vívidas e puras ao receberem energia externa. Mas o uso tecnológico dos pontos quânticos de perovskita esbarra ainda em algumas limitações, principalmente ligadas à sua instabilidade, pois essas minúsculas partículas rapidamente podem reagir com o meio, aglomerar-se ou aumentar de tamanho, por exemplo.

Uma equipe de cientistas de instituições do Canadá, Brasil e Arábia Saudita encontrou uma solução a um dos problemas que limitam o avanço da pesquisa e desenvolvimento na área, a degradação dos pontos quânticos de perovskita durante sua fabricação. O estudo foi reportado em artigo recentemente publicado no periódico Advanced Functional Materials (fator de impacto: 11,38).

A fabricação dos pontos quânticos de perovskita é tradicionalmente realizada colocando num frasco uma solução com uma série de compostos que, ao reagirem sob determinadas condições, geram nanopartículas de perovskita revestidas (passivadas) com ácido oleico (C18H34O2) e oleilamina (C18H35NH2).

A equipe realizou experimentos e simulações computacionais para compreender como ocorria, passo a passo, a formação dos pontos quânticos de perovskita e, dessa maneira, formular um método de fabricação que evitasse o problema da degradação. Os cientistas perceberam que a chave da solução residia em reformular os “ingredientes” do processo para poder retirar a oleilamina que acabava criando as condições para a degradação dos pontos quânticos, os quais precipitavam para o fundo do frasco.

“Nós focamos no desenvolvimento de uma nova técnica de síntese para passivar pontos quânticos de perovskita com ácido oleico”, diz Emre Yassitepe, pós-doc no Laboratório de Nanotecnologia e Energia Solar do Instituto de Química da Unicamp, que assina o artigo como primeiro autor. “O ácido oleico é um dos ligantes mais usados até o momento para estabilizar pontos quânticos e queríamos ver o impacto na estabilização e no desempenho do LED de diferentes ligantes”, completa.

Seguindo a nova “receita”, a equipe conseguiu produzir pontos quânticos de cerca de 8 nm, revestidos unicamente com ácido oleico, compostos por césio, chumbro e elementos do grupo dos halogêneos e tendo uma estrutura perovskita (que é uma determinada organização dos átomos). Foram produzidos e caracterizados pontos quânticos verdes, de fórmula CsPbBr3), azuis (CsPb(Br,Cl)3) e vermelhos (CsPb(Br,I)3).

Um dos principais ganhos obtidos com o novo método foi a estabilidade coloidal dos pontos quânticos: diferentemente dos pontos quânticos revestidos com oleilamina, eles permaneceram intatos após a etapa da purificação, que remove dos nanocristais os compostos residuais que costumam remanescer do processo de fabricação.

A equipe foi além da fabricação e análise experimental dos pontos quânticos e construiu com eles dispositivos LED (diodos emissores de luz, hoje amplamente utilizado em lâmpadas e telas) emissores de luz verde, azul e vermelha para conferir sua eficiência. Fizeram filmes finos com os pontos quânticos de perovskita conseguidos e colocaram uma camada desse material “sanduichada” entre uma camada de dióxido de titânio, encarregada de transportar elétrons (portadores de carga negativa) e uma camada polimérica, destinada ao transporte dos chamados “buracos” (portadores de carga positiva). Nesse LED, ao se aplicar um campo elétrico, elétrons e buracos se deslocam para a camada de pontos quânticos e acabam excitando-os, fazendo que emitam fótons e gerem, assim, a luz desejada.

O uso de camadas de transporte poliméricas processadas a partir de solução, em vez de camadas processadas a partir de evaporação para fabricar LEDs de perovskita foi uma inovação também possibilitada pela nova “receita”, que tornou os pontos quânticos mais robustos frente a esse tipo de processamento.

Como resultado final, os cientistas conseguiram LEDs azuis e verdes brilhantes e eficientes. Os LEDs de perovskita feitos com pontos quânticos sem oleilamina demonstraram um desempenho melhor, em alguns aspectos, do que os LEDs de perovskita convencionais contendo oleilamina.

autores
Fotos dos autores do artigo de instituições brasileiras. A partir da esquerda: Ana Flávia Nogueira e Emre Yassitepe (Instituto de Química da Unicamp), Juan Andrés Castañeda e Lázaro Padilha (Instituto de Física Gleb Wataghin, Unicamp).

“Demonstramos um novo método de síntese que aumenta a estabilidade coloidal dos pontos quânticos de perovskita ao revesti-los com ácido oleico”, resume Yassitepe. “Esse aumento da estabilidade viabilizou a remoção do excesso de conteúdo orgânico nos filmes finos, o qual atua como isolante entre os pontos quânticos, reduzindo seu desempenho. Ao reduzir os ligantes que estavam em excesso, conseguimos fazer LEDs mais eficientes e processáveis em solução”, conclui o pós-doc.

O trabalho foi realizado com financiamento de agências canadenses, da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e da Universidade de Ciência e Tecnologia King Abdullah (Arábia Saudita).  Na Unicamp, foram realizados os experimentos de absorção transiente ultrarrápida e análises por microscopia eletrônica de transmissão para caracterizar os pontos quânticos. A síntese dos nanocristais e a fabricação dos LEDs foi realizada na Universidade de Toronto, no grupo do professor Edward H. Sargent, onde Yassitepe realizou um estágio de um ano dentro de seu pós-doutorado na Unicamp. “Agradeço à FAPESP- Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior for ter me dado esta oportunidade”, diz Yassitepe.

Gente da comunidade: entrevista com o pesquisador Aloísio Nelmo Klein.


Aloísio Nelmo Klein
Aloísio Nelmo Klein

Aloísio Nelmo Klein nasceu em 5 de dezembro de 1950 em Passo do Faxinal, uma pequena vila povoada por descendentes de alemães localizada no noroeste do Rio Grande do Sul. Nesse ambiente rural, ele desenvolveu, na infância, um gosto especial por resolver problemas técnicos da vida cotidiana, à semelhança do pai. Ainda criança, começou a trabalhar o aço e a construir mecanismos para brinquedos. Aos 14 anos, mudou-se sem a família para a vizinha localidade de Cerro Largo com o objetivo de realizar seus estudos secundários em regime de internato. Em 1969, trasladou-se para Viamão, nos arredores de Porto Alegre, a uns 500 quilômetros da sua querência, depois de passar num concurso para cursar o ensino técnico na concorrida Escola Técnica de Agronomia (ETA). Ali, a Física, Química e Matemática suscitaram-lhe um forte interesse. Formou-se pela ETA no final de 1971.

No ensino superior, Klein formou-se em Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 1976. Pela mesma universidade, tornou-se mestre em Engenharia de Minas, Metalúrgica e de Materiais em 1979. Em 1983, com a defesa de um trabalho da área de metalurgia do pó e materiais sinterizados, ele obteve o título de doutor em Engenharia pela Universidade Técnica de Karlsruhe (Alemanha), hoje Instituto de Tecnologia de Karlsruhe (KIT).

Desde 1979, Klein é professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), localizada em Florianópolis. Nessa instituição, ele foi um dos líderes da introdução da Ciência e Engenharia de Materiais. Desde 1984, ele coordena o Laboratório de Materiais (LabMat), um espaço multidisciplinar destacado, principalmente, por seus trabalhos de pesquisa e desenvolvimento realizados junto a empresas. Contando com a equipe e infraestrutura consolidadas em torno do LabMat, Klein liderou a criação e foi o primeiro coordenador do programa de pós-graduação em Ciência e Engenharia de Materiais (PGMAT) da UFSC, que forma mestres e doutores desde 1994, e do curso de graduação em Engenharia de Materiais da UFSC, que iniciou suas atividades em 1999.

Ao longo de sua carreira, Klein fez relevantes contribuições ao desenvolvimento de equipamentos e processos para fabricação de materiais a partir de pós e para aplicações de tecnologias a plasma, sendo que alguns desses desenvolvimentos foram introduzidos com sucesso no mercado por meio de parcerias com empresas.

Klein tem participado ativamente da SBPMat desde seus inícios. Ele fez parte da comissão encarregada de criar a sociedade em 2001, foi diretor científico em duas oportunidades (2004-2005 e 2010-2011) e membro do Conselho Deliberativo e foi coordenador dos encontros anuais da sociedade de 2006 e 2012, ambos realizados em Florianópolis.

O pesquisador também participou da criação, ocorrida em 1993, e da governança, do Centro Cerâmico do Brasil (CCB), dedicado à certificação da qualidade de produtos cerâmicos.

Bolsista de produtividade do CNPq em nível 1 A, o professor Aloísio Klein é autor de mais de 60 pedidos de patente depositados em escritórios do Brasil, Europa, Estados Unidos, China, Coreia do Sul, Japão, Taiwan, Singapura e Austrália, sendo que pelo menos 8 dessas patentes já foram concedidas (as outras estão sendo examinadas). De acordo com os dados da base SCOPUS, Klein também é autor de mais de 130 artigos publicados, os quais contam com mais de 700 citações.

Quanto à formação de recursos humanos, o professor já orientou 41 estudantes de mestrado e 27 de doutorado, além de dezenas de trabalhos de graduação e pós-doutorado, e intermediou a ida de mais de 100 estudantes da UFSC ao exterior para a realização de estágios, intercâmbios e cursos de pós-graduação.

Seu trabalho já foi distinguido com prêmios da Finep, Associação Brasileira de Cerâmica, Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais e UFSC, entre outras entidades.

Segue uma entrevista com o pesquisador.

Boletim da SBPMat: – Conte-nos o que o levou a se tornar um cientista e a trabalhar na área de Materiais.

Aloísio Klein: – A área técnica sempre me atraiu, uma vez que meu pai, embora sem formação superior, gostava muito de resolver problemas técnicos e arrumar coisas que não estavam funcionando, incluído relógios, instrumentos musicais, armas, carros, tratores, ferramentas agrícolas etc. Ainda criança comecei a me interessar e ajudar um pouco nisso. Ajudava a fazer brinquedos como carrinhos de lomba diferentes, possuindo, por exemplo, direção, freio, molas para amortecimento e um sistema de alavancas para tracionar, coisas que há 55 anos não existiam. Já antes de entrar no primário, ajudava a fazer molas helicoidais para brinquedos, enrolando o arame de aço, temperando e revenindo no fogo, envolto por carvão. A leitura da temperatura era feita pela cor do objeto aquecido. Aos 14 anos entrei no então chamado Seminário São Jose, em Cerro Largo (RS), em regime de internato, onde fiquei 5,5 anos. Era um excelente colégio, os professores eram bem preparados. Os princípios e valores que havia adquirido na minha família e na localidade onde nasci e me criei, foram ainda reforçados no Seminário e os conservo até hoje. Algumas coisas adicionais aprendi no internato, que foram muito importantes no futuro: conviver em grupo e saber dividir, mesmo tendo pouco; ajudar a quem precisa etc. Além disso, as aulas de grego e latim me deram a oportunidade de aprender a me expressar bem por escrito e oralmente. Na realidade, nunca me arrependi de ter estudado lá, pois aprendi a manter a humildade e saber lidar no ambiente de trabalho. Acho que a vida em internato ajuda a desenvolver a capacidade de conviver em grupo e entender cedo que isto é importante. Depois de sair do Seminário fui estudar na ETA (Escola Técnica de Agronomia) no município de Viamão (RS). Esta era uma escola estadual, onde se podia morar (internato) e estudar gratuitamente, motivo pelo qual me motivei a prestar concurso e ir estudar lá. A ETA era uma escola pública muito disputada (assim como a maioria das escolas públicas na época!). Havia aproximadamente 20 candidatos por vaga em 1969, quando ingressei.  Os anos que passei na ETA foram excelentes. No entanto, as disciplinas que mais me interessaram lá, não foram as relacionadas a Agronomia, mas foi Física, Química e Matemática. Me formei na ETA em dezembro de 1971 e, em março de 1972, comecei o curso de Física no Instituto de Física na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).  Me formei em dezembro de 1976 e iniciei mestrado no programa de pós-graduação em Engenharia de Minas, Metalurgia e Materiais da UFRGS em março de 1977, o qual conclui, com a defesa da dissertação, em janeiro de 1979. Já no dia 5 de fevereiro de 1979 fui contratado professor pelo Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ainda em novembro de 1979 fui para Karlsruhe, Alemanha, fazer o doutoramento em Materiais, na subárea de Metalurgia do Pó e Materiais Sinterizados. Em agosto de 1983, após a conclusão do doutorado, reassumi minhas funções na UFSC. Já em março de 1984 assumi a coordenação do Laboratório de Materiais (hoje LabMat) e ainda mantenho esta função, a qual deverei passar para meu sucessor, já preparado para isto, assim que me aposentar.

Boletim da SBPMat: – Quais são, na sua própria avaliação, as suas principais contribuições à área de Materiais?

Aloísio Klein: – Ao longo da carreira na UFSC, coordenei muitos projetos de pesquisa, a maioria deles em parceria com empresas. A maior parte dos projetos tinha mais metas tecnológicas do que científicas. Isto não foi por acaso, mas foi por convicção. Sempre estive (e continuo) convencido de que a ciência é uma das principais forças motrizes para o desenvolvimento de uma nação, além da educação e escolas de qualidade. É a partir dos conhecimentos científicos que se desenvolvem novos processos, novas funções de engenharia, novos materiais e outros produtos, ou seja, do conhecimento cientifico resulta a inovação. Assim, estes projetos sempre foram propostos tendo como equipe um grupo maior de pessoas, contendo em torno de 8 a 12 professores (além de alunos e engenheiros) visando integrar as especialidades de conhecimento necessárias ao bom desenvolvimento do projeto. Além de colegas dos departamentos de Engenharia Mecânica, Engenharia Elétrica e Engenharia Química, foram envolvidos professores dos departamentos de Física e Química, resultando em equipe com composição multidisciplinar. No entanto, o projeto só vai bem se a equipe multidisciplinar interage interdisciplinarmente para que ocorra o efeito sinérgico. Não adianta apenas dividir o dinheiro e as tarefas. Este ponto nunca foi muito fácil de administrar. Conseguir isto sempre foi muito mais difícil do a parte técnico-científica, pois uma equipe é formada por pessoas, cada uma com suas particularidades, suas ambições, seus egos etc. Acredito pessoalmente, que aprender a lidar com isto foi muito útil para se chegar ao LabMat que temos hoje na UFSC.

Em função do desenvolvimento de projetos com metas tecnológicas definidas, muitas patentes de invenção foram obtidas ao longo dos últimos 30 anos, hoje constando no meu currículo, somando aproximadamente 65 cartas de patente, tanto de processos como de produtos (novos componentes, materiais e equipamentos). Além das patentes, sou também autor/coautor de 135 artigos internacionais em revistas e 203 artigos em Anais de Congressos. Orientei em torno de 64 alunos de IC, 41 alunos de mestrado, 27 alunos de doutorado e 20 bolsistas de pós-doc.

Além disso, liderei a criação do curso de pós-graduação em Ciência e Engenharia de Materiais (PGMAT) que iniciou suas atividades em 1994, hoje nota 6 na Capes, e o curso de graduação em Engenharia de Materiais, que iniciou suas atividades em 1999, hoje nota máxima na Capes. Na realidade, sucesso é trabalho e, em 2010, em sinal de reconhecimento, recebi o prêmio de pesquisador destaque do Centro Tecnológico da UFSC.

Acho que minhas contribuições principais (em geral com a participação de orientandos de doutorado ou mestrado) são relacionadas ao desenvolvimento de processos e novos materiais e equipamentos como:  a) Projeto conceitual do processo de extração de ligantes orgânicos e sinterização assistidas por plasma DC de componentes produzidos via moldagem de pós por injeção. Em inglês denominado “Plasma Assisted Debinding and Sintering – PADS”. b) Projeto conceitual do Reator de Plasma Hibrido. Este reator, além do sistema anodo-catodo para abrir a descarga elétrica, possui um conjunto de resistências elétricas para manter o comando do ciclo térmico independente da energia utilizada no plasma. Assim, a energia dos íons e elétrons no ambiente de plasma pode ser ajustada para assistir as reações de interesse, enquanto que o calor adicional necessário para cumprir o ciclo térmico programado é suprido pelo sistema de aquecimento resistivo. A convivência destes dois sistemas no mesmo ambiente, sem que ocorra abertura de descarga elétrica nas resistências elétricas, é de fundamental importância. Isto (ciclo térmico não dependente da energia do plasma) passou a permitir um grande avanço na utilização de plasma para assistir diversos processos, como tratamentos termoquímicos e metalúrgicos, incluindo o processamento de materiais a partir de pós (metalurgia do pó e processamento cerâmico). c) Projeto conceitual de equipamento de nitretação a plasma que permite a limpeza de resíduos orgânicos e a sua nitretação no mesmo ciclo térmico, por exemplo, utilizável para peças contendo resíduos de óleo, como peças sinterizadas após a sua calibração e peças usinadas. d) A geração “in situ” de fases de interesse na metalurgia do pó, como a geração de grafita turbostrática a partir da dissociação de carbonetos em aço sinterizado, levando ao desenvolvimento de novos tipos de aços sinterizados autolubrificantes a seco.  e) Desenvolvimento de novos tipos de metal duro sem cobalto, nos quais como fase ligante metálica utiliza-se ligas de níquel geradas “in situ” durante a sinterização. f) O esforço constante em integrar equipes multidisciplinares e de trabalhar em parceria com o setor produtivo em meus projetos. A parceria com a EMBRACO, por exemplo vem acontecendo ininterruptamente ao longo de 28 anos e certamente vai ter continuidade após minha aposentadoria, pois o sucessor está completamente engajado nesta parceria.

Considero ainda importante mencionar a intensa participação em comitês de análise e outras atividades que são importantes para o desenvolvimento da área de ciência e tecnologia, como: 1) Membro (1989 a 1995) do grupo técnico do subprograma de novos materiais do PADCTII (MCT/FINEP/CNPq); 2) Duas vezes membro do CA-MM – Comitê Assessor de Minas, Metalurgia e Materiais do CNPq (1997 a 1999) e (2007 a 2009); 3) Membro (1997 a 2001) do grupo técnico em Ciências e Engenharia de Materiais (CEMAT) do subprograma de novos materiais do PADCT III do Ministério de Ciência e Tecnologia;  4) Membro da comissão de avaliação e acompanhamento do programa PRONEX / MCT (1998 a 2003); 5) Membro (2007 a 2010) do grupo de estudos do CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos) – Estudo prospectivo em Materiais;  6) Membro do comitê de avaliação dos cursos de pós- graduação da área de Materiais. Trienal 2010 – CAPES; 7) Um total de 32 palestras convidadas ao longo da carreira de pesquisador (em empresas, congressos e instituições de pesquisa); 8) Consegui enviar mais de 100 estudantes para o exterior (graduação, mestrado e doutorado) para a realização de estágios, intercâmbios, mestrado e doutorado; 9) Consultor ad hoc, principalmente das agências de fomento CNPq, CAPES, FINEP, FAPESC e DAAD (Alemanha); 10) Participei da criação e fui membro titular do conselho deliberativo do CCB (Centro Cerâmico do Brasil) de 1993 a 2003; 11) Fui vice presidente do Centro Cerâmico do Brasil de 1996 a 2001; 12) Participei da criação do CTC (Centro de Cerâmica de Criciuma, hoje chamado CTCmat); 13) Liderei a criação (1994) e fui o primeiro coordenador do programa de pós-graduação em Ciência e Engenharia de Materiais da UFSC ( PGMAT); 14) Liderei a criação (1999) e fui o primeiro coordenador do curso de graduação em Engenharia de Materiais da UFSC.

Boletim da SBPMat: – Deixe uma mensagem para os leitores que estão iniciando suas carreiras científicas.

Aloísio Klein: – A profissão de pesquisador é possivelmente a melhor profissão do mundo. Quando temos ideias, a sociedade aprova recursos para que possamos desenvolver nossas ideias. Mesmo quando uma ideia não deu certo, avançamos bastante e podemos reformular a ideia com os conhecimentos adquiridos. O ambiente onde trabalhamos é um ambiente muito bom. Tem muita gente inteligente e muita gente jovem seleta e inteligente, cheia de entusiasmo. Quando temos uma ideia boa, logo temos uma porção de pessoas dispostas a participar do desenvolvimento da mesma. Nunca estamos sozinhos. Quando vamos a um congresso, encontramos também um grupo de pessoas bem seleto, onde é possível trocar ideias em alto nível, não só com as pessoas seniores na área, mas também com as pessoas jovens muito criativas e inteligentes. Nenhuma pessoa jovem pouco competente é financiada para ir a um congresso.

Aberta a submissão de candidaturas ao “Young Researcher Award”, que distinguirá pós-docs da SBPMat.


YRA-2017Está aberta, até 31 de março, a submissão de candidaturas para o “Young Researcher Award 2017”. O prêmio, lançado pela SBPMat, conta neste ano com a parceria da E-MRS (Sociedade Europeia de Pesquisa em Materiais).

Podem se candidatar bolsistas de pós-doutorado, sócios da SBPMat com anuidade em dia, que tenham defendido seus doutorados a partir de 2010. Até quatro pós-docs serão selecionados. Os vencedores serão anunciados no dia 15 de maio.

Os ganhadores do prêmio participarão, com despesas de estadia pagas, de dois eventos internacionais cuja participação ocorre apenas por convite: “Forum for the Next Generation of Researchers 2017” (Estrasburgo, França, 18-19 de novembro de 2017) e “6th World Materials Summit” (Estrasburgo, França, 20-21 de novembro de 2017).

No fórum para a próxima geração de pesquisadores, os ganhadores do prêmio da SBPMat farão parte de um seleto grupo internacional de jovens pesquisadores que interagirão entre si e com cientistas seniores mundialmente renomados. A programação inclui atividades desenvolvidas em duplas de jovens pesquisadores de países diferentes, apresentação de pôsteres dos jovens e palestras dos cientistas seniores.

A cúpula mundial de Materiais é um evento que reúne, além dos jovens pesquisadores, representantes da ciência, dos negócios e da política, convidados pela organização do evento para discutir desafios sociais e econômicos que a Ciência e Tecnologia de Materiais pode ajudar a resolver. O tema desta edição será “inovação em materiais para a economia mundial e para uma sociedade sustentável”.

Mais informações sobre o prêmio, no edital, disponível aqui.

Informações sobre como pagar a anuidade 2017 da SBPMat e as vantagens e motivos para se associar, aqui.

Isenção de taxa de inscrição do Encontro da E-MRS para estudantes da SBPMat: lista dos selecionados.


No contexto de um acordo entre a SBPMat e a E-MRS (Sociedade Europeia de Pesquisa em Materiais), os seguintes estudantes, sócios da SBPMat, foram selecionados para receberem isenção na inscrição do E-MRS 2017 Spring Meeting (Estrasburgo, França, 22 a 26 de maio de 2017), em processo seletivo cujas candidaturas foram recebidas até 31 de janeiro:

  • Fábio Baum (estudante de doutorado em Ciência dos Materiais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, RS)
  • Leonardo Mathias Leidens (estudante de graduação em Engenharia Química da Universidade de Caxias do Sul, RS)
  • Luciana Daniele Trino (estudante de doutorado em Ciência e Tecnologia de Materiais da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, SP)
  • Navadeep Shrivastava (estudante de doutorado em Física, Universidade Federal do Maranhão, MA).

A SBPMat parabeniza os selecionados e lhes deseja um ótimo evento.

vencedores da isenção
A partir da esquerda do leitor: Fábio Baum (UFRGS), Leonardo Mathias Leidens (UCS), Luciana Daniele Trino (UNESP) e Navadeep Shrivastava (UFMA).

Oportunidades para pesquisadores no CNPEM.


Vaga 97582

Localização: Laboratório LNNano localizado em Campinas/ São Paulo, Brasil.

Posição: CLT

Departamento: Caracterização Process. Metais – CPM

Atividades envolvidas: Participará no desenvolvimento de projetos de pesquisa fundamental e aplicada, em particular, projetos com parceiros industriais envolvendo o processo de soldagem por atrito (friction stir welding – FSW). Compreendem atividades a serem desenvolvidas: Planejamento e avaliação de experimentos de soldagem, caracterização metalúrgica de materiais (microscopia óptica e eletrônica de varredura, dureza, etc.), ensaios mecânicos (tração, dobramento, Charpy, CTOD); gerenciamento de projetos de pesquisa (reuniões com parceiros, cronogramas, acompanhamento financeiro, etc.). Também está compreendida a prospecção de novos projetos em parceria com empresas e/ou agências de fomento, a manutenção e melhoria das instalações laboratoriais, a divulgação de resultados de pesquisa em periódicos e congressos e a supervisão de estagiários, alunos e funcionários.

Requisitos:

  • Graduação em Engenharia de Materiais, Metalúrgica ou Mecânica.
  • Possuir doutorado.
  • Sólida experiência em caracterização de materiais, com metalurgia de soldagem.
  • Conhecimento em microscopia eletrônica de varredura.
  • Residir em Campinas ou região.

Interessados, favor enviar CV e histórico escolar para mariana.stevanatto@cnpem.br no campo assunto, colocar “Vaga 97582”, caso contrário o CV será desconsiderado.


Vaga 96150

Localização: Laboratório CTBE localizado em Campinas/ São Paulo, Brasil.

Posição: CLT

Departamento: Divisão de produção de biomassa-prod

Atividades envolvidas: Atuará na parte industrial do projeto sucre, com destaque para a área de queima de biomassa em caldeiras para a geração de energia elétrica. Visitará Usinas do projeto Sucre, avaliará a qualidade das caldeiras, rendimentos operacionais, manutenção e indicadores de desempenho da produção de eletricidade.

Requisitos

  • Graduação em Engenharia Mecânica.
  • Desejável possuir mestrado ou doutorado.
  • Sólida experiência em rota termoquímica.
  • Residir em Campinas ou região.

Interessados, favor enviar CV e histórico escolar para mariana.stevanatto@cnpem.br no campo assunto, colocar “96150”, caso contrário o CV será desconsiderado.