Sócios da SBPMat nomeados editores de periódicos científicos internacionais.


Prof. Novais de Oliveira Jr (esquerda), editor associado da ACS Appl. Mater. Interfaces, com o editor-chefe, Prof. Schanze no XVI B-MRS Meeting.
Prof. Novais de Oliveira Jr (esquerda), editor associado da ACS Appl. Mater. Interfaces, com o editor-chefe, Prof. Schanze no XVI B-MRS Meeting.

O presidente da SBPMat, Osvaldo Novais de Oliveira Junior, é o mais novo editor associado da ACS Applied Materials and Interfaces, periódico da ACS Publications com fator de impacto de 7,504. O professor titular do IFSC – USP (Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo) assumiu a função no início de setembro. Na SBPMat, Oliveira Junior já foi diretor administrativo e conselheiro, e preside a sociedade desde início de 2016.

A revista Solar Energy (fator de impacto 4,018) também incorporou recentemente um membro da SBPMat entre seus editores. Trata-se de Carlos Frederico de Oliveira Graeff, professor titular e pró-reitor de pesquisa da Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho). Graeff foi nomeado editor associado na área de Fotovoltaicos nesse periódico da editora Elsevier. Sócio da SBPMat desde sua fundação, Graeff foi diretor científico da sociedade e atuou no comitê científico do Boletim da SBPMat.

Finalmente, Carlos José Leopoldo Constantino, também professor da Unesp e membro da comunidade da SBPMat, assumiu em julho deste ano como editor associado na área de Nanomateriais do periódico Journal of Nanoscience and Nanotechnology (fator de impacto 1,483), da American Scientific Publishers.

Prof. Graeff (esquerda) e Constantino, nomeados editores associados de revistas internacionais.
Prof. Graeff (esquerda) e Constantino, nomeados editores associados de revistas internacionais.

SBPMat na Assembleia Geral da IUMRS no Japão.


Participantes da assembleia geral da IUMRS. Prof. Bianchi (SBPMat) é o sexto em pé a partir da esquerda.
Participantes da assembleia geral da IUMRS. Prof. Bianchi (SBPMat) é o sexto em pé a partir da esquerda.

O professor Rodrigo Fernando Bianchi (UFOP), diretor científico da SBPMat, representou a sociedade na Assembleia Geral da IUMRS (União Internacional de Sociedades de Pesquisa em Materiais), realizada em 27 de agosto de 2017 na cidade de Kyoto (Japão) durante o evento IUMRS-ICAM 2017 (décima quinta edição da Conferência Internacional de Materiais Avançados).

A SBPMat é uma das quatorze sociedades de pesquisa em Materiais do mundo que compõem atualmente a IUMRS. As outras são as sociedades da África, Austrália, China, Cingapura, Coreia, Europa, Índia, Indonésia, Japão, México, Rússia, Tailândia e Taiwan. De acordo com Bianchi, na reunião ficou claro o interesse de diversas associações em colaborar com o Brasil.

Além de representar a SBPMat na reunião, o professor Bianchi apresentou, na IUMRS-ICAM 2017, trabalhos de seu grupo de pesquisa voltados ao desenvolvimento de sensores de radiação impressos.

Dentro da programação do evento, que contou com cerca de 1.900 participantes de dezenas de países, o que mais chamou a atenção do diretor científico da SBPMat foram as apresentações sobre aplicação da ciência e das técnicas de caracterização de materiais na conservação de recursos culturais (pinturas, monumentos etc). “Ou seja, a valorização cultural dentro da área de materiais – algo de grande importância para a conservação de patrimônio artístico, histórico e cultural de um país, e que está no contexto de Kyoto, capital cultural do Japão. O Brasil poderia seguir a mesma tendência! ”, disse Bianchi.

No evento, o professor Ado Jorio (UFMG), também membro da comunidade brasileira de Materiais, proferiu uma palestra plenária sobre espalhamento inelástico da luz em nanoestruturas de carbono.

Prof. Victor Pandolfelli (DEMa – UFSCar) eleito membro honorário da Sociedade Europeia de Cerâmica.


Cerimônia de entrega do título de Honorary Fellow da European Ceramic Society (ECerS), no jantar de encerramento da "15th Conference and Exhibition of the ECerS", em Budapeste. Pandolfelli é o terceiro a partir da esquerda.
Cerimônia de entrega do título de Honorary Fellow da European Ceramic Society (ECerS), no jantar de encerramento da “15th Conference and Exhibition of the ECerS”, em Budapeste. Pandolfelli é o terceiro a partir da esquerda.

O professor Victor Carlos Pandolfelli, do Departamento de Engenharia de Materiais da Universidade Federal de São Carlos (DEMa-UFSCar) foi eleito membro honorário (Honorary Fellow) da European Ceramic Society (ECerS). O estatuto dessa sociedade determina que apenas cientistas da Comunidade Europeia podem ser eleitos membros. Para que pesquisadores de outras regiões também pudessem ser reconhecidos pela sua contribuição científica na área de materiais cerâmicos, criou-se em 2017 o título de Honorary Fellow.  Neste primeiro processo seletivo que ocorreu por votação interna do Conselho da ECerS, sem conhecimento dos candidatos, o professor Victor Carlos Pandolfelli do departamento de Engenharia de Materiais da UFSCar foi o primeiro latino-americano escolhido para esta honraria. Constaram também da lista dos membros honorários o professor Gary Messing (Penn State, EUA), o doutor M. Singh (NASA, EUA) e o professor M. Yoshimura (Instituto de Tecnologia de Tóquio, Japão, e Universidade de Taiwan).

 

 

 

Boletim da SBPMat – edição especial sobre o XVI Encontro da SBPMat.


 

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Boletim da
Sociedade Brasileira
de Pesquisa em Materiais

Edição nº 61. 30 de setembro de 2017.

Edição especial sobre o XVI Encontro da SBPMat

Gramado (RS), 10 a 14 de setembro de 2017

Em números

Participantes
– Cerca de 1.400 participantes.
– 26 países representados.
– 92,7% dos inscritos do Brasil (das 5 regiões do país e de 22 estados); 2,4% da América Latina e 4,9% de outros países.
– 58% estudantes: 41% de pós-graduação e 17% de graduação.
– Cerca de 52 % homens e 48% mulheres.

Apresentações
– Mais de 1.900 trabalhos aprovados (76% para apresentação em pôsteres), dentro de 22 simpósios.
– 7 palestras plenárias e 1 palestra memorial, 13 palestras técnicas de empresas, 1 tutorial e 1 workshop.
– 15 salas para apresentações orais simultâneas (mais de 300 apresentações orais).
– 25 expositores.

Prêmios
– 20 estudantes receberam distinções da ACS, E-MRS, IUMRS e SBPMat.

gramado

Reportagem multimídia

Saiba ou relembre como foi o evento, por meio de um relato permeado de fotos e arquivos de apresentações. Aqui.

reportagem

Instantâneas

Durante o encontro, postamos em nosso recém-inaugurado Instagram as imagens e comentários de alguns dos principais momentos do evento. Se não viu, veja aqui.

instagram

Álbum

Fotos dos estudantes premiados, fotos de grupo de coordenadores e organizadores e algumas outras imagens que talvez você queira baixar, no Google Fotos. Aqui.

album

Apresentações

Acesse, no Slideshare da SBPMat, os arquivos das apresentações das sessões de abertura, plenárias e de encerramento que foram cedidos por seus autores. Aqui.

slideshare

XVII Encontro da SBPMat

Pode agendar! O próximo evento anual da SBPMat será na cidade de Natal (RN), no Centro de Convenções do Hotel Praiamar, de 16 a 20 de setembro de 2018, e o chair será o professor Antonio Eduardo Martinelli (UFRN). Mais informações, em breve, nos canais da SBPMat.

natal

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XVI Encontro da SBPMat: relatório multimídia.


Domingo. Tutorial, abertura, palestra memorial e coquetel.

“Conseguimos”. Com essa palavra (na verdade, com seu equivalente em inglês “we made it”), o presidente da SBPMat abriu o décimo sexto encontro anual da sociedade, por volta das 19 horas do domingo 10 de setembro de 2017. O professor Osvaldo Novais de Oliveira Junior (IFSC-USP) estava se referindo às dificuldades vividas não apenas pelos organizadores do evento como também pelo conjunto da comunidade científica brasileira, num ano que registrou o orçamento para ciência e tecnologia proporcionalmente mais baixo da história do país.

Contrastando com essa conjuntura, a sala onde ocorria a abertura do XVI B-MRS Meeting, no centro de eventos da FAURGS, na cidade de Gramado (RS), estava praticamente cheia. Umas 900 pessoas estavam prestigiando a cerimônia. No palco, a mesa de abertura reunia representantes de sociedades de pesquisa em Materiais da América Latina, Ásia e Europa, bem como da União Internacional de Sociedades de Pesquisa em Materiais (IUMRS). A composição da mesa antecipava um ponto que seria frisado pouco depois na palestra de abertura e, ao longo do evento, em várias plenárias: a importância da colaboração científica, não apenas entre diferentes áreas, mas também entre países, como fonte de ideias, recursos e competências.

aberturaComposição da mesa de abertura, a partir da esquerda: Robert Chang (secretário geral da IUMRS), Hyeongtag Jeon (presidente da Sociedade de Pesquisa em Materiais da Coreia), Claudia Gutiérrez (presidente da Sociedade Mexicana de Materiais, SMM), Daniel Eduardo Weibel (chairman do evento), Osvaldo Novais de Oliveira Jr (presidente da SBPMat), Soo Wohn Lee (presidente da União Internacional de Sociedades de Pesquisa em Materiais, IUMRS), Roberto Arce (presidente da Sociedade Argentina de Materiais, SAM), Luis da Cunha Lamb (pró-reitor de pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS) e Rodrigo Martins (representante da Sociedade Europeia de Pesquisa em Materiais, E-MRS).

Depois das boas-vindas, votos de bom evento e agradecimentos proferidos pelo chair do encontro, o professor Daniel Weibel (IQ-UFRGS), chegou a hora da tradicional Memorial Lecture “Joaquim da Costa Ribeiro”. Essa palestra, que, por meio do nome, homenageia e mantém viva a memória de um dos pioneiros da pesquisa em Materiais brasileira, é uma distinção outorgada anualmente pela SBPMat a pesquisadores de trajetória destacada na área.

Prof. Jornada (no centro) recebeu distinção da SBPMat. À esquerda, o chairman do encontro e, à direita, o presidente da SBPMat.
Prof. Jornada (no centro) recebeu distinção da SBPMat. À esquerda, o chairman do encontro e, à direita, o presidente da SBPMat.

Foi então chamado ao palco o palestrante da noite, João Alziro Herz da Jornada, que, entre muitos outros cargos que desempenhou, foi professor da UFRGS e presidente do Inmetro. O renomado cientista gaúcho tocou num assunto de especial relevância em tempos de cortes às verbas de ciência e tecnologia, a relação entre a ciência, por um lado, e a inovação e a melhor qualidade de vida das pessoas, pelo outro. Por meio de cópias de reportagens recentemente publicadas em alguns dos mais renomados jornais e revistas do mundo, Jornada mostrou que essa discussão já é objeto de intenso e aprofundado debate. O professor aposentado apresentou alguns modelos que esquematizam essa relação, seja de modo algo simplista, quer de uma forma menos linear e mais complexa e realista. O cientista homenageado destacou alguns fatores extra científicos importantes para a inovação tecnológica acontecer: a capacidade de absorção de conhecimento por parte da sociedade, o conhecimento prático tipo “learn by doing” na figura do empreendedor, a possibilidade de o empreendedor acessar facilmente o conhecimento tecnológico, a comunicação e interação entre diversos agentes. Para finalizar, Jornada convidou todos os pesquisadores a fazerem um esforço por compreenderem de modo sistemático e objetivo a relação entre ciência e bem-estar da sociedade, e, dessa maneira, se prepararem para o debate sobre impacto social e econômico da ciência que já está ocorrendo entre o grande público.

Na saída da palestra, o coquetel de boas-vindas aguardava os participantes. Amigos e colaboradores da comunidade internacional de pesquisa em Materiais se reencontraram e confraternizaram em torno de uma verdadeira janta, com carne, risoto e massa, além de cerveja e bebidas sem álcool.

ciquetel final
Coquetel de boas-vindas, domingo à noite no centro de convenções.
Tutorial com prof. Valtencir Zucolotto.
Tutorial com prof. Valtencir Zucolotto.

Algumas horas antes, nas ruas de Gramado, sob uma temperatura de cerca de 30 °C (acima da média para um fim de inverno a mais de 800 m de altitude), o sol brilhava e as flores da charmosa cidade pareciam ainda mais vistosas. Enquanto isso, das 13:30 às 17:30 horas, no centro de eventos da FAURGS, mais de 200 pessoas aproveitavam um tutorial sobre artigos científicos de alto impacto, oferecido gratuitamente aos participantes do XVI B-MRS Meeting. No tutorial, o professor Valtencir Zucolotto (IFSC-USP), pesquisador da área de Materiais e criador de cursos online sobre escrita científica e temas afins, abordou de modo interativo, descontraído e bem-humorado o processo de produção de um paper de alto impacto, desde a escrita até a publicação num periódico.  “Ficou clara a preocupação do público de conciliar pesquisa de alto nível com dificuldades no financiamento”, comentou Zucolotto. Antes de sortear entre os participantes dois vales para realizar sem custo um curso online gratuito da plataforma criada por ele, Zucolotto encerrou o tutorial encorajando os presentes a fazerem pesquisa de alto impacto. “É difícil, sim, mas com empenho fica menos difícil. Não podem desanimar; não há nada mais legal do que ver um artigo seu publicado, divulgado e citado”, disse o cientista.

O domingo foi ensolarado e quente em Gramado.
O domingo foi ensolarado e quente em Gramado.

Segunda a quinta-feira: plenárias, simpósios, reuniões e festa.

Na manhã seguinte, cerca das 8:30 horas, a sala principal do evento recebeu cerca de 600 participantes para assistir à primeira das sete plenárias do encontro, todas marcadas por maciça assistência dos participantes do evento e várias perguntas no final das palestras.

Prof. Hajo Freund
Prof. Hajo Freund

Na primeira das plenárias, o professor Hans-Joachim Freund deu um exemplo de como escalas diminutas podem apresentar uma complexidade gigante, e como lidar com isso. Esse cientista de índice h=97 dividiu seu vasto e profundo conhecimento sobre catálise heterogênea (aquela em que a fase do material catalisador é diferente da fase dos reagentes; por exemplo, nanopartículas catalisadoras em reações envolvendo gases). O plenarista captou e manteve a atenção do público ao compartilhar alguns dos estudos sobre o tema que vem sendo realizados num instituto de pesquisa de Berlim dedicado ao estudo de superfícies e interfaces, o Fritz-Haber-Institut der Max-Planck-Gesellschaft, do qual Freund é diretor. Como os catalisadores são materiais muito complexos, disse Freund, para compreendê-los na escala atômica, seu grupo de pesquisa cria séries de sistemas-modelo de crescente complexidade e crescente semelhança com os catalisadores reais. Utilizando instrumentação, métodos computacionais e conhecimento avançado da ciência de superfícies em cima desses sistemas, o grupo consegue resolver passo-a-passo os diversos problemas científicos envolvidos na compreensão dos catalisadores e, em consequência, desenvolver catalisadores mais reativos. Apesar de ter a equipe inteira do departamento de Físico-Química (que já contou com 80 pessoas e hoje tem umas 35) alocada no estudo da catálise heterogênea, o professor Freund brincou que ainda tem muito trabalho pela frente e que, para dar conta de tamanha complexidade, precisaria de uns 200 pesquisadores!

Depois da palestra de “Hajo” Freund, os participantes se distribuíram entre as 15 salas com programação simultânea, destinadas às apresentações orais dos 22 simpósios – uma rotina que se repetiu ao longo do encontro durante as manhãs e no início das tardes. Quase 2.000 trabalhos foram submetidos aos simpósios do XVI B-MRS Meeting, dos quais 1.919 foram aprovados para apresentação nas sessões orais e de pôsteres. Os simpósios abrangeram um amplo leque de temas de pesquisa em Materiais, desde o estudo, fabricação e modificação de diversos materiais (polímeros, metais, compósitos, hidrogéis, nanomateriais, biomateriais) até seu uso nos segmentos de energia, aeronáutica, saúde, eletrônica, bioeletrônica, fotônica, plasmônica, fotocatálise e outros. O impacto ambiental da fabricação e a segurança do uso de alguns materiais também foram abordados nos simpósios.

Apresentações orais e palestras convidadas dos simpósios contaram com muito boa assistência (esquerda). Coordenadores de simpósio, provenientes das cinco regiões brasileiras e de vários outros países, como Argentina, Canadá, Espanha, Estados Unidos, Portugal e Reino Unido.
Apresentações orais e palestras convidadas dos simpósios contaram com muito boa assistência (esquerda).
À direita, coordenadores de simpósio, provenientes das cinco regiões brasileiras e de vários outros países como Argentina, Canadá, Espanha, Estados Unidos, Portugal e Reino Unido.

No final das sessões orais dessa manhã, assim como nos demais dias do evento, as centenas de participantes, muitos deles, em pequenos grupos, saíram pelas pitorescas ruas de Gramado em busca de restaurantes onde almoçar. Uma busca nada difícil nessa pequena cidade principalmente voltada ao turismo, que concentra em poucas quadras dezenas de restaurantes de qualidade, de tipos e preços diversos, com especialidades da culinária internacional – desde massas italianas e joelho de porco alemão, até fondue, truta e sopas.

Graças à boa localização do centro de convenções, às 14 horas os participantes estavam de volta para o início das sessões orais da tarde, seguidas de um coffee break tão farto quanto o da manhã, que sustentava os participantes até o final da programação do dia, perto das 19:30 horas. O momento dos intervalos para o café foram também os de maior movimentação nos estandes dos 25 expositores que participaram do XVI B-MRS Meeting, distribuídos a ambos os lados das mesas do coffee break.

Na feira de expositores do segmento de instrumentação científica houve troca de contatos, informações, pequenos treinamentos, brindes e até um sorteio.
Na feira de expositores do segmento de instrumentação científica houve troca de contatos, informações, pequenos treinamentos, brindes e até um sorteio.

Também no início da tarde, no contexto do workshop sobre desenvolvimento sustentável de materiais para energia, eletrônica e transporte, foi realizada uma reunião sobre possibilidades de interação universidade-empresa. A reunião contou com a presença de um representante do Umicore, grupo empresarial multinacional de tecnologia de materiais e reciclagem; um empreendedor criador da startup Develop Now, localizada na cidade paulista de São Carlos, e pesquisadores de áreas afins ao desenvolvimento sustentável, além do chair do evento e autoridades da SBPMat e da IUMRS.

Prof. Alexander Yarin
Prof. Alexander Yarin

Às 16:45 horas iniciou a plenária da tarde, a qual, na segunda-feira, foi proferida pelo professor Alexander Yarin, da University of Illinois at Chicago. Depois de destacar que o Brasil é um país líder em materiais derivados de resíduos agropecuários, o cientista mostrou que resíduos provenientes da agricultura e da pesca podem ser aproveitados para produzir biopolímeros e, com eles, fabricar nanomateriais que podem ser utilizados numa variedade de aplicações de impacto social. Em seu laboratório, Yarin já conseguiu produzir nanofibras, algumas delas com propriedades mecânicas muito boas, a partir de proteína de soja, celulose, glúten, componentes da madeira e proteína de peixe, entre outros resíduos. Atualmente, o cientista e sua equipe desenvolvem um projeto para utilizar o bagaço da cana-de-açúcar. O método utilizado por Yarin é a fiação por sopro em solução, na qual um jato de biopolímero em solução é “soprado” por um jato de ar coaxial. Na interação entre ambos os jatos, o solvente se evapora e o biopolímero adquire um formato esticado e fino. Dessa maneira, formam-se nanofibras secas que caem sobre uma superfície compondo um emaranhado, o qual pode ser apresentado finalmente como algo similar a um rolo de fino papel. O processo pode ser levado facilmente à escala industrial, disse Yarin. O cientista também mostrou algumas aplicações já demonstradas de suas nanofibras, como as membranas que protegem videiras do fungo esca, responsável por milionárias perdas em safras de uva ao redor do mundo. Outra aplicação mencionada foi a adsorção de íons de metais pesados de águas contaminadas, problema que ocorre, por exemplo, na Índia. Yarin encerrou sua apresentação comparando seus poderosos nanomateriais verdes ao Pelé, de quem se declarou admirador.

A programação do dia finalizou com uma animada sessão de pôsteres. Nas três sessões que ocorreram sempre no final da tarde ao longo do evento, boa parte dos mais de 1.400 trabalhos aprovados para apresentação em forma de pôster foram exibidos e discutidos. Mais uma vez, o evento disponibilizou um código QR para cada pôster e um leitor do código no aplicativo do evento (o qual, diga-se de passagem, foi baixado em 378 dispositivos móveis de participantes). Ao posicionar o celular frente ao código impresso no pôster, o participante podia acessar e salvar os dados do trabalho que tinha chamado sua atenção.

Sessões de pôsteres ocorreram no final da tarde na segunda, terça e quarta-feira.
Sessões de pôsteres ocorreram no final da tarde na segunda, terça e quarta-feira.

Nessa noite, o ar foi ficando mais frio e úmido em Gramado. Na manhã seguinte, com temperaturas em torno dos 13°C, os participantes tiveram que vestir casaco de inverno ou de chuva para se deslocarem até o centro de convenções. A “cerração” (designação popular de “nevoeiro”) típica do inverno na Serra Gaúcha tinha tomado conta da paisagem e impedia totalmente a visibilidade a mais de 50 metros de distância.

Na terça. Gramado acordou no meio da cerração.
Na terça, Gramado acordou na cerração.
Prof. Katsuhiko Ariga
Prof. Katsuhiko Ariga

Dentro do centro de convenções, o clima era outro. O professor Katsuhiko Ariga (WPI-MANA NIMS e Universidade de Tokyo) recebeu o público na sala das plenárias expressando sua grande alegria por estar ali. Ariga tinha sido convidado a proferir uma plenária dois dias atrás, para substituir a professora Susan Trolier-McKinstry que não pôde viajar por motivos alheios à sua vontade. A bem-humorada plenária de Ariga começou com um tema quente, as máquinas moleculares, objeto do Prêmio Nobel de Química do ano passado. O cientista japonês de índice h= 144 mostrou uma corrida de nanocarros criados por times científicos de diferentes países com apenas uma molécula, cada um com um formato particular. Ariga mostrou também outras máquinas moleculares desenvolvidas por ele junto a seus colaboradores, como os nanoalicates que se abrem e fecham em reação a movimentos realizados por mãos humanas. De que maneira? Por meio de um equipamento simples, esses movimentos humanos macroscópicos provocam a compressão e expansão de um meio de água e ar em cuja interface os nanoalicates estão inseridos, fazendo com que as moléculas se reconfigurem uma e outra vez em forma de alicates abertos ou fechados. A palestra encerrou com a ideia de um futuro no qual todos os seres humanos faremos nanotecnologia com as nossas mãos em nosso dia-a-dia.

13 palestras técnicas foram proferidas por especialistas de empresas.
13 palestras técnicas foram proferidas por especialistas de empresas.

Talvez imaginando como será esse mundo previsto pelo professor Ariga, os participantes saíram da sala das plenárias rumo às sessões orais dos simpósios e, novidade do dia, às palestras sobre técnicas de caracterização, fabricação e modificação de materiais que foram proferidas por especialistas de empresas de instrumentação ao longo das manhãs e tardes da terça e quarta-feira.

Numa Gramado cada vez mais úmida, alternando entre cerração e chuva, começou a segunda plenária da tarde. O professor Kenneth Gonsalves (Indian Institute of Technology Mandi, IIT Mandi) levou o público ao sempre atual tema da miniaturização dos chips. Essa tendência, explicou o pesquisador, tem trazido desempenho superior e custo menor à infinidade de produtos que utilizam chips, desde os cotidianos eletrônicos até dispositivos da área de saúde, transporte e defesa, entre outros. Para se ter uma noção dos tamanhos, em 2012 era lançada a tecnologia de nó de 22 nm (o que significa que a porta que controla a passagem da corrente elétrica no circuito integrado tem essa dimensão). Dois anos mais tarde, saía a tecnologia de nó de 14 nm, e em 2016, o nó de 10 nm. Para 2018, prevê-se o lançamento do nó de 7 nm e, dois anos depois, de 5 nm. Para tornar isso possível, pesquisadores de diversos países trabalham contra o relógio fazendo importantes ajustes nas técnicas de fabricação dos circuitos integrados. E o professor Kenn Gonsalves é um deles.

Prof. Kenn Gonsalves
Prof. Kenn Gonsalves

O pesquisador está liderando, a partir do IIT Mandi, um consórcio internacional que conta com grupos do Brasil, dedicado a desenvolver materiais fotossensíveis adequados a uma das técnicas mais promissoras para a fabricação dos próximos circuitos integrados de nós de menos de 10 nm, a litografia em radiação ultravioleta extrema (EUVL). Chamados de “resistes”, esses materiais em forma de filmes finos cumprem um papel fundamental no processo de fabricação dos circuitos que encaminharão a corrente pelo chip. Em grandes linhas, os resistes, depositados sobre os wafers de silício, recebem a radiação que passa por sulcos realizados nas chamadas “máscaras”, nas quais se reproduz o desenho do circuito desejado. Nos locais onde recebem a luz, os resistes reagem quimicamente, gerando sulcos ou elevações que seguem o desenho do circuito. De acordo com Gonsalves, que trabalha com pesquisa e desenvolvimento de resistes há 20 anos, o desenvolvimento de resistes para EUVL ainda apresenta desafios que exigem um esforço colaborativo envolvendo diversas competências, instituições e empresas, principalmente no que diz respeito à fotossensibilidade dos materiais. No final da palestra, Gonsalves comentou que também está trabalhando no desenvolvimento e produção de resistes feitos com tecnologias indianas para a fabricação de chips com nós muito maiores, porém adequados às necessidades da indústria daquele país.

Depois da plenária, enquanto os participantes circulavam entre os painéis dos pôsteres, membros da diretoria e conselho da SBPMat realizaram sua reunião anual e assistiram a uma apresentação do presidente da IUMRS que focou as possibilidades de se aumentar a cooperação entre a sociedade brasileira e a união internacional, principalmente visando à participação de estudantes em programas globais de pesquisa vigentes em países asiáticos. Nessa mesma noite, representantes das comunidades de pesquisa em Materiais da América Latina e representantes da IUMRS dividiram um jantar num simpático restaurante de Gramado a convite do presidente da IUMRS.

Apresentação do presidente da IUMRS para diretoria e conselho da SBPMat e jantar com representantes das sociedades/comunidades de pesquisa em Materiais internacional, argentina, brasileira, coreana, europeia, mexicana e peruana.
Apresentação do presidente da IUMRS para diretoria e conselho da SBPMat e jantar com representantes das sociedades/comunidades de pesquisa em Materiais internacional, argentina, brasileira, coreana, europeia, mexicana e peruana.
Prof. Kirk Schanze
Prof. Kirk Schanze

Quarta-feira, o dia mais longo do XVI B-MRS Meeting começou com uma palestra plenária sobre polieletrólitos conjugados, uma classe de polímeros solúveis em água, capazes de conduzir eletricidade e emitir luz. Esta foi mais uma plenária na qual se mostrou a relação entre a compreensão dos fenômenos naturais (pesquisa fundamental) e o desenvolvimento de aplicações com impacto social – tema da palestra memorial do evento. O professor Kirk Schanze (University of Texas at San Antonio) mostrou como uma detalhada compreensão dos mecanismos que estão por trás das propriedades de um material permite desenvolver ou aprimorar aplicações. Schanze e sua equipe, de fato, vem realizando pesquisa fundamental e aplicada em cima dos polieletrólitos conjugados, e também geraram uma startup para comercializar produtos surgidos do trabalho no laboratório. Na palestra, o cientista apresentou alguns trabalhos do seu grupo no uso desses materiais como sensores de diversos íons e moléculas que provocam ou anulam sua fluorescência. Processados em forma de filmes, os polieletrólitos também podem ser utilizados em células fotovoltaicas orgânicas para geração de eletricidade a partir da energia solar, mostrou Schanze. No final da palestra, o professor demonstrou que esses polímeros também podem ser extremamente úteis para eliminar bactérias. De fato, partículas cobertas com revestimentos de polieletrólitos têm a capacidade de atrair e adsorver bactérias em solução e, ainda, de emitirem luz verde avisando que a presa foi pega. Para encerrar, Schanze, que é editor chefe do renomado periódico ACS Applied Materials and Interfaces, apresentou o mais novo editor associado da revista, o professor Osvaldo Oliveira Jr (o presidente da SBPMat!) e mostrou os artigos de autores do Brasil mais citados do periódico (também sócios da SBPMat!).

Prof. Frédéric Guittard
Prof. Frédéric Guittard

Pela tarde, a cerração já tinha se dissipado em Gramado, mas não no telão da sala das plenárias do centro de convenções. O professor Frédéric Guittard (Université Nice Sophia Antipolis, França) abriu sua palestra com uma foto de uma estreita ponte suspensa parcialmente imersa numa espessa neblina – um resumo fotográfico do afazer científico, no qual só se pode dar um passo por vez, o futuro é sempre incerto, mas é necessário ir para frente. O tema da palestra, casualmente, também tinha a ver com umidade. Guittard coordena um dos grupos líderes no mundo em pesquisa sobre molhabilidade, mais precisamente, sobre materiais hidro e oleofóbicos e suas versões “super”. Algum tempo atrás, contou o cientista francês, para se obter materiais desse tipo, trabalhava-se apenas com a modificação química das superfícies, obtendo ângulos de contato (ângulo entre uma gota do líquido e a superfície com a qual entrou em contato) de 100 a 120 graus para a água e de 40 graus para o óleo. Atualmente, utilizando uma combinação de métodos físicos e químicos, é possível produzir superfícies “superliquidofóbicas”, que são aquelas cujo ângulo de contato é maior que 150 graus. Essas abordagens físico-químicas contemplam a rugosidade da superfície, a porosidade, a topologia e a composição, entre outros fatores, e consideram tanto o nível micro quanto o nano. A inspiração para a comunidade científica seguir uma abordagem mais complexa, disse Guittard, veio da biomimética (a busca humana por compreender as estratégias utilizadas pela natureza para conseguir as propriedades de plantas e animais, e sua aplicação científico-tecnológica). “Na natureza, as escalas macro, micro, nano e subnano se comunicam permanentemente”, exemplificou o plenarista. Em seu caso particular, a fonte de inspiração para desenvolver superfícies superfóbicas foi uma alcachofra plantada para satisfazer um desejo dos filhos, a qual não se molhava enquanto era regada. “Redescobri o efeito Lótus”, disse Guittard. Desde aquele início a 40 graus de ângulo de contato até o presente a mais de 150 graus, a área de molhabilidade tem gerado uma enorme quantidade de papers, patentes, processos de produção, livros e artigos de revisão, destacou o cientista. Não apenas sobre a fabricação e caracterização de superfícies com baixa molhabilidade, mas também, mais recentemente, sobre os usos que se pode fazer delas: antigelo, antinévoa, autolimpeza, antiadesão de bactérias, colheita de água e muitos outros.

No fim da tarde, representantes das sociedades/comunidades de pesquisa em Materiais de diversos países se reuniram numa sala do centro de convenções para discutir formas de colaboração, desde promover intercâmbios de estudantes até incentivar uma maior participação de suas comunidades nos eventos das sociedades dos demais países.

reuniao internacionalizacaoParticipantes da reunião de sociedades de pesquisa em Materiais, a partir da esquerda: Jorge Guerra (Peru), Francisco Rumiche (Peru), Daniel Weibel (chair do evento), Claudia Gutiérrez Wing (México), Roberto Arce (Argentina), Soo Wohn Lee (IUMRS), Juliano Casagrande Denardin (Chile), Osvaldo N. de Oliveira Jr (presidente da SBPMat), Guillermo Solórzano (fundador da SBPMat), Robert Chang (IUMRS) e Roberto M. Faria (SBPMat e IUMRS).

E o dia mais longo do evento durou, na verdade, até o dia seguinte. De fato, na noite da quarta-feira, cerca de 350 participantes lotaram o Harley Motor Show, bar e museu temático que homenageia a lendária marca de motocicletas, para a sempre esperada “Conference party”. A partir das 21 horas, as turmas se acomodaram nas mesas para beber, comer e curtir o variado repertório musical do DJ, tiraram fotografias nas motos de coleção que enfeitavam o ambiente (iluminado e mobiliado no estilo dos cassinos de Las Vegas) e dançaram até a madrugada. A festa teve patrocínio dos periódicos ACS Applied Materials and Interfaces, ACS Nano, NanoLetters, Chemistry of Materials, JACS, Langmuir, ACS Central Science, ACS Energy Letters e ACS Omega.

A festa do evento contou neste ano com patrocínio de periódicos científicos e foi realizada num bar temático voltado à paixão por motocicletas.
A festa do evento foi realizada num bar temático voltado à paixão por motocicletas.
Prof. Pulickel Ajayan
Prof. Pulickel Ajayan

Na manhã posterior à festa, a última plenária do evento contou, surpreendentemente, com tanto público quanto as anteriores. Por quê? Talvez por começar um pouquinho mais tarde, às 10:45 horas, e provavelmente, pelo interesse causado pelo palestrante (um dos pioneiros da nanotecnologia, índice h=144) e pelo assunto (desafios e oportunidades da nanoengenharia). As primeiras palavras do professor Pulickel Ajayan (Rice University), que tem grupos de pesquisa do Brasil entre seus colaboradores, foram de solidariedade com a comunidade científica brasileira com relação a suas dificuldades financeiras. Em seguida, a palestra iniciou com uma referência à biomimética. A partir de uma foto de conchas marinhas, Ajayan lembrou que a natureza sempre soube fazer nanoengenharia e que ela usa os métodos conhecidos como bottom-up – aqueles que consistem em unir ou manipular um a um os menores tijolos possíveis (átomos, moléculas e até mesmo elétrons) para construir estruturas funcionais. Ao longo da plenária, o cientista compartilhou diversas estratégias e alguns segredos, baseados em sólidos resultados de pesquisa fundamental, sobre a fabricação de nanomateriais com características adequadas às necessidades humanas. Ajayan, que 14 anos atrás foi pioneiro em rechear um nanotubo de carbono abrindo a possibilidade de usá-lo como molde, mostrou, em slides com belas imagens do mundo nano, uma série de nanomateriais (filmes, espumas, nanopartículas, nanocompósitos) desenvolvidos com precisão em seu grupo de pesquisa por meio de diversos métodos bottom-up.  O cientista, que disse gostar muito de ciência básica mas confessou ficar mais empolgado quando existe uma aplicação, também apresentou alguns dos dispositivos que tem criado junto à sua equipe e colaboradores, principalmente na área de armazenamento de energia (baterias e supercapacitores), e as empresas que estão comercializando algumas dessas inovações.  Apesar de tantos resultados obtidos a partir de suas estratégias de nanoengenharia, o professor Ajayan acredita que, algum dia, a humanidade poderá desenvolver melhores maneiras de produzir nanomateriais – algo que a natureza já conseguiu.

Quinta-feira. Entrega de prêmios para estudantes e encerramento.

Finalizada a palestra, a sala das plenárias se transformou em sala de cerimônia para sediar a entrega dos prêmios para estudantes, outra tradição dos encontros anuais da SBPMat, que neste ano contou com prêmios outorgados por quatro entidades diferentes. Entre palmas e fotografias, 20 estudantes receberam prêmios por seus trabalhos.

A SBPMat, representada por seu presidente, entregou os certificados do “Bernhard Gross Award”, que homenageia com seu nome um cientista pioneiro da pesquisa em Materiais no Brasil. Dentre esses finalistas, cinco estudantes foram vencedores do  “ACS Publications Award”, cujos certificados foram entregues pelo professor Kirk Schanze. Os cinco vencedores também ganharam prêmios em dinheiro, patrocinados por alguns periódicos da editora da American Chemical Society (ACS), ACS Applied Materials and Interfaces, ACS Nano, NanoLetters, Chemistry of Materials, JACS e ACS Omega.

Na sequência, foram anunciados os quatro vencedores do prêmio da E-MRS aos melhores orais e pôsteres do simpósio K e os três vencedores do prêmio da IUMRS para pôsteres. Os ganhadores presentes receberam os certificados nas mãos dos representantes das duas entidades, respectivamente, Jeffrey Kettle e Soo Wohn Lee.

20 estudantes receberam prêmios da SBPMat, ACS Publications, E-MRS e IURMS por seus trabalhos apresentados no evento.
20 estudantes receberam prêmios da SBPMat, ACS Publications, E-MRS e IURMS por seus trabalhos apresentados no evento.

Para encerrar, o presidente da SBPMat e o chair do evento tomaram a palavra. Ambos expressaram sua gratidão a todos os participantes, equipe organizadora, comitês local, organizador e de programa, estudantes que trabalharam na organização, coordenadores de simpósio, plenaristas, agências financiadoras (principalmente a Fapesp, que financiou a viagem e diárias de quase 200 pesquisadores paulistas), expositores, patrocinadores dos prêmios e da festa, instituição-sede (UFRGS). Além disso, o professor Weibel apresentou os números e mostrou alguns destaques do evento. Finalmente, o professor Novais de Oliveira agradeceu o professor Weibel por ser “um chair fantástico” e transformou o “adeus” em “até daqui um ano” ao lembrar que o próximo encontro da sociedade, o XVII B-MRS Meeting, será realizado em Natal, capital do Rio Grande do Norte, de 16 a 20 de setembro de 2018.

XVII Encontro da SBPMat será em Natal em setembro de 2018.


logo-natal.jpgCom muita satisfação, a Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais anuncia que a 17ª edição de seu evento anual (Encontro da SBPMat/ B-MRS Meeting) será realizada na cidade de Natal (RN), no Centro de Convenções do Hotel Praiamar, de 16 a 20 de setembro de 2018, sob coordenação do professor Antonio Eduardo Martinelli (UFRN).

Reserve esta data!

Boletim da SBPMat – 60ª edição – edição especial, prévia ao XVI Encontro da SBPMat.


 

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Boletim da
Sociedade Brasileira
de Pesquisa em Materiais

Edição nº 60. 31 de agosto de 2017.

XVI Encontro da SBPMat/ XVI B-MRS Meeting
Gramado, 10-14 setembro 2017

Mensagem do chair

Caros participantes,
Será um prazer recebe-los no XVI Encontro da SBPMat, na cidade de Gramado (RS) de 10 a 14 de setembro.
Dezesseis anos depois do primeiro encontro anual, nosso evento impressiona com seu grande número de resumos e participantes e com a qualidade das contribuições científicas que serão apresentadas em pôsteres e sessões orais. Neste ano, teremos 22 simpósios, 1 workshop e 1 tutorial. Reuniremos uma rica diversidade de autores e palestrantes do Brasil, América Latina e de vários e distantes lugares do mundo, todos com o objetivo comum de compartilhar ideias e novas perspectivas em um amplo leque de temas científicos e tecnológicos. Teremos também 7 palestras plenárias dos mais prestigiados cientistas em temas de fronteira da Ciência dos Materiais e uma palestra do renomado cientista brasileiro João Alziro H. da Jornada na abertura do encontro.
Tenho certeza de que o evento propiciará interação e colaboração; possibilitando contato com cientistas líderes nas suas áreas, bem como com amigos e colaboradores. No encerramento, serão entregues os prêmios da SBPMat e da ACS Publications para os melhores trabalhos de estudantes.
Espero que o evento seja estimulante e inspirador para todos vocês. Como sempre, visamos alto para promover o desenvolvimento da Ciência e Tecnologia dos Materiais.

Daniel Eduardo Weibel
Coordenador do encontro

weibel

Panorama

Apresentações: Cerca de 2.000 trabalhos devem ser apresentados nas sessões orais e de pôsteres dentro dos 23 simpósios do evento.

Participantes: Até o momento, mais de 1.300 pessoas de 19 países e de todas as regiões do Brasil fizeram suas inscrições para participar do evento.

Leque temático: Estudo, fabricação e modificação de diversos materiais (polímeros, metais, compósitos, hidrogéis, nanomateriais, biomateriais). Aplicação dos materiais nos segmentos de energia, aeronáutica, saúde, eletrônica, bioeletrônica, fotônica, plasmônica, fotocatálise, entre outros. Impacto ambiental da fabricação e segurança do uso de alguns materiais.

Expositores: 24 empresas e instituições estarão presentes nos estandes da exibição.

Veja o programa detalhado, com todas as apresentações orais e pôsteres, aqui.

Veja o programa resumido, aqui.

imagem encontro teste

Informações úteis

Inscrições: Permanecem abertas até o último dia do evento. É possível se associar ou renovar a anuidade da SBPMat durante a inscrição ao evento e assim pagar a inscrição especial para sócios. Atenção: o valor da inscrição ao evento + anuidade SBPMat é menor do que o valor da inscrição ao evento para não sócios. Veja aqui.

Agência de turismo. Opções de vôos, traslados desde o aeroporto e passeios turísticos, aqui.

Serviço de impressão de pôsteres. Veja as opções para retirar seu pôster no centro de convenções, aqui.

Local do evento. FAURGS. Rua São Pedro nº 663. No centro de Gramado, a poucas quadras de restaurantes, lojas, pontos turísticos e hotéis. Veja mapa, aqui.

Aplicativo do evento. Acesse por meio de seu dispositivo móvel: Google map e planta do centro de convenções, fones úteis, programação das apresentações com os respectivos resumos, leitura do QRCode dos pôsteres para obter os dados do trabalho e mais. O app está disponível sem custo nas lojas virtuais da Apple e Google. Busque “XVI B-MRS Meeting”.

Auxílio coletivo Fapesp. Os participantes que se inscreveram no pedido deverão entregar os documentos necessários para receber o reembolso durante o evento na secretaria. Mais informações, aqui.

Festa do encontro. Será na quarta, dia 13, a partir das 21h00, no Harley Motor Show, bar temático de Gramado. Ingressos (limitados) estarão à venda no bar. A festa terá patrocínio de periódicos da ACS Publications.

Destaques da programação

Domingo, dia 10. Minicurso sobre produção e publicação de papers de alto impacto. Será ministrado pelo prof. Valtencir Zucolotto (IFSC-USP) e pela doutora Christiane Barranguet, diretora de publicações de Ciência dos Materiais na Elsevier. Mais informações e inscrições (sem custo), aqui.

workshop

Domingo, dia 10. Palestra memorial “Joaquim da Costa Ribeiro”. A tradicional homenagem da SBPMat será neste ano para o prof. João Alziro H. da Jornada (UFRGS), que proferirá uma palestra sobre novas perspectivas em Ciência de Materiais e inovação no Brasil. Veja entrevista com o prof. Jornada, aqui.

jornada

Segunda, dia 11. Plenária de Hans-Joachim Freund sobre catálise heterogênea. Freund (índice h=97) é diretor do Instituto Fritz-Haber da Sociedade Max-Planck-Gesellschaft (prestigiado instituto de Berlim, Alemanha, dedicado a superfícies e interfaces), onde lidera um grupo de mais de 40 pessoas dedicado a compreender a catálise heterogênea. Saiba mais.

freund

Segunda, dia 11. Plenária de Alexander Yarin sobre nanofibras feitas com resíduos agropecuários por fiação por sopro em solução, e sua aplicações em medicina e meio ambiente. O cientista é Distinguished Professor na Universidade de Illinois em Chicago (EUA), onde coordena um laboratório de pesquisa em e mecânica de fluídos e sólidos de mais de 200 m2. Saiba mais.

yarin

Terça, dia 12. Plenária de Susan Trolier-McKinstry sobre filmes piezoelétricos para sistemas microeletromecânicos. A cientista, que preside atualmente a Materials Research Society, é professora na Penn State (EUA), onde lidera um grupo com ampla experiência em materiais piezoelétricos e seu uso em máquinas microscópicas capazes de executar movimentos em resposta a estímulos do ambiente, com aplicação em energia e saúde, por exemplo. Saiba mais.

susan

Terça, dia 12. Plenária de Kenneth E. Gonsalves sobre materiais para fabricação da próxima geração de circuitos integrados, de menos de 10 nm, por litografia com radiação do ultravioleta extremo. Distinguished Professor do IIT Mandi (Índia), o cientista vem desenvolvendo projetos de P&D para grandes empresas do segmento eletrônico. Saiba mais.

gonsalves

Terça e quarta, dias 12 e 13. Palestras técnicas de empresas. Ao longo de 2 manhãs e tardes, na sala 8, 13 palestras abordarão em profundidade diversas técnicas de caracterização e modificação de materiais e as últimas novidades do mercado na área. Saiba mais.

empresas

Quarta, dia 13. Plenária de Kirk Schanze sobre polieletrólitos conjugados e aplicações em energia e biomateriais. Editor-chefe da ACS Applied Materials & Interfaces desde sua criação, o cientista é professor da Universidade de Texas em San Antonio (UTSA), nos Estados Unidos. Seu grupo de pesquisa é pioneiro em síntese e aplicações dos polímeros conjugados solúveis em água que serão objeto da palestra. Saiba mais.

schanze

Quarta, dia 13. Plenária de Frédéric Guittard sobre materiais superhidrofóbicos inspirados na natureza. Professor da Universidade Nice Sophia Antipolis (França), este cientista e seu grupo estão entre os mais citados do mundo em superfícies hidro e oleofóbicas, inspiradas na natureza e com úteis aplicações como materiais antigelo, anti-incrustação e antibactéria, por exemplo. Saiba mais.

guittard

Quinta, dia 14. Plenária de Pulickel Ajayan sobre desafios e oportunidades da nanotecnologia para os materiais do futuro. Professor da Universidade Rice (EUA), o cientista é dono de um índice h de 144 e é autor de impactantes contribuições no mundo dos nanomateriais, como os nanotubos recheados, a bateria de papel e o tapete de nanotubos ultraescuro. Saiba mais.

ajayan

Quinta, dia 14. Entrega dos prêmios para estudantes. Serão anunciados e premiados o melhor oral e pôster de cada simpósio apresentados por estudantes de graduação e pós-graduação. A editora da American Chemical Society (ACS) outorgará prêmios aos 6 melhores de todo o evento. Para serem considerados vencedores, os autores devem estar presentes na cerimônia. Saiba mais.

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Entrevista com Pulickel Ajayan (professor da Rice University, EUA).


PulickelAjayan2Apesar de todo o conhecimento sobre nanotecnologia gerado nas últimas décadas, aplicar nanomateriais em produtos comerciais ainda pode ser uma tarefa difícil. No XVI Encontro da SBPMat, o professor Pulickel Ajayan, uma das referências mundiais em nanomateriais e nanoestruturas, vai lançar luz sobre esse problema.

Na palestra plenária que proferirá em Gramado na manhã de 14 de setembro, Ajayan discorrerá sobre alguns desafios inerentes à aplicação de nanomateriais (particularmente, os de duas dimensões) em sistemas e dispositivos, abordando questões relativas à síntese, caracterização e modificação desses materiais.

De fato, desde o início de sua carreira científica, Ajayan tem se destacado no desenvolvimento de nanomateriais com diversas funcionalidades, aplicáveis a segmentos como, por exemplo, o de armazenamento e conversão de energia, catálise, eletrônica de baixo consumo, nanomedicina e preservação do meio ambiente. Entre suas contribuições mais famosas, desenvolvidas junto à sua equipe e colaboradores, estão os nanotubos de carbono recheados com material fundido que funcionam como moldes de nanofios (1993); a nanoescova de nanotubos de carbono, destacada pelo Guinness World Records como a menor do mundo (2005); a bateria de papel, feita de celulose e nanotubos (2007); o tapete de nanotubos ultra escuro, que reflete apenas 0,045% de luz (2008); a esponja de nanotubos reutilizável capaz de absorver óleo disperso em águas (2012).

Professor e diretor do Departamento de Ciência de Materiais e Nanoengenharia da Rice University (EUA), Pulickel Madhavapanicker Ajayan é dono de excepcionais indicadores de produção científica (índice h de 144 e mais de 95 mil citações segundo o Google Scholar), construídos ao longo de 30 anos de pesquisa.

Pulickel Ajayan nasceu em 1962 na Índia, numa pequena cidade do estado de Kerala, localizado ao sul do país. Ali cursou o ensino primário. Realizou os estudos secundários na capital do estado, numa escola que despertou seu entusiasmo por aprender, sua curiosidade e seu interesse em ciência.

Em 1985, Ajayan formou-se em Engenharia Metalúrgica na Banaras Hindu University (BHU), localizada no nordeste da Índia e, em seguida, foi fazer um doutorado em Ciência e Engenharia de Materiais na Northwestern University (EUA). Nesse momento, começou a incursionar na nanotecnologia. Em 1989, defendeu sua tese sobre partículas de ouro muito pequenas que, alguns anos mais tarde, começariam a ser chamadas de “nanopartículas”.

Em 1990, mudou-se para o Japão para fazer um estágio de pós-doutorado no Laboratório de Pesquisa Fundamental da NEC Corporation, onde permaneceu até 1993 no grupo responsável por uma série de estudos seminais sobre os nanotubos de carbono – inclusive a própria “descoberta” desses nanomateriais, atribuída a Sumio Iijima em 1991. Durante seu pós-doc, Ajayan obteve importantes resultados sobre a síntese de nanotubos em grande escala e sobre o enchimento de nanotubos com outros materiais.

Do Japão, foi para a França, onde atuou como pesquisador do Laboratório de Física dos Sólidos da Université Paris-Sud durante dois anos e, em seguida, para a Alemanha, onde trabalhou durante um ano e meio no Max-Planck-Institut für Metallforschung. Em 1997, mudou-se aos Estados Unidos ao se tornar professor assistente do Rensselaer Polytechnic Institute (RPI), a mais antiga universidade de pesquisa tecnológica do país, localizada no estado de Nova Yorque. No RPI, ocupou a cadeira Henri Burlage de Engenharia e trabalhou no grupo de pesquisa em nanotecnologia.

Em 2007, saiu do RPI e uniu-se ao corpo docente do Departamento de Engenharia Mecânica e Ciência de Materiais da Rice University, ocupando a cadeira Benjamin M. and Mary Greenwood Anderson de Engenharia. Em 2014, assumiu também a coordenação do recém-criado Departamento de Ciência de Materiais e Nanoengenharia.

Atualmente, além de lecionar e liderar um grupo de pesquisa de cerca de 40 membros na Rice University, Ajayan viaja muito, seja para dividir seus conhecimentos sobre nanotecnologia (já proferiu mais de 350 palestras a convite e é professor convidado em universidades da China, Índia e Japão), quer para cuidar de suas colaborações científicas. Além disso, Ajayan tem atuado em conselhos de diversos periódicos de Materiais e Nanotecnologia, de startups e de conferências internacionais.

O cientista recebeu importantes prêmios de diversas entidades como a Royal Society of Chemistry (Reino Unido), Alexander von Humboldt Foundation (Alemanha), Materials Research Society (EUA), Microscopic Society of America (EUA) e a famosa revista de divulgação científica Scientific American, bem como distinções de numerosas universidades do mundo, inclusive o doutorado honoris causa pela Université Catholique de Louvain (Bélgica). É membro eleito da Royal Society of Chemistry (Reino Unido), American Association for the Advancement of Science (AAAS), as academias nacionais de ciências da Índia e México, entre outras sociedades científicas.

Segue uma breve entrevista com o cientista

Boletim da SBPMat: – Gostaríamos que você escolhesse algumas de suas contribuições à nanotecnologia, a descrevesse brevemente e compartilhasse a referência do artigo em que foi publicada. Por favor, escolha aquela que você considera que causou ou causará mais impacto na sociedade e aquela que lhe deu mais satisfação pessoal.

Pulickel Ajayan: – Várias de nossas descobertas têm impacto comercial e social. Nas últimas duas décadas, alguns dos destaques da pesquisa do nosso laboratório foram arranjos de nanotubos de carbono como absorventes de luz extremos (para termofotovoltaica), arranjos de nanotubos como fitas de gecko, fibras de nanotubos de carbono de alta condutividade, membranas de óxido de grafeno para filtração de água, nanomateriais de carbono para armazenamento de energia, nanocompósitos de polímeros leves, desenvolvimento de materiais bidimensionais para eletrônicos e sensores, pontos quânticos baseados em carbono para catálise, por exemplo, redução de CO2 etc.

Um dos trabalhos mais emocionantes para mim foi relacionado à conversão de cebolas de carbono em nanopartículas de diamante por irradiação de elétrons. Este trabalho foi feito em colaboração com o Prof. Florian Banhart, quando visitei como pós-doc o Max Planck Intitute for Metallforschung, em Stuttgart, em meados da década de 90. Este trabalho publicado na revista Nature mostrou a observação direta da transição do grafite à fase de diamante sem aplicação de nenhuma pressão externa.

Boletim da SBPMat: – Alguma de suas contribuições já foi transferida a um produto comercial? Comente brevemente.

Pulickel Ajayan: – Duas empresas startup (Paper Battery Co. e Big Delta Systems) saíram do nosso trabalho; ambas envolvem tecnologias não convencionais de armazenamento de energia.

Boletim da SBPMat: – Deixe um convite para sua palestra plenária.

Pulickel Ajayan: – A nanotecnologia é uma abordagem de mudança de paradigma sobre como vamos construir materiais do futuro. Está no cerne da fabricação de baixo para cima (bottom-up) e afetará várias áreas das tecnologias futuras. Nosso trabalho nas últimas duas décadas tem se concentrado na criação de materiais nanoestruturados com vários tipos de blocos de construção em nanoescala.

 

Mais Informações

No site da reunião do XVI B-MRS, clique na foto de Pulickel Ajayan e veja seu mini CV e o resumo de sua palestra plenária:http://sbpmat.org.br/16encontro/home/

Entrevista com Frédéric Guittard (professor da Universidade de Nice Sophia Antipolis, França).


guittardAlém de repelirem a água, materiais superhidrofóbicos podem ser úteis em uma miríade de aplicações. Apenas alguns exemplos: sistemas antigelo, anticorrosão e antibactéria; de separação de óleo e água; de purificação e dessalinização de água; de entrega de fármacos. No XVI Encontro da SBPMat, esse amplo leque de possibilidades será apresentado em palestra plenária pelo professor Frédéric Guittard.

Junto a seu grupo de pesquisa da Université Nice Sophia Antipolis (França), Guittard inspira-se na natureza para criar superfícies hidrofóbicas e oleofóbicas a partir de polímeros condutores e outros materiais. Nesses assuntos, o grupo conta com dezenas de patentes e artigos (7 deles, destacados em capas de periódicos de Química, Polímeros e Materiais desde 2014), e figura entre os grupos mais citados do mundo.

Fréderic Guittard obteve seu diploma de doutorado em Química Orgânica em 1994 pela Universidade de Nice Sophia Antipolis, e permaneceu na instituição como pós-doc por cerca de um ano. Entre 1995 e 1996, realizou estágios de pós-doutorado em instituições das cidades de Padova (Itália), Preston (Reino Unido) e Praga (República Tcheca). De 1996 a 1997 atuou na indústria farmacêutica no Principado de Mônaco. Em 1997, voltou à Universidade de Nice como professor associado, tornando-se professor titular em 2002. De 2004 a 2010, foi diretor do Departamento de Química da universidade. Guittard também foi criador de um programa de mestrados profissionais voltados à capacitação nas áreas de Materiais e Gestão. Coordenou o Laboratório de Química dos Materiais Orgânicos e Metálicos e, a partir deste ano, lidera um novo laboratório, o N.I.C.E. ®, assim chamado não apenas por se localizar na cidade homônima, mas também pelo acrônimo de “Nature Inspires Creativity Engineers”.

Em 2012, 2014 e 2016, Guittard foi coordenador das primeiras edições da conferência internacional sobre materiais inspirados na natureza, também identificada com a marca N.I.C.E.

Atualmente é professor visitante da University California Riverside (EUA).

Sua produção científica, que conta com mais de 5.200 citações, inclui mais de 230 artigos e 35 patentes.

Segue uma breve entrevista com o cientista.

Boletim da SBPMat: – Sua pesquisa tem uma abordagem biomimética. Em quais elementos da natureza você se inspira para desenvolver seus materiais hidro e oleofóbicos?

Frédéric Guittard: – Em uma alcachofra. Meus filhos queriam que eu cultivasse uma alcachofra: quando eu estava regando-a, surpreendentemente redescobri o efeito Lotus. Os próximos passos foram adaptar, adotar e integrar esse segredo da natureza em tecnologias ou biotecnologias.

Boletim da SBPMat: – Na sua opinião, quais são suas principais contribuições científicas ou tecnológicas ao campo dos materiais hidrofóbicos e oleofóbicos? Por favor descreva-os brevemente, e compartilhe referência de artigos, se possível.

Frédéric Guittard: – Existem algumas aplicações interessantes para materiais superhidrófobicos ou superoleofóbicos. As principais aplicações dizem respeito à antiadesão (como antigrafite, antigelo, anti-impressões digitais …) ou antibioadesão (como anti-incrustação ou, por exemplo, para remover bactérias de superfícies em hospitais). As seguintes publicações darão mais detalhes:
– Bioinspired Superhydrophobic Surfaces: Advances and Applications with Metallic and Inorganic Materials, CRC Press, Francis & Taylor Group, 300 pages, 2017 (F. Guittard, T. Darmanin)
– Superhydrophobic and Superoleophobic Properties in Nature, Materials Today, 2015, 18, 273-285 (T. Darmanin, F. Guittard)
– Recent advances in the potential applications of bioinspired superhydrophobic materials, Journal of Materials Chemistry A, 2014, 2, 16319-16359 (T. Darmanin, F. Guittard)

Boletim da SBPMat: – O seu laboratório possui uma extensa lista de parceiros industriais. A transferência de conhecimento para a indústria é comum em seu laboratório? Em caso afirmativo, de que forma acontece? Através do licenciamento de patentes, spin-offs, projetos conjuntos?

Frédéric Guittard: – O primeiro ponto é entender que a indústria e a universidade não são concorrentes e podem formar uma cadeia de valor. Desta forma, as indústrias têm de inovar para melhorar ou criar o serviço. As universidades podem ajudar as indústrias a mostrar soluções incríveis com uma prova de conceito. Mesmo que o custo seja importante para levar em conta, o ponto chave em 80% para o sucesso é o bom relacionamento humano. Mais frequentemente, a solução está perto de nós e o esforço é pouco! Temos que observar para encontrar o parâmetro-chave e fazer a pergunta: onde está o melhor de todos os fenômenos do mundo? (Não apenas no mesmo campo). É como a abordagem do benchmarking. Patentes, licenciamentos, spin-offs ou projetos conjuntos podem ser usados de acordo com a origem da ideia e sua realização.

 

Mais Informações

No site da reunião do XVI B-MRS, clique na foto de Frédéric Guittard e veja seu mini CV e o resumo de sua palestra plenária:http://sbpmat.org.br/16encontro/home/

Entrevista com Kirk Schanze (professor da Universidade de Texas em San Antonio e editor-chefe da ACS Applied Materials & Interfaces).


KirkSchanzeNo grupo de pesquisa do professor Kirk Schanze, os polieletrólitos conjugados (CPEs, na sigla em inglês) têm sido objeto de estudos fundamentais e também protagonistas de aplicações. O grupo já explorou CPEs como sensores fluorescentes, em células solares e como materiais bactericidas, por exemplo.

No dia 13 de setembro, em Gramado, Kirk Schanze abrirá um espaço na sua apertada agenda de professor da Universidade de Texas em San Antonio (UTSA) e editor-chefe da ACS Applied Materials & Interfaces para proferir uma palestra plenária sobre CPEs no XVI Encontro da SBPMat.

Schanze formou-se em Química pela Universidade do Estado da Flórida (FSU) em 1979. Quatro anos mais tarde, obteve seu diploma de doutorado, também em Química, pela Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill. Logo depois, ganhou uma das concorridas bolsas do Instituto Miller para fazer um estágio de pós-doutorado na Universidade de Califórnia, Berkeley. Depois de dois anos como pós-doc, tornou-se professor da Universidade da Florida (UF), onde permaneceu até 2016. Ali foi professor de Química, ocupando a cadeira Prominski, e coordenador da divisão de Química Orgânica. Além disso, fundou o Schanze Group, que hoje continua suas atividades de pesquisa na UTSA.

Entre 2000 e 2008, Schanze desempenhou-se como editor sênior do prestigiado periódico Langmuir, da American Chemical Society (ACS). Logo depois, assumiu o cargo de primeiro editor-chefe do periódico ACS Applied Materials & Interfaces, que acabava de ser lançado.

Em 2016, Schanze deixou a UF para ocupar a cadeira de Química “Robert A. Welch Distinguished University Chair” na UTSA.

É autor de cerca de 300 papers e 20 patentes. Conforme o Google Scholar, sua produção científica conta com mais de 16.000 citações e seu índice h é de 71. É fellow da American Chemical Society. Foi professor visitante no Harbin Institute of Technology (China) e na Tokyo Metropolitan University (Japão) em 2011, da Ecole Normale Supérieure Cachan (França) em 2008 e no Chemical Research Promotion Center (Taiwan) em 2007. Recebeu distinções da Japan Society for Promotion of ScienceAmerican Chemical SocietyJapanese Photochemical AssociationNational Science Foundation e University of Florida, entre outras entidades.

Segue uma breve entrevista com o cientista.

Boletim da SBPMat: – Na sua opinião, quais são suas principais contribuições científicas e / ou tecnológicas para o campo dos polieleletrólitos conjugados? Descreva-as brevemente e sinta-se livre para compartilhar algumas referências de seus artigos, patentes ou livros.

Kirk Schanze: – Estamos entre os primeiros grupos a estudar polielectrolitos conjugados, que são polímeros conjugados solúveis em água. Seguem algumas das principais contribuições do nosso grupo para este campo:

a)Nosso laboratório foi o primeiro a reportar a síntese de um poli (fenil etinileno) sulfonato (PPE-SO3) fluorescente e solúvel em água e descrever a aplicação para a detecção fluorescente de íons na água a uma concentração ultrabaixa. [1]

b)Nós fomos os primeiros a reportar o uso de um polieletrólito conjugado fluorescente como sensor para a atividade enzimática, que é uma importante aplicação em biossensoriamento. [2]

c)Nosso laboratório desenvolveu as aplicações de polieletrólitos catiônicos conjugados para detectar a atividade enzimática da fosfatase. Essas enzimas são importantes em vários processos biologicamente significativos. [3,4]

d)Trabalhando em colaboração com o Prof. David Whitten, da Universidade do Novo México, desenvolvemos polieletrólitos catiônicos conjugados como uma nova classe de agentes antibacterianos. [5,6]

Referências:

[1] C. Tan, M. R. Pinto and K. S. Schanze, “Photophysics, Aggregation and Amplified Quenching of a Water-Soluble poly(Phenylene ethynylene)”, Chem. Commun. 2002, 446-447, 10.1039/B109630C.

[2] M. R. Pinto and K. S. Schanze, “Amplified Fluorescence Sensing of Protease Activity with Conjugated Polyelectrolytes”, Proc. Nat. Acad. Sci. USA2004101, 7505, 10.1073/pnas.0402280101.

[3] Zhao, X.; Liu, Y.; Schanze, K. S., “A Conjugated Polyelectrolyte Based Fluorescence Sensor for Pyrophosphate”, Chem. Commun. 2007, 2914-2916, 10.1039/b706629e.

[4] Zhao, X. Y.; Schanze, K. S., “Fluorescent Ratiometric Sensing of Pyrophosphate via Induced Aggregation of a Conjugated Polyelectrolyte”, Chem. Commun. 2010, 46, 6075-6077, 10.1039/c0cc01332c.

[5] Ji, E.; Corbitt, T. S.; Parthasarathy, A.; Schanze, K. S.; Whitten, D. G., “Light and Dark-Activated Biocidal Activity of Conjugated Polyelectrolytes”, ACS Appl. Mater. Interfaces 2011, 3, 2820-2829, 10.1021/am200644g.

[6] 299. Huang, Y.; Pappas, H. C.; Zhang, L.; Wang, S.; Cai, R.; Tan, W.; Wang, S.; Whitten, D. G.; Schanze, K. S., “Selective Imaging and Inactivation of Bacteria over Mammalian Cells by Imidazolium Substituted Polythiophene”, Chem. Mater. 2017, 2017, 29, 6389–6395, 10.1021/acs.chemmater.7b01796.

Boletim da SBPMat: – Você é editor-chefe da ACS Applied Materials & Interfaces desde sua criação, em 2008-2009. Em menos de 10 anos, o periódico atingiu um fator de impacto de 7,504. A que fatores você atribui este bom resultado?

Kirk Schanze: – A ACS Applied Materials & Interfaces (AMI) publica artigos que provêm de uma área de pesquisa de materiais atualmente muito ativa, especificamente materiais / interfaces aplicadas. Há uma grande comunidade de cientistas e engenheiros de todo o mundo que estão trabalhando neste campo. A AMI possui uma comunidade global de editores e membros do conselho editorial que representam suas regiões. Na verdade, o editor mais novo que se juntou ao nosso conselho editorial é o Prof. Osvaldo Oliveira Jr. da Universidade de São Paulo!

Boletim da SBPMat: – Frequentemente vemos artigos da comunidade brasileira de Materiais no ACS Applied Materials & Interfaces. Você poderia compartilhar com nossos leitores alguns números sobre a participação de autores do Brasil no periódico?

Kirk Schanze: – A ACS Applied Materials & Interfaces publicou mais de 100 trabalhos com autores ou co-autores do Brasil. Muitos desses trabalhos foram altamente citados no campo da ciência dos materiais. Exemplos de trabalhos altamente citados são:

-K. Poznyak†, J. Tedim†, L. M. Rodrigues†‡, A. N. Salak†, M. L. Zheludkevich*†, L. F. P. Dick‡ and M. G. S. Ferreira†§  Novel Inorganic Host Layered Double Hydroxides Intercalated with Guest Organic Inhibitors for Anticorrosion Applications, ACS Appl. Mater. Interfaces, 2009, 1 (10), pp 2353–2362, DOI: 10.1021/am900495r (co-author from Rio Grande do Sul Federal University in Porto Alegre)

-Heberton Wender*†, Adriano F. Feil†, Leonardo B. Diaz†, Camila S. Ribeiro‡, Guilherme J. Machado†, Pedro Migowski§, Daniel E. Weibel‡, Jairton Dupont§, and Sérgio R. Teixeira*† Self-Organized TiO2 Nanotube Arrays: Synthesis by Anodization in an Ionic Liquid and Assessment of Photocatalytic Properties, ACS Appl. Mater. Interfaces, 2011, 3 (4), pp 1359–1365, DOI: 10.1021/am200156d

Boletim da SBPMat: – Deixe um convite para sua palestra plenária.

Kirk Schanze: – Todos são convidados a participar da minha palestra, que irá destacar o nosso trabalho com polieletrólitos conjugados aplicado no campo da química de energia e de biomateriais.

Mais Informações

No site da reunião do XVI B-MRS, clique na foto de Kirk Schanze e veja seu mini CV e o resumo de sua palestra plenária:http://sbpmat.org.br/16encontro/home/