Nota Pública da SBPMat.


O conselho e a diretoria da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat) vêm a público protestar veementemente contra os cortes no financiamento à pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação, endossando a posição adotada em nota recente pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e Academia Brasileira de Ciências (ABC).

Não se trata apenas de cortes para compensar queda de arrecadação ou para um ajuste fiscal, pois os cortes no Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações atingem praticamente metade do previsto para o orçamento de 2017. Igualmente preocupante é a situação do CNPq, um dos órgãos mais importantes para o financiamento da pesquisa e tecnologia no Brasil, que corre o risco de interromper pagamento de bolsas e projetos em virtude de contingenciamento de seu orçamento.

O conselho e a diretoria da SBPMat exortam ao governo federal para agir com responsabilidade na preservação do sistema de ensino superior e de pesquisa do Brasil. Os cortes e contingenciamentos orçamentários ameaçam a viabilidade das atividades de universidades federais e centros de pesquisa nacionais, à semelhança do que já ocorre infelizmente com a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Os prejuízos podem ser irreversíveis.

A experiência de países desenvolvidos tem mostrado amplamente que não há desenvolvimento sócio-econômico sem educação e geração de conhecimento. A maneira como o governo federal vem tratando a educação e a ciência no Brasil pode comprometer nosso futuro.

Boletim da SBPMat – 56ª edição.


 

Saudações !

Edição nº 56 – 28 de abril de 2017

XVI Encontro da SBPMat/ XVI B-MRS Meeting

Submissão de resumos: ÚLTIMOS DIAS. Está aberta no site do evento, até 5 de maio, a submissão de trabalhos para apresentação oral ou em forma de pôster. Veja instruções para autores, aqui.

Auxílio Fapesp. Veja as regras da solicitação de auxílio coletivo para pesquisadores ligados a instituições do estado de São Paulo, aqui.

Simpósios. Veja a lista dos 23 simpósios aprovados, dentro dos quais os resumos são submetidos, aqui

Prêmio Bernhard Gross. Trabalhos submetidos por autores que são estudantes de graduação ou pós-graduação podem ser candidatos ao prêmio da SBPMat. Para participar da seleção, o autor deve submeter, até 14 de agosto, um resumo estendido adicional ao resumo convencional. Mais informações, nas instruções para autores, aqui

Organização. Conheça o comitê organizador, aqui

Expositores. Veja no site do evento as 18 empresas que já confirmaram participação. Empresas interessadas em participar do evento com estandes e outras formas de divulgação devem entrar em contato com Alexandre, no e-mail comercial@sbpmat.org.br.

Artigo em destaque

Um catalisador feito com materiais abundantes e sem metais torna eficiente a produção de eletricidade por meio de células a combustível de hidrazina. A pesquisa foi reportada por uma equipe científica internacional que inclui pesquisadores da UEM no Journal of Materials Chemistry A
 Veja nossa matéria de divulgação.

Gente da comunidade

Entrevistamos Angelo Fernando Padilha, professor da Escola Politécnica da USP.  Graduado na primeira turma de Engenharia de Materiais da América Latina (UFSCar), Padilha prosseguiu sua formação de pesquisador entre o Brasil e a Alemanha. Desde a década de 1970, trabalha com pesquisa, desenvolvimento e inovação em materiais para reatores nucleares e em materiais metálicos. Recentemente, presidiu a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). É autor de livros didáticos da área de Materiais bastante conhecidos no país. Na entrevista, Padilha, que faz parte do grupo de fundadores da SBPMat, falou sobre sua trajetória profissional e sobre os desafios do segmento nuclear para a área de Materiais, além de deixar uma mensagem para os leitores que estão iniciando suas carreiras científicas. Veja a entrevista.

Victor C. Pandolfelli (DEMa-UFSCar) recebe pela terceira vez prêmio da ACerS (Estados Unidos) ao melhor paper sobre cerâmicas refratárias. Saiba mais.
Marcelo Knobel (IFGW-Unicamp) tomou posse como reitor da Unicamp. Saiba mais.

Dicas de leitura

  • Novo método de nanofabricação baseado em materiais auto-organizados tem potencial para produção industrial de fios de menos de 10 nm de largura (baseado em paper da Nature Nanotechnology). Aqui.
  • Transístor de pontos quânticos desenvolvido com participação brasileira faz operações complexas (enxerga, conta, lembra) prescindindo de memória complementar (baseado em paper da Nano Letters). Aqui.
  • Método de fabricação permite controle preciso da morfologia e composição de objetos unidimensionais (baseado em paper da 
    Small). Aqui.
  • Vídeo de cientistas mostra uma população real de nanotubos de carbono crescendo e se organizando. Aqui.
  • Matéria no MRS Bulletin (EUA) sobre cortes no orçamento de CTI no Brasil, com depoimentos de presidente e sócios da SBPMat. Aqui.

Oportunidades

  • Chamada de projetos multinacionais de P&D em Materiais FAPESP – M-ERA NET. Aqui.
  • Feira virtual sobre oportunidades de pesquisa na Alemanha. Aqui.

Próximos eventos da área

  • 9th International Conference on Materials for Advanced Technologies. Suntec (Cingapura). 18 a 23 de junho de 2017. Site. 
  • 1ª Escola Brasileira de Síncrotron (EBS). Campinas, SP (Brasil). 10 a 21 de julho de 2017. Site.
  • XI Brazilian Symposium on Glass and Related Materials (XI Brazglass). Curitiba, PR (Brasil). 13 a 16 de julho de 2017. Site.
  • VIII Método Rietveld de Refinamento de Estrutura. Fortaleza, CE (Brasil). 24 a 28 de julho de 2017. Site.
  • XXXVIII Congresso Brasileiro de Aplicações de Vácuo na Indústria e na Ciência (CBRAVIC) + III Workshop de Tratamento e Modificação de Superfícies (WTMS). São José dos Campos, SP (Brasil). 21 a 25 de agosto de 2017. Site.
  • IUMRS-ICAM 2017. Kyoto (Japão). 27 de agosto a 1º de setembro de 2017. Site.
  • 18 International Conference on Luminescence. João Pessoa, PB (Brasil). 27 de agosto a 1º de setembro de 2017. Site.
  • XVI Encontro da SBPMat/ XVI B-MRS Meeting. Gramado, RS (Brasil). 10 a 14 de setembro de 2017. Site.
  • 18th International Conference on Internal Friction and Mechanical Spectroscopy (ICIFMS-18). Foz do Iguaçu, PR (Brasil). 12 a 15 de setembro de 2017. Site.
  • 2ª Conferência Nacional em Materiais Celulares (MatCel’2017) + Conferência Internacional em Dinâmica de Materiais Celulares (DynMatCel’2017). Aveiro (Portugal). 25 a 27 de setembro de 2017. Site.
  • 1st Pan American Congress of Nanotechnology. Fundamentals and Applications to Shape the Future. Guarujá, SP (Brasil). 27 a 30 de novembro de 2017. Site.

   
Você pode divulgar novidades, oportunidades, eventos ou dicas de leitura da área de Materiais, e sugerir papers, pessoas e temas para as seções do boletim. Escreva para comunicacao@sbpmat.org.br.

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Associe-se à SBPMat: mensagem do presidente.


Caro(a)s sócio(a)s da SBPMat e pesquisadores em materiais.

Estamos iniciando uma campanha para o pagamento antecipado da anuidade de 2017, com um desconto especial para quem o fizer até 31 de março. O motivo desta mensagem pessoal é a de enfatizar a importância de a SBPMat contar com um quadro de sócios numeroso e estável.

Vocês devem ter acompanhado o enorme avanço da SBPMat, que em apenas 15 anos já logrou realizar Encontros científicos de nível internacional, congregando estudantes e cientistas do Brasil, catalisando a cooperação internacional, além de muitas outras iniciativas.
O vigor de nossa Sociedade depende da contribuição de seus membros, primordialmente com sua atuação na pesquisa e participação em nossos Encontros Anuais, mas também com sua incorporação efetiva como sócios. Em qualquer sociedade científica, o quadro de associados é o maior patrimônio. Além da arrecadação de recursos que ajudam na manutenção da sociedade, um quadro de sócios numeroso auxilia na obtenção de patrocínios.

Em nosso site são ressaltados motivos adicionais para se tornarem sócios ou renovarem a anuidade, bem como informações sobre como fazê-lo.

Na expectativa de poder contar com o apoio de todos vocês, despeço-me com um abraço

Osvaldo N. de Oliveira Jr.
Presidente da SBPMAT

Mensagem de Ano Novo.


Nesta mensagem de Ano Novo para a comunidade da SBPMat, no Brasil e no exterior, minha primeira palavra é de agradecimento. A todos que contribuíram para as atividades da SBPMat, principalmente em nosso Encontro Anual realizado no fim de setembro em Campinas. A despeito das dificuldades por que passa o Brasil, tivemos um número expressivo de participantes, de todas as regiões do país e de muitos outros países. Especialmente gratificante foi observar o alto nível científico do Encontro, que já se torna uma tradição de nossa Sociedade, e a participação de grande número de estudantes. A atuação vibrante de nossos jovens é a garantia da continuidade da pesquisa de qualidade em materiais.

Também foi alvissareiro acompanhar as conquistas e contribuições de pesquisadores brasileiros em áreas diversificadas da pesquisa em materiais, muitas delas noticiadas em nossos Boletins. É demonstração não só da qualidade de nossa comunidade, mas também de sua resiliência para atravessar momentos difíceis.

Ao desejar saúde e sucesso em 2017 a toda nossa comunidade da SBPMat, tomo a liberdade de transmitir meus votos pessoais, com forte abraço, e desejo de encontrá-los em Gramado, de 10 a 14 de setembro, para o nosso próximo Encontro.

Professor Osvaldo Novais de Oliveira Junior

Presidente da SBPMAT

Aberta a chamada de propostas de simpósio para o XVI Encontro da SBPMat/B-MRS Meeting.


A Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat) está recebendo, até o dia 31 de janeiro, propostas de simpósios temáticos para o XVI Encontro da SBPMat. O evento será realizado de 10 a 14 de setembro de 2017 na turística cidade de Gramado (RS), no centro de eventos FAURGS.

Qualquer pessoa com título de doutor, ligada a instituições de ensino/pesquisa ou empresas do Brasil ou do exterior pode apresentar uma proposta de simpósio em temas da área de Ciência e Tecnologia de Materiais.

As propostas devem ser preenchidas online em http://www.sbpmat.org.br/proposed_symposium/, colocando o título e escopo do simpósio, relação dos temas abrangidos, dados dos organizadores e lista preliminar de palestrantes convidados.

As propostas submetidas serão avaliadas pela comissão de eventos da SBPMat e pelos organizadores do encontro, e submetidas à diretoria da sociedade.

Os simpósios temáticos são o eixo principal da programação dos eventos anuais da SBPMat. No encontro de 2016, realizado em Campinas, foram apresentados mais de 2.000 trabalhos em 22 simpósios, abrangendo a descoberta, fabricação, caracterização e aplicações de diversos tipos de materiais, tais como os nanoestruturados, os biomateriais, as superfícies e interfaces, os orgânicos eletrônicos, as eletrocerâmicas e a nanocelulose, entre muitos outros.

O site do evento será lançado e divulgado em breve.

Boletim da SBPMat – edição 51.


 

Saudações %primeiro_nome%!

Edição nº 51 – 30 de novembro de 2016 

Notícias da SBPMat (B-MRS)

XVI Encontro da SBPMat/B-MRS Meeting

Cidade: Gramado (RS)

Data definitiva: 10 a 14 de setembro de 2017 (e não 24 a 28, como informado anteriormente).

Chamada de propostas de simpósio: Pesquisadores com título de doutor ligados a instituições do Brasil ou do exterior podem submeter propostas de simpósio em qualquer tema relacionado à Ciência e Tecnologia de Materiais. A chamada está aberta até 31 de janeiro de 2017. A submissão deve ser feita por meio do formulário online

Acordo SBPMat – E-MRS. Sócios da SBPMat podem ter apoio para participação e organização de simpósios em eventos da sociedade europeia. Saiba mais.
SBPMat em eventos da Ásia. O presidente da SBPMat representou a sociedade em dois eventos da área de Materiais realizados na China. Ele comenta a relação da SBPMat com as sociedades asiáticas e conta como foi o “summit” que reuniu lideranças para discutir o assunto dos materiais para o desenvolvimento sustentável, com foco em materias para construção civil, engenharia oceanográfica, baterias, entre outros temas. Saiba mais. 
Artigo em destaque 

Em artigo publicado na Scientific Reports (Nature), um grupo de pesquisadores de instituições do estado do Paraná reporta a síntese, processamento, caracterização e demonstração de aplicações de filmes de um nanocompósito formado por grafeno e nanopartículas de hidróxido de níquel. A equipe apresenta um método inovador de fabricação do material e mostra que o nanocompósito supera o hidróxido de níquel puro no desempenho em baterias, sensores e eletrocromismo. Veja nossa matéria de divulgação.

Gente da comunidade 
Entrevistamos o cientista argentino Galo Soler Illia, que é um dos pesquisadores mais citados e premiados no país vizinho, além de ser talvez o mais famoso referente em Nanotecnologia entre jornalistas e público leigo. Soler Illia fez contribuições significativas à compreensão do mecanismo de formação de (nano)partículas e à síntese de materiais com porosidade altamente controlada, entre outros assuntos. Atualmente, além de lecionar na UBA e ser pesquisador do CONICET, Soler Illia dirige um instituto de pesquisa e desenvolvimento em nanotecnologia e atua como assessor da Presidência do país vizinho e de várias instituições da Argentina e do Brasil. Saiba mais sobre este cientista argentino e sobre sua intensiva interação com o Brasil.

 

A professora Elvira Fortunato, da Universidade de Nova Lisboa (Portugal), recebeu a Medalha Blaise Pascal 2016 na categoria Ciência dos Materiais no dia 19 de novembro em Bruxelas (Bélgica). O prêmio, outorgado pela Academia Europeia de Ciências (EURASC), foi entregue à professora Fortunato em reconhecimento “à notável originalidade e criatividade da sua pesquisa na área”, na qual fez contribuições como a invenção do transístor de papel e desenvolvimentos em eletrônica transparente. Estabelecido em 2003, o prêmio nunca antes tinha sido outorgado a cientistas portugueses. Elvira Fortunato, que mantém próxima relação com a comunidade de Materiais brasileira, proferiu palestra plenária no Encontro da SBPMat (B-MRS Meeting) deste ano.
História da pesquisa em Materiais no Brasil 

Em dezembro deste ano, o primeiro laboratório do Brasil dedicado ao estudo dos materiais vítreos completa 40 anos, muito satisfeito com suas realizações. Além de gerar uma produção científica de impacto, o laboratório foi essencial na disseminação da ciência, tecnologia e engenharia de vidros no país e, ao mesmo tempo, criou um ambiente de pesquisa internacional na cidade de São Carlos. Descubra de qual laboratório estamos falando e saiba mais sobre sua história e seus resultados. 

Dicas de leitura
  • Sistema baseado em polímero condutor amplia possibilidades de estudo de células e sua interação com o ambiente (divulgação de paper da Advanced Functional Materials). Aqui. 
  • Defeitos de escala atômica no diamante medem campos magnéticos com resolução nano, até em temperaturas muito baixas (divulgação de papers da Nature Nanotechnology). Aqui. 
  • Estudo detalha como ocorre a hidrogenação em grafeno de poucas camadas e as interessantes propriedades que gera (divulgação de paper do Journal of the American Chemical Society). Aqui.
Oportunidades
  • 1º microscópio de feixe triplo de íons da América Latina está no Inmetro e pode ser usado pela comunidade científica. Aqui.
  • Seleção para mestrado e doutorado no PPGCEM-DEMa-UFSCar. Aqui. 
  • Seleção para mestrado e doutorado em Física no PPGFSC-UFSC. Aqui.  
  • Seleção para mestrado e doutorado em Engenharia Biomédica na Univap. Aqui. 
  • Bolsa FAPESP de pós-doutorado no IPEN para pesquisa com células a combustível. Aqui.
Próximos eventos da área
  • I Simpósio Nacional de Nanobiotecnologia; II Workshop de Nanobiotecnologia da UFMG – Avanços & Aplicações. Belo Horizonte, MG (Brasil). 1 a 2 de dezembro de 2016. Site.  
  • V Curso de Análise de Minerais/Minérios pelas Técnicas de DRX e FRX. Fortaleza, CE (Brasil). 5 a 9 de dezembro de 2016. Site. 
  • II Escola de Verão: Desenvolvimento de Fármacos e Medicamentos. Porto Alegre, RS (Brasil). 13 a 17 de fevereiro 2017. Site.
  • 9th International Conference on Materials for Advanced Technologies. Suntec (Cingapura). 18 a 23 de junho de 2017. Site.
  • XVI Encontro da SBPMat/ XVI B-MRS Meeting. Gramado, RS (Brasil). 10 a 14 de setembro de 2017. Chamado de propostas de simpósio.
      
Você pode divulgar novidades, oportunidades, eventos ou dicas de leitura da área de Materiais, e sugerir papers, pessoas e temas para as seções do boletim. Escreva para comunicacao@sbpmat.org.br.
Descadastre-se caso não queira receber mais e-mails.

 

Gente da comunidade: entrevista com o cientista argentino Galo Soler Illia.


Galo Soler Illia.
Galo Soler Illia.

Quantas vocações científicas despertaram, e quantos acidentes domésticos provocaram, os jogos infantis de química experimental, que, até um tempo atrás, não seguiam todas as normas de segurança para brinquedos, hoje obrigatórias? O cientista argentino Galo Juan de Ávila Arturo Soler Illia pertence a esse grupo. Ele conta que seu interesse pela ciência se acendeu (literalmente) com um pequeno incêndio provocado por um jogo de laboratório de Química na casa de seus pais –  dois advogados, militantes da Unión Cívica Radical. Esse era o partido, aliás, do avô de Galo Soler Illia, o Presidente Arturo Umberto Illia, que governou a Argentina de 1963 a 1966, até sofrer um golpe de Estado.

Hoje, Galo Soler Illia pode ser considerado um dos pesquisadores mais conhecidos do país vizinho, tanto na comunidade científica (consta entre os 30 cientistas argentinos melhor posicionados no Google Scholar pelas citações a trabalhos de sua autoria, e já recebeu os principais prêmios nacionais de ciência) quanto entre o público leigo (no campo da Nanotecnologia, ele é um divulgador muito ativo e didático presente em todas as mídias, e costuma ser fonte de informações para os jornalistas argentinos).

Galo Soler Illia nasceu em Buenos Aires em 31 de maio de 1970. Fez seus estudos primários numa escola particular construtivista, o Colegio Bayard. Para cursar os estudos secundários ingressou, em 1983, ao Colegio Nacional de Buenos Aires, instituição pública dependente da Universidad de Buenos Aires (UBA), caracterizada, entre outras coisas, pela alta exigência nos estudos, a riqueza das atividades extracurriculares e uma infraestrutura superior à das outras escolas públicas. Em 1988, formou-se pelo colégio com uma especialização em Ciências. Tanto no ensino primário quanto no secundário teve oportunidade de fazer atividades em laboratórios de ciência.

Entre 1989, Soler Illia começou a cursar a graduação em Ciências Químicas na UBA. Durante a graduação, começou a lecionar no Departamento de Química Inorgânica, Analítica e Química Física da UBA e a fazer pesquisa em um grupo de Química de Materiais e também em um laboratório montado na casa de um amigo. Em 1993, ele obteve o diploma de licenciado em Química, tendo uma média nas avaliações das disciplinas de 9,13/ 10. Na Argentina, a licenciatura habilita o diplomado a realizar todo tipo de atividade profissional na área de formação, inclusive docência e atividades de pesquisa, e o prepara para um ingresso a um curso de doutorado sem passar pelo mestrado.

De 1994 a 1998, Soler Illia realizou o doutorado em Química, também na UBA, sob orientação do doutor em Química Miguel Angel Blesa. Através da pesquisa sobre nanopartículas de hidróxidos metálicos mistos, ele gerou conhecimento sobre o complexo mecanismo de formação de partículas, o qual lhe seria muito útil nas pesquisas que realizou como pós-doc e como pesquisador profissional, voltadas à síntese de materiais com alto controle de suas características. Concomitantemente ao doutorado, continuou lecionando, como assistente, na UBA.

Em 1999, foi morar na França, junto a sua esposa, a também química Astrid Grotewold, e permaneceram no país galo até o ano de 2002. Soler Illia fez um pós-doutorado na Université Pierre et Marie Curie (Paris), com supervisão do doutor Clément Sanchez, contando com uma bolsa com duração de 2 anos do CONICET, principal entidade argentina de apoio à ciência e tecnologia. No pós-doc, o argentino desenvolveu métodos para produzir materiais com porosidade altamente controlada. Desse período, resultaram os artigos de Soler Illia mais citados até o momento, com mais de 1.800 citações em um dos papers, segundo o Google Scholar. No final do período francês, Soler Illia também trabalhou em aplicações de filmes finos mesoporosos para o centro de pesquisa e desenvolvimento da empresa Saint Gobain.

Galo Soler Illia voltou à Argentina no início de 2003, num período em que o país saía de uma enorme instabilidade política que provocou a passagem de 5 pessoas diferentes pela Presidência da República em apenas 11 dias. Além disso, o país ainda estava sob os efeitos da grave crise econômica que tivera seu ápice em 2001. Entretanto, rapidamente, Soler Illia conseguiu ingressar à carreira de pesquisador do CONICET trabalhando na Comisión Nacional de Energia Atómica (CNEA) e, sem perder tempo, fundou o Grupo Química de Nanomateriales, que, até hoje, atua no projeto e obtenção de materiais nanoestruturados. Em 2004, o cientista se tornou, por concurso, professor da UBA, do departamento em que fizera seus estudos de grado e doutorado.

No início de 2015, Soler Illia se tornou diretor do Instituto de Nanosistemas (INS) da Universidad Nacional de San Martín, localizada na área metropolitana de Buenos Aires. O INS se define como um espaço de pesquisa, desenvolvimento e criação interdisciplinar em nanociência e nanotecnologia, cujo objetivo final é resolver problemas prioritários da indústria e da sociedade em geral. No instituto, Soler Illia conta com uma equipe científica multidisciplinar de 4 pesquisadores (mais 4 em 2017), 6 estudantes de pós-graduação e pós-docs e 1 técnico de laboratório, além de uma equipe de gestão formada por 6 profissionais.

Atualmente, além de diretor do INS, Galo Soler Illia é pesquisador principal do CONICET e professor associado da UBA. É membro de conselhos assessores na Fundación Argentina de Nanotecnología (FAN) e no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (Brasil), e membro do conselho editorial do Journal of Sol-Gel Science and Technology (Springer). Além disso, o cientista tem uma coluna de divulgação científica sobre Nanotecnologia no programa televisivo “Científicos Industria Argentina”, que vai ao ar uma vez por semana no canal público argentino. Finalmente, Soler Illia acaba de ser nomeado, neste mês de novembro, membro do Conselho Presidencial Argentina 2030, integrado por intelectuais de diversos campos para assessorar o presidente da Argentina, Mauricio Macri.

Soler Illia, cujo índice h é de 44, possui uma produção de mais de 120 artigos publicados em periódicos científicos internacionais, com cerca de 11 mil citações, segundo o Google Scholar. Já orientou 7 teses de doutorado concluídas e é autor de 2 livros de divulgação sobre nanotecnologia. Também é autor de 4 pedidos de patentes.

Seu trabalho foi reconhecido com uma série de prêmios à ciência, tecnologia, inovação e divulgação científica, entre eles os principais da Argentina, como o Prêmio Houssay 2006 e 2009, da secretaria e depois ministério de ciência e tecnologia argentino; o Prêmio KONEX 2013, da fundação homônima, e o Premio Innovar 2011 e 2016, do Ministerio de Ciencia, Tecnología e Innovação Productiva. Também recebeu distinções da Academia Nacional de Ciencias Exactas, da FAN, da Asociación Argentina de Investigacão Fisicoquímica, do CONICET, das empresa BGH e Dupont, entre outras entidades. Em maio deste ano, Galo Soler Illia foi designado acadêmico titular da Academia Nacional de Ciencias Exactas, Físicas y Naturales, passando a compor um seleto grupo de apenas 36 cientistas.

Segue uma entrevista com o cientista argentino.

Boletim da SBPMat: – Conte-nos o que o levou a se tornar um cientista e a trabalhar no campo dos materiais.

Galo Soler Illia: – Sempre gostei de Química. Comecei com 5 anos, quando ganhei um jogo de Química e, fazendo um experimento, queimei a mesa de jantar da casa dos meus país. Depois, em meus estudos de nível secundário fui um pouco “nerd”, dedicando-me a escrever software para as aulas de Física do meu colégio. Escrever código despertou em mim uma curiosidade por saber como funcionavam as coisas e como os problemas podiam ser resolvidos. Aprendi muitíssimo. Perto do final do ensino secundário, decidi estudar Química, pois achei que era um curso muito versátil e maravilhoso que tinha grandes possibilidades em muitos campos. Nessa época, eu estava muito interessado na Biotecnologia, que era uma área nova. Mas na época em que comecei meus estudos de graduação na Universidade de Buenos Aires (UBA), a área de Química de Materiais começava a surgir. Ainda aluno, comecei a lecionar como ajudante no Departamento de Química Inorgânica, Analítica e Química Física da Faculdade de Ciências Exatas e Naturais, inspirado pelo exemplo de professores jovens e entusiastas que estavam voltando do exterior e geravam uma atmosfera de trabalho e exigência. Junto a meus melhores amigos, instalamos um laboratório em um quarto no terraço da casa de um deles. Ali crescíamos cristais e planejávamos síntese de moléculas. Como passávamos o dia todo na universidade e tínhamos algum tempo libre, eu achei um lugar para trabalhar, sem receber bolsa nem salário, em um grupo de Química de Materiais que acabava de começar. Tudo foi muito rápido e, quase sem perceber, finalizei meus estudos de graduação e iniciei o doutorado, fabricando micropartículas para catalizadores. Foi uma época muito linda da minha vida, da qual conservo minha curiosidade inata, minha vontade de explorar e construir matéria e um maravilhoso grupo de amigos, que se tornaram destacados colegas disseminados pelo mundo todo.

Boletim da SBPMat: – Quais são, na sua própria avaliação, as suas principais contribuições à área de Materiais, considerando todos os aspectos da atividade científica?

Galo Soler Illia: – Sempre me interessou construir materiais, o trabalho do químico de unir átomo com átomo, de fabricar novas arquiteturas. Centrei-me em compreender os fenômenos fisicoquímicos que ocorrem na produção de um material. Quando a gente conhece e compreende esses processos, passa de simplesmente “preparar” um material a poder projetá-lo e sintetizá-lo, por mais complexo que seja. E a gente pode aproveitar as propriedades dos elementos químicos a seu favor para obter as propriedades que a gente deseja. Vou dar três exemplos. Na minha tese, estudei a precipitação e agregação de nanopartículas de hidróxidos metálicos mistos, precursores de catalisadores. Descobrimos um mundo muito interessante e pudemos contribuir na compreensão da complexidade por trás de um mecanismo dinâmico de formação de partículas: a influência dos efeitos estruturais no formato das partículas, a importância da coordenação dos metais na formação de uma fase mista, a evolução da carga superficial e seu efeito na estabilidade de um coloide e muito mais, que me serviu futuramente como base sólida para minha pesquisa. Tive a sorte de poder trabalhar com Miguel Blesa, Alberto Regazzoni y Roberto Candal, três excelentes Mestres que me guiaram, estimularam e corrigiram.

Na minha segunda etapa, trabalhei em Paris, no laboratório de Clément Sanchez, e, usando o que tinha aprendido, pude desenvolver métodos para produzir materiais com porosidade altamente controlada, conhecidos como materiais mesoporosos organizados. Novamente, interessei-me pelos mecanismos de formação do material, que são complexos, pois demandam o controle do crescimento de pequenas espécies inorgânicas e sua automontagem com micelas. É uma pequena sinfonia físico-química, que é necessário aprender a tocar. Tivemos que usar, desenvolver e combinar técnicas de caracterização muito variadas para poder compreender quais fenômenos estavam ocorrendo e como eles controlavam a formação e organização dos sistemas de poros, a estabilidade e cristalinidade dos materiais, que são, entre outras, as variáveis importantes no desempenho final desses sólidos.

Na minha terceira etapa, de volta à Argentina, estabeleci um grupo de pesquisa na Comisión Nacional de Energía Atómica, em Buenos Aires, e me dediquei a construir arquiteturas mais complexas, baseadas em tudo que tinha aprendido. Minhas melhores contribuições nesse sentido se referem ao uso das forças e interações na nanoescala para fabricar nanocompósitos muito variados com propriedades ópticas e catalíticas projetadas e surpreendentes. Tudo isso demandou a criação de novos laboratórios, a formação de recursos humanos e a transferência de ciência básica a tecnologias. Particularmente, nos últimos anos temos trabalhado com empresas e aspiramos a gerar nanotecnologia na Argentina, estendendo os conhecimentos do nosso laboratório à sociedade.

Boletim da SBPMat: – Conte-nos um pouquinho sobre sua interação com o Brasil. Você vem frequentemente ao país para colaborações, eventos, uso de labs, seminários? Tem trabalhos realizados com grupos do Brasil ou em laboratórios brasileiros?

Galo Soler Illia: – Retornei à Argentina em 2003 e, imediatamente, tive como referencia o que estava se gestando no Brasil. Desde aquela época, comecei a desenvolver projetos no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), que é um farol para todos aqueles que trabalhamos em Materiais na América Latina. A interação com o pessoal do síncrotron foi muito importante para podermos caracterizar nossos materiais, e é impressionante ver como as instalações têm melhorado nestes anos. Faz poucos meses, tive a oportunidade de conhecer o prédio do Sirius, que é simplesmente impressionante, e será referência mundial. Também tive a oportunidade de conhecer diversas universidades proferindo cursos e colaborando na formação de graduandos e estudantes de pós-graduação. Além disso, geramos a Escola de Síntese de Materiais, que fazemos em Buenos Aires, e que terá sua oitava edição em 2017. Essa escola foi idealizada para gerar uma comunidade de cientistas latino-americanos com competências na síntese racional de materiais. Começamos com muitos estudantes brasileiros, graças ao apoio da Sociedade Argentino-Brasileira de Nanotecnologia, que depois, infelizmente, parou de funcionar. É muito belo ver como os estudantes de ambos os países trabalham juntos nos laboratórios e discutem e apresentam seus trabalhos em “portunhol”. A partir dessa escola, e com ajuda de vários colegas, estão surgindo redes de colaboração que, sem dúvida, vão nos proporcionar a base tecnológica para fazermos empreendimentos conjuntos de maior porte. Viajo várias vezes por ano ao Brasil e sempre admiro a força do país para impulsionar o desenvolvimento tecnológico local. Espero que, passados estes momentos de dificuldades, possamos continuar crescendo em conjunto.

Boletim da SBPMat: – Sempre convidamos os entrevistados desta seção do boletim a deixarem uma mensagem para os leitores que estão iniciando suas carreiras científicas. O que você diria a esses cientistas juniores?

Galo Soler Illia: – Olhando para atrás, posso fazer três recomendações aos jovens cientistas. Uma é que nunca percam sua imaginação e sua capacidade de se fazerem perguntas; a segunda é que trabalhem duro para encontrar as respostas, e a terceira é que aproveitem as surpresas. Às vezes, a gente está treinado para desenvolver um caminho e uma estratégia e a gente foca no rigor de demonstrar e formalizar o que a gente encontra. Porém, é essencial saber que esse caminho que a gente traça é cheio de cantinhos interessantes, e que, às vezes, um aspecto que não levávamos em consideração nos abre um panorama novo e inexplorado. Dizia Newton que a gente, enquanto científico, é às vezes como uma criança que na praia acha uma concha mais bonita do que outras e é feliz, mas, perante a gente, estende-se o enorme oceano da verdade. Meu conselho é: busquemos incessantemente nossas conchas, curtamos com elas e aproximemo-nos da compreensão das maravilhas do nosso universo. E tenhamos sempre em conta que desenvolver ciência em nosso continente é um belo desafio que vai agregar riqueza a nossos países e bem-estar a nossos irmãos.

Acordo SBPMat (B-MRS) – E-MRS: apoio à participação de sócios da SBPMat nos eventos da E-MRS.


dscn9405 dscn9400Um acordo de cooperação assinado pela SBPMat e a sociedade de pesquisa em Materiais da Europa (E-MRS) promove a colaboração científica entre pesquisadores do Brasil e da Europa e, em particular, incentiva a participação de membros da SBPMat nos eventos da E-MRS e de membros da E-MRS nos encontros da SBPMat.

“Segundo o acordo, sócios da SBPMat podem ser organizadores de simpósios do Encontro da E-MRS, função bastante prestigiosa para qualquer pesquisador, recebendo para tanto inclusive incentivo financeiro”, detalha o professor Osvaldo Novais de Oliveira Junior, presidente da SBPMat. “Além disso, estudantes e pós-doutorandos sócios da SBPMat podem a cada ano concorrer a apoio para apresentação de trabalho no Encontro da E-MRS na Europa”, completa.

O acordo foi assinado em Campinas (SP) no dia 29 de outubro deste ano, durante o encerramento do XV Encontro da SBPMat, pelo presidente da SBPMat e pelo professor Rodrigo Martins, que representou a sociedade europeia enquanto ex-presidente da mesma.

História da pesquisa em Materiais no Brasil: 40 anos do primeiro laboratório de pesquisa em vidros do Brasil.


box-lamavO primeiro laboratório do Brasil dedicado ao estudo dos materiais vítreos completa 40 anos neste mês de dezembro de 2016. Esse laboratório, que iniciou suas atividades com apenas um forninho tipo mufla de até 1.100 °C, hoje possui 18 fornos, 4 dois quais chegam aos 1.750 °C, e mais três dezenas de equipamentos de fabricação e caracterização de vidros distribuídos em 500 m2. O aniversariante em questão é o LaMaV (Laboratório de Materiais Vítreos), do DEMa (Departamento de Engenharia de Materiais) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

No 40º aniversário do LaMaV, a equipe se manifesta plenamente satisfeita com suas realizações [veja box ao lado]. O trabalho pioneiro do laboratório foi essencial na geração, disseminação e aplicação no país do conhecimento científico sobre vidros, tanto no meio acadêmico quanto na indústria. “Formamos aproximadamente uma centena de mestres, doutores e pós-docs, que hoje trabalham como professores e pesquisadores em instituições importantes como a USP, UFSCar, ITA, UEPG, UEMa, UFBa, PUC, IPT, CEFET, UFF, UNESP, UFLavras, UFABC, CTA, UNIOESTE e outras no Brasil e exterior, e em inúmeras empresas. Este é um legado importantíssimo! ”, destaca Edgar Dutra Zanotto, um dos fundadores da SBPMat e da revista Materials Research, que fundou o LaMaV e o lidera até o presente.

Mas os esforços e resultados do LaMaV vão além das fronteiras nacionais e se caracterizam por sua internacionalidade. O laboratório já recebeu estudantes e professores visitantes de dezenas de países. Sua equipe trouxe ao Brasil os mais importantes congressos internacionais sobre vidros, participa dos conselhos editoriais de quase todas as principais revistas científicas especializadas em materiais vítreos e recebeu 7 dos mais prestigiosos prêmios e honrarias internacionais da área – além de mais de 20 prêmios nacionais, incluindo o prêmio Almirante Álvaro Alberto*. As pesquisas do grupo, principalmente aquelas sobre nucleação e cristalização de vidros e vitrocerâmicas, são mundialmente reconhecidas. “Significativa fração dos pesquisadores ativos desta área já ouviu falar, assistiu uma palestra ou leu um artigo ou patente resultante das nossas pesquisas. Certamente colocamos a cidade de São Carlos e o Brasil no mapa mundial da pesquisa em vidros! ”, diz Zanotto.

Atualmente, o LaMaV atua intensamente nos temas de cristalização de vidros, processos de relaxação estrutural e de tensões residuais, vitrocerâmicas, biomateriais, além de propriedades mecânicas, reológicas, elétricas e bioquímicas dos materiais vítreos. “Hoje temos um ótimo laboratório e um excelente financiamento, principalmente da FAPESP, mas também da Capes, CNPq e algumas empresas. Entretanto, a enorme burocracia das agências de fomento relativa à aquisição de materiais e equipamentos e na prestação de contas, as incertezas relativas ao futuro das universidades (por exemplo, PEC 55 e outras), aliadas à escassez de secretárias, técnicos e engenheiros (lab managers) que auxiliem na organização e manutenção dos laboratórios, sempre foram e continuam sendo empecilhos formidáveis”, pondera Zanotto.

A história

Tudo começou em 15 de dezembro de 1976, quando Zanotto foi contratado como professor auxiliar pelo DEMa-UFSCar com o intuito principal de iniciar o trabalho de pesquisa sobre vidros no departamento.  Em 1970, tinha sido lançado o primeiro curso do Brasil (e da América Latina) de graduação em Engenharia de Materiais e, dois anos depois, o DEMa tinha sido criado. Em 1976, o departamento já contava com grupos de pesquisa em metais, polímeros e cerâmicas, mas ninguém trabalhava ainda com vidros, lembra Zanotto, atualmente professor titular do DEMa-UFSCar. “A criação do LaMaV foi uma consequência natural do estabelecimento do curso de graduação em Engenharia de Materiais na UFSCar”, diz o professor.

Nesse fim de 1976, Edgar Zanotto era um engenheiro de materiais recém-formado (pela própria UFSCar), que acabara de concluir um trabalho de iniciação científica sob a orientação do professor visitante Osgood James Whittemore, da Universidade de Washington (EUA), pesquisador da área de materiais cerâmicos. “Minha pesquisa de IC, realizada naquele ano, focalizou a durabilidade química (lixiviação) de vidros candidatos ao encapsulamento de resíduos radioativos”, relata Zanotto. “E, pasme, este assunto ainda é “quente”! ”, completa.

Assim que foi contratado, Zanotto criou o LaMaV. Os primeiros experimentos, realizados pelo próprio Zanotto, consistiam em fundir vidros de baixo ponto de fusão, usando o forno tipo mufla e um cadinho (recipiente que pode ser usado em altas temperaturas) de platina, emprestado do laboratório de análises químicas da universidade.

Em 1977, o fundador do LaMaV iniciou o mestrado em Física no Instituto de Física e Química de São Carlos (IFQSC) da USP, sob a orientação do professor Aldo Craievich, que era, provavelmente, o único cientista atuante na área de vidros antes de 1976. De fato, ele é o autor dos dois primeiros artigos científicos sobre vidros assinados por pesquisadores de instituições brasileiras, ambos publicados em 1975. Durante o mestrado, Zanotto produzia vidros e os tratava termicamente (para gerar cristalização) no LaMaV, fazia averiguação por microscopia no laboratório de metalurgia do DEMa, e caracterizava os vidros por DRX e SAXS no IFQSC da USP. Em um ano e meio de mestrado, Zanotto terminou seu trabalho de pesquisa e defendeu a dissertação. No mesmo ano, ele iniciou o doutorado, também na área de vidros, na Universidade de Sheffield (Reino Unido), com orientação do famoso professor Peter James. Em 1982, Zanotto voltava ao LaMaV com doutorado defendido.

“Nos 10-15 anos iniciais, o trabalho isolado, a inexperiência e as incertezas e dificuldades associadas ao financiamento inconstante das pesquisas, mais o reduzido espaço físico e pouca infra laboratorial atrapalharam as nossas atividades”, relata Zanotto. Cerca de uma década depois da criação do laboratório, foi contratado o segundo professor do grupo, Oscar Peitl Filho, ex-orientado de mestrado e doutorado de Zanotto. Alguns anos depois, Ana Candida Martins Rodrigues se tornou a terceira professora da equipe do LaMaV. Finalmente, em 2013, Marcello Andreeta foi contratado. “Hoje somos 4 professores, 1 técnico, 1 assistente administrativa e cerca de 30 alunos de pesquisa e post-docs, 7 de outros países”, diz Zanotto.

O ano de 2013 foi um marco na história do LaMaV, devido à aprovação e início de atividades do CeRTEV (Center for Research, Technology and Education in Vitreous Materials), um CEPID da FAPESP. Dirigido por Zanotto, o CeRTEV reúne o LaMaV (sede do centro) e outros laboratórios da UFSCar, USP e UNESP, para realizar pesquisa, desenvolvimento e atividades de educação na área de materiais vítreos, contando com financiamento da FAPESP até 2024. “Com o CeRTEV, estabelecemos um dos maiores grupos de pesquisa acadêmicos deste planeta sobre vidros, com infraestrutura de nível internacional, 14 professores e cerca de 60 alunos de pesquisa! “, comemora Zanotto.

“Apenas divagando, se eu pudesse retornar a dezembro de 1976, com a experiência acumulada nesses 40 anos, acho que faria tudo novamente, mas mais eficientemente! ”, expressa o fundador do LaMaV.

Estudantes de doutorado de 28 países participam da "Glass and glass-ceramics school" no LaMaV em agosto de 2015.
Estudantes de doutorado de 28 países participam da “Glass and glass-ceramics school” no LaMaV em agosto de 2015.

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*Veja também nossa entrevista com o professor Edgar Dutra Zanotto, realizada em abril de 2013, na ocasião do Prêmio Almirante Álvaro Alberto, aqui.