Gente da comunidade: entrevista com o cientista Adalberto Fazzio, diretor do LNNano.


Prof. Adalberto Fazzio
Prof. Adalberto Fazzio

Desde abril deste ano, o Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano) do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) é dirigido pelo cientista Adalberto Fazzio, 66 anos, natural de Sorocaba.

Há mais de quatro décadas dedicado a estudar materiais por meio de ferramentas computacionais, Adalberto Fazzio foi pioneiro no Brasil no uso de cálculos ab initio, hoje amplamente utilizados no estudo de propriedades dos materiais, e fez significativas contribuições à compreensão de metais de transição, sistemas amorfos, filmes finos de ouro (Au) e prata (Ag), nanoestruturas de carbono, silício e isolantes topológicos, entre outros materiais. Para isso, Fazzio tem contado com seu grupo de pesquisa no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), conhecido como SAMPA (acrônimo de “Simulações Aplicadas a Materiais: Propriedades Atomísticas”), e com vários colaboradores do Brasil e do exterior, tanto teóricos quanto experimentais.

Formado em Física na graduação e pós-graduação, Adalberto Fazzio cursou o bacharelado (1970-1972) e o mestrado (1973-1975) na Universidade de Brasília (UnB) e o doutorado (1975-1978) na USP.

Fazzio tornou-se professor do Instituto de Física da USP em 1979, pouco depois de terminar o doutorado. Em 1985 obteve o título de livre-docente dessa universidade e, em 1991, o cargo de professor titular. Em maio de 2015, aposentou-se da USP.  Foi pesquisador visitante no National Renewable Energy Laboratory (Estados Unidos) de 1983 a 1984 e no Fritz-Haber-Institut der Max-Planck-Gesellschaft (Alemanha) de 1989 a 1990. Também foi professor visitante sênior na Universidade Federal do ABC (UFABC) em 2016.

Ao longo de sua trajetória, Fazzio ocupou diversos cargos de gestão. Citando apenas alguns deles, foi presidente da Sociedade Brasileira de Física (SBF) de 2003 a 2007; reitor pro tempore da UFABC de 2008 a 2010; coordenador geral de micro e nanotecnologias da Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em 2011; secretário adjunto na Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI de 2011 a 2013, e diretor do Instituto de Física da USP de 2014 a 2015.

Entre outras distinções, recebeu a comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico em 2006 e, em 2010, foi promovido à classe de Grã-Cruz. Além disso, foi eleito fellow da TWAS (The World Academy of Sciences) em 2013. É membro de diversas sociedades científicas, como a Academia Brasileira de Ciências e a Academia de Ciências do Estado de São Paulo no Brasil, e a American Physical Society, American Chemical Society e Materials Research Society nos Estados Unidos.

Bolsista de produtividade 1 A do CNPq, Fazzio é autor de mais de 270 artigos publicados em periódicos científicos indexados. Sua produção científica conta com cerca de 8000 citações, de acordo com o Google Scholar. Orientou aproximadamente 40 trabalhos de mestrado e doutorado.

Segue uma entrevista com o cientista.

Boletim da SBPMat: –  Conte-nos o que o levou a se tornar um cientista e, em particular, a atuar na área de Física da Matéria Condensada.

Adalberto Fazzio: – Quando terminei meu curso de Física na Universidade de Brasília, em 1972, conheci o professor José David Mangueira Vianna, que havia chegado da Suíça com muitos projetos sobre Física Molecular. Na época falávamos de Química Quântica. Apresentou um projeto de mestrado que era um melhoramento nos modelos semi-empíricos baseado no método de Hartree-Fock. Devido à baixa capacidade computacional existente naquele tempo, esses métodos originários da aproximação ZDO (Zero Differential Overlap) eram os mais utilizados para desvendar as propriedades eletrônicas de moléculas. Após meu mestrado, fui ao Instituto de Física da USP no grupo dos professores Guimarães Ferreira e José Roberto Leite (meu orientador de doutorado), mudando das moléculas para os sólidos e do Hartree-Fock para o DFT (Density Functional Theory). Nesse momento virei um Físico de Matéria Condensada em um Departamento de Física dos Materiais criado pelo prof. Mário Schemberg. Minha tese foi sobre impurezas profundas em semicondutores (deep levels). É importante observar que estávamos em 1976 e a questão era como tratar um cristal que perdeu a sua simetria translacional. Enfim, desenvolvi um modelo, ”Modelo de Cluster Molecular para Impurezas em Semicondutores Covalentes”.

Boletim da SBPMat: –  Quais são, na sua própria avaliação, as suas principais contribuições à área de Materiais? Gostaríamos de pedir que você vá além da enumeração de resultados e descreva brevemente as contribuições que considera de mais impacto ou mais destacadas. Ao refletir sobre sua resposta, sugerimos que considere todos os aspectos da atividade científica. Fique à vontade para compartilhar referências de artigos e livros, se pertinente.

Adalberto Fazzio: – Sempre que pensamos nas principais contribuições em uma determinada área, olhamos para os artigos mais citados, que nem sempre coincidem com os artigos que os autores esperariam que fossem os mais citados. Mas vou tentar fazer uma breve descrição de alguns temas nos quais acho que dei uma contribuição que se destacou. No estudo de defeitos e impurezas em semicondutores, destaco o estudo de metais de transição (MT) em semicondutores. Na época – até 1984 -, havia uma riqueza de dados experimentais referente à posição dos níveis de impurezas no gap e às excitações óticas de toda linha dos MT-3d. E os cálculos teóricos baseados em uma teoria de campo médio não explicavam esses dados. Quando estava em meu pós-doc no NREL (National Renewable Energy Laboratory) em 1983/84, desenvolvemos um modelo para a descrição dos dados experimentais. Era um modelo que acoplava a teoria de campo cristalino com DFT, que descrevia efeitos de multipletos oriundos das impurezas de MT. Foram vários artigos publicados aplicando este modelo. No Phys. Rev. B 30, 3430 (84) o modelo é apresentado em detalhes. Esse trabalho foi em colaboração com os pesquisadores Alex Zunger e Marilia Caldas. E esses resultados levaram a uma letter no Appl. Phys. Lett. (1984) que seria de grande interesse para os físicos experimentais, cujo título foi “A Universal trend in the binding energies of deep impurities in semiconductors”. Uma grande mudança nesta área ocorre no final da década de 80, com os cálculos de “Large Unit Cell”, método DFT e pseudo potenciais. Hoje chamamos simplesmente de “métodos ab initio” ou “parameters free”. Acompanhando esse desenvolvimento, na época, eu estava no Instituto Max Planck, em Berlim, trabalhando com Matthias Scheffler. Com meus alunos de doutoramento (T. Schmidt e P. Venezuela), fomos pioneiros no Brasil no uso desse tipo de metodologia, até hoje amplamente utilizada. Depois desses trabalhos, comecei a trabalhar com sistemas amorfos. Como podíamos trabalhar agora com sistemas contendo uma célula unitária de muitos átomos, decidimos acoplar os cáculos ab initio utilizando estruturas geradas por simulações de Monte Carlo. Destaco dois trabalhos: um em a-SiN (PRB, 58, 8323 (1998)) e a-Ge:N (PRL 77, 546 (96)).

Já no final da década de 90, no LNLS, o professor Daniel Ugarte executava belos experimentos com HTEM, onde observava em filmes finos de Au e  Ag a formação de cadeias lineares de átomos. Nosso grupo na USP, em cooperação com Edison Zacarias da UNICAMP, iniciou estudos para entender a formação das cadeias lineares de átomos de Au. Algumas das perguntas eram como essas cadeias se rompem e como poderíamos explicar as grandes distâncias que apareciam entre os átomos. Foi um momento muito rico, essa interação experimento-teoria. Vários trabalhos foram publicados, um bastante citado “How do gold nanowire break?” (PRL 87, 196803 (2001)). Esse trabalho foi capa do PRL e destaque pelo editor da Science. E, posteriormente, mostramos como o oxigênio atua para prender os átomos de Au nos fios (PRL 96, 01604 (2006)) e quais são os efeitos da temperatura e os efeitos quânticos na ruptura e estabilidade dos fios, importantes aspectos para entender as observações experimentais (PRL 100, 0561049 (2008)).

No mesmo período, no nosso grupo na USP, focamos o estudo de nanoestruturas de carbono, silício, etc. Embora tínhamos fortes ferramentas para a descrição das propriedades eletrônicas, magnéticas, ópticas e mecânicas, para o entendimento dos materiais faltavam as propriedades de transporte eletrônico. Nesse contexto, desenvolvemos um código computacional baseado na teoria de Landauer-Büttiker. Esse código envolveu vários alunos de doutorado, e é conhecido como TRANSAMPA. E, na minha opinião, vários trabalhos importantes foram feitos para melhor entender o comportamento das propriedades de transporte eletrônico. Para exemplificar, fomos pioneiros em descrever o transporte em fitas de grafeno dopadas (PRL 98,196803 (2007)). Aqui também vale a pena destacar a colaboração com o prof. Alexandre Reilly do IFT (Instituto de Física Teórica da UNESP), que na época era pós-doc, para um melhoramento muito importante nesse código, que permitiu tratar materiais com as dimensões realísticas utilizadas nos experimentos. Em 2008, em um trabalho intitulado ”Designing Real Nanotube-based Gas Sensor” (PRL 100, 176803), mostramos como os nanotubos podem funcionar como sensores de tamanhos realísticos, com defeitos. Usando cálculos de primeiros princípios, podíamos ter sistemas de dimensões micrométricas ao nosso alcance.

Atualmente, minha pesquisa está mais voltada para a busca de dispositivos formados por materiais 2D cuja interface é construída por interações prioritariamente van der Waals. Por exemplo, recentemente, como o grafeno, foi isolado um novo material 2D a partir da exfoliação do black-fosforo chamado fosforeno. Estudamos a interface grafeno/fosforeno (PRL 114, 066803(20015)), mostrando como é possível construir um dispositivo.

Outra classe de materiais que venho trabalhando são os badalados isolantes topológicos. Um Isolante Topológico (TI) é um material que apresenta estados sem gap de energia “nas bordas” e cujo “bulk” é isolante! Estes estados são topologicamente protegidos e robustos contra perturbações. No caso de materiais bidimensionais (2D), são conhecidos como isolantes que apresentam Quantum Spin Hall (QSH). O espalhamento em estados da borda é protegido por simetria de reversão temporal (TR), levando a um transporte eletrônico sem dissipação de energia. Juntamente com o grupo da UFU, em 2011, mostramos como as impurezas magnéticas em isolantes topológicos têm sua textura de spin modificada (PRB 84, 245418 (2011)). Recentemente, em colaboração com o grupo do prof. Zhang do Rensseler Polytecnic Institute, apresentamos um modelo geral para a descrição da interface topologico/trivial. No caso, mostramos, como exemplo, a interface do Bi2Se3/GaAs. Havia réplicas do cone de Dirac que surgiam da interação na interface incluindo estados do semiconductor (Nature Comm. 6, 7630(2015)). O fosforeno é um material 2D que tem propriedades semicondutoras. Em cooperação com o grupo do prof. Alez Zunger, da University of Colorado, estudamos esse material sob ação de um campo elétrico e mostramos que para três ou quatro camadas de fosforeno, sob a ação do campo, este apresenta uma transição topológica (NanoLett. 15, 1222 (2015)).

Finalmente, gostaria de salientar uma atividade que estou iniciando, que é a utilização de técnicas de Machine-Learning para propriedades de materiais. Em particular, tenho focado os isolantes topológicos. Enfim, como disse no início, ao mencionar os trabalhos de maior impacto certamente deixei muitos de fora.

Quanto a contribuições de outros tipos, construí junto com José Roque um grupo muito produtivo no IF-USP, conhecido como SAMPA (Simulação Aplicada a Materiais – Propriedades Atomísticas) onde formamos inúmeros doutores e mestres, e com vários pós-docs. Posso dizer que tudo isso foi possível graças principalmente ao apoio da Fapesp, via projetos temáticos. Fui chefe do departamento de Física dos Materiais, Diretor do IFUSP e Reitor pro tempore da Universidade Federal do ABC. Do ponto de vista de gestão, gostaria de destacar minha passagem pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, onde fui sub-Secretário da Setec (Secretaria de Inovação Tecnológica) e da SCUP (Secretaria das Unidades de Pesquisa). E me orgulho de ter coordenado a criação da Iniciativa Brasileira de Nanotecnologia, onde um dos braços é o sistema SISNANO – um conjunto de laboratórios dedicados a pesquisa e desenvolvimento tecnológicos.

Também escrevi dois livros que vêm sendo adotados: “Introdução à Teoria de Grupos: aplicada em moléculas e sólidos”, em conjunto com Kazunori Watari e “Teoria Quântica de Moléculas e Sólidos”, em conjunto com José David Vianna e Sylvio Canuto.

Boletim da SBPMat: –  Você acaba de assumir a direção do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano). Compartilhe com a comunidade de Materiais seus planos para o LNNano. Como você enxerga o cenário da pesquisa em nanociência e nanotecnologia no Brasil frente aos mais recentes cortes orçamentários?

Adalberto Fazzio: – Assumi a direção do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), um dos quatro Laboratórios Nacionais do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), há duas semanas. Esse é um laboratório de reconhecida excelência, dedicado à produção de conhecimento em nanotecnologia, passando da ciência básica à inovação tecnológica.

Fiquei muito contente e espero poder dar continuidade aos trabalhos dos pesquisadores que estiveram à frente do LNNano e que me antecederam, como Daniel Ugarte, Fernando Galembeck e Marcelo Knobel. Esse é o laboratório que mantém um contrato de gestão com o MCTIC integralmente dedicado à nanotecnologia.  Este tem como uma das suas missões o atendimento aos usuários externos através de equipamentos abertos. Como exemplo, o parque de microscopia eletrônica e de sondas é certamente o mais equipado da América Latina. O LNNano é o principal executor das políticas governamentais na área. Temos uma intensa atividade de pesquisas orientadas por missão in-house, com trabalhos de impacto. Atualmente estamos fazendo pequenas reestruturações para melhor atender os usuários externos e fortalecer as pesquisas em andamento.

A plataforma nanotecnológica tem angariado recursos consideráveis em todos países desenvolvidos do mundo. Por exemplo, o governo americano tem colocado anualmente algo da ordem de US$ 1.8 Bi. Infelizmente, no Brasil, temos tido dificuldades mesmo para dar continuidade a programas bem mais modestos. Entretanto, a comunidade tem respondido com muita competência com o desenvolvimento de produtos nanotecnológicos. Hoje, por exemplo, ancoradas no sistema SISNANO, temos cerca de 200 empresas buscando inovação na área de Nano; e, em particular, a atuação do LNNano tem sido de destaque.

O que não podemos é todo ano nos depararmos com cortes orçamentários em ciência e tecnologia. Estamos vivendo um momento muito delicado em nossa economia, com baixo crescimento, mas é imperioso preservar as conquistas obtidas nas últimas décadas no campo da ciência e tecnologia. Os programas na área de pesquisa e desenvolvimento tecnológico devem ser preservados. Pois, quando a crise passar, o país deve estar preparado para continuar crescendo. E, portanto, é fundamental continuar gerando novos conhecimentos, buscando a inovação tecnológica e formando recursos humanos qualificados. Ou seja, a desaceleração da economia não deve ser acompanhada com cortes no investimento em pesquisa e desenvolvimentos tecnológicos.

Boletim da SBPMat: –  Deixe uma mensagem para os leitores que estão iniciando suas carreiras científicas.

Adalberto Fazzio: – O que temos de mais rico em nosso país é o capital humano. O Brasil tem uma população grande de jovens que muitas vezes ficam no meio do caminho, em suas carreiras científicas e tecnológicas, por não vislumbrarem no horizonte um reconhecimento e um respeito a uma atividade fundamental, que é a busca pelo conhecimento. Aqueles que buscam a carreira científica devem ser perseverantes e bastante dedicados aos estudos.

Gente da comunidade: entrevista com o pesquisador Angelo Fernando Padilha.


Prof. Angelo Fernando Padilha (USP).
Prof. Angelo Fernando Padilha (USP).

Angelo Fernando Padilha nasceu no dia 30 de agosto de 1951 em Novo Horizonte, uma pequena cidade do estado de São Paulo. Cursou o ensino primário e os primeiros anos do secundário (o então chamado “ginásio”) na cidade natal e, aos 16 anos, mudou-se para São Carlos, a uns 170 km de Novo Horizonte, para fazer o “curso científico”, que abrangia os últimos três anos do ensino secundário e oferecia ao aluno uma formação com ênfase maior do que no “curso clássico” nas disciplinas de Matemática, Física, Química e Biologia.

Em 1970, ingressou no curso de graduação em Engenharia de Materiais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que acabara de ser criado. Formou-se em 1974. No ano seguinte, realizou uma especialização em Ciência e Tecnologia Nucleares da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), oferecida no Instituto de Energia Atômica (IEA), atual Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), na cidade de São Paulo. No mesmo ano, ele começou a trabalhar no IEA com pesquisa e desenvolvimento de materiais para reatores nucleares. Também em 1975, Padilha iniciou o mestrado em Engenharia Metalúrgica da Universidade de São Paulo (USP), o qual concluiu em 1977 com a aprovação da sua dissertação sobre recuperação e recristalização em uma liga de alumínio.

Em 1978, ainda vinculado ao IEA, iniciou o doutorado em Engenharia Mecânica na Universität Karlsruhe, atual Karlsruher Institut für Technologie (KIT), Alemanha, obtendo o diploma de Doktor-Ingenieur em 1981 após a defesa de sua tese sobre precipitação em um aço inoxidável, utilizado no elemento combustível do reator rápido regenerador (fast breeder reactor) alemão SNR300. No ano seguinte, no Max Planck Institut für Metallforschung, na cidade alemã de Stuttgart, Padilha fez uma especialização de três meses em Ciência dos Materiais na qual estudou diagramas de fases envolvendo metais refratários.

De 1984 a 1986, além de desenvolver atividades de pesquisa no IPEN, atuou como docente no curso de graduação em Engenharia Metalúrgica da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

De 1987 a 1988, realizou um pós-doutorado na Ruhr Universität Bochum (RUB), na Alemanha.

Em 1988, depois de passar 13 anos trabalhando no IPEN, Angelo Padilha tornou-se docente do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Escola Politécnica da USP (EPUSP). Na Politécnica fez a livre-docência em 1989, e, em 1993, foi aprovado em concurso de professor titular.

No ano 1993, voltou à RUB, na Alemanha, para realizar uma especialização em aços inoxidáveis dúplex. Em 1998, realizou um segundo pós-doutorado, na University of Wales Swansea, hoje Swansea University, no Reino Unido.

De julho de 2011 a novembro de 2015, foi cedido pela USP para exercer cargos diretivos em entidades ligadas ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), atualmente de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Nesse período, foi presidente e presidente da comissão deliberativa da CNEN, presidente da Rede Nacional de Fusão (criada em 2006 para coordenar e ampliar a pesquisa em fusão nuclear no Brasil) e presidente do conselho de administração de duas empresas do segmento nuclear vinculadas ao MCTI, a Nuclebrás Equipamentos Pesados (NUCLEP) e a Indústrias Nucleares do Brasil (INB). Além disso, foi membro do comitê de coordenação dos fundos setoriais e, de 2012 a 2014, membro do conselho técnico-científico do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF).

É autor de mais de 100 artigos publicados em periódicos científicos indexados e cerca de vinte livros e capítulos de livros, como o conhecido livro didático “Materiais de Engenharia”. Sua produção acadêmica conta com, aproximadamente, 2.800 citações, segundo o Google Scholar. Já orientou 25 dissertações de mestrado e 24 teses de doutorado.

Ao longo da sua trajetória profissional, Padilha recebeu uma série de distinções da Presidência da República, Marinha do Brasil e Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais (ABM), entre outras entidades.

Atualmente, Angelo Padilha é professor titular da EPUSP, onde ministra disciplinas na graduação e pós-graduação e desenvolve pesquisas sobre metais. Ele é membro titular da Academia de Ciências do Estado de São Paulo desde 2012 e bolsista de produtividade do CNPq de nível sênior (nível outorgado a cientistas ativos na pesquisa e formação de recursos humanos que tenham sido bolsistas de nível 1 A ou B por, no mínimo, 15 anos). Seu índice h é de 27, de acordo com o Google Scholar.

Segue uma entrevista com o pesquisador.

Boletim da SBPMat: – Conte-nos o que o levou a estudar Engenharia de Materiais na primeira turma de Engenharia de Materiais da América Latina (UFSCar, 1970-1974) e a se tornar um pesquisador da área.

Angelo F. Padilha: – Durante o curso ginasial, eu já havia decidido ser engenheiro, mas não tinha clareza sobre que modalidade de Engenharia escolheria. Concluído o ginásio em minha cidade natal (Novo Horizonte, SP), fui para São Carlos, fazer o curso científico. São Carlos foi essencial para a minha formação. A cidade oferecia tudo que um garoto de 16 anos e distante dos pais poderia desejar! No meio estudantil, fervilhavam cultura, debate e rebeldia. Estou falando do início de 1967. O período pior do regime militar iniciado em 1964 ainda estava por vir.

Fui alertado da criação de um curso de Engenharia de Materiais em São Carlos por uma tia, que havia lido um artigo ou uma entrevista do professor Sérgio Mascarenhas no jornal da cidade e ficara impressionada. Foi a primeira vez que ouvi falar desta modalidade de Engenharia. O exame de ingresso foi instigante, muito diferente dos vestibulares da época. Fui muito bem classificado e fiz matrícula. A primeira turma de Engenharia de Materiais da UFSCar era composta de 50 alunos: 2 garotas e 48 rapazes. A universidade foi instalada em uma fazenda de mais de 200 alqueires, pouco distante da cidade. As instalações iniciais foram adaptadas. O ambiente era calmo e acolhedor. Hoje, posso avaliar melhor do que podia à época e estou convencido de que o curso como um todo foi excelente. Ofereceu-nos uma base científica consistente e moderna. A proporção de aulas experimentais foi a mais elevada que tenho conhecimento, para um curso de engenharia. Graças à base científica e tecnológica adquirida nos cinco anos de UFSCar, pude aproveitar bem o mestrado em Engenharia Metalúrgica na Escola Politécnica e depois o doutorado na faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade de Karlsruhe. Grande parte da nossa turma fez pós-graduação, em universidades de primeira linha do Brasil e do exterior.

Boletim da SBPMat: – Quais são, na sua própria avaliação, as suas principais contribuições à área de Materiais? Descreva brevemente as contribuições de mais impacto ou mais destacadas considerando todos os aspectos da atividade científica.

Angelo F. Padilha: – A área de Materiais fez muito mais por mim do que eu fiz por ela. Nunca trabalhei na fronteira do conhecimento, tampouco procurei nichos científicos. Procuro utilizar conceitos científicos modernos e técnicas experimentais avançadas para estudar, entender e aperfeiçoar materiais tradicionais e amplamente utilizados, tais como aços e ligas de alumínio. Por exemplo, meu artigo (em coautoria com Paulo Rangel Rios) mais lido e citado é um trabalho de revisão, publicado em 2002 e aborda a microestrutura de aços inoxidáveis austeníticos; um material descoberto em 1911 e ainda bastante utilizado.

Encaro como uma obrigação agradável escrever livros técnicos em português. Publiquei meu primeiro livro, sobre técnicas de análise microestrutural, em coautoria com Francisco Ambrózio Filho, em 1985. Sinto-me gratificado ao ver meus livros espalhados por várias bibliotecas do país. Embora sejam todos muito simples, são lidos e até citados.

Gosto muito da atividade docente, tive muitas centenas, talvez milhares, de alunos e dezenas de orientados. Até hoje sinto prazer em orientar estudantes e em dar aulas de Ciência dos Materiais no primeiro ano da Poli e de disciplinas mais específicas nos anos finais da graduação e na pós-graduação. Considero a interação com a indústria essencial para um professor e pesquisador da área de Engenharia. Mais da metade dos trabalhos que orientei foram em cooperação com a indústria.

Boletim da SBPMat: – Você tem uma significativa trajetória de pesquisa e gestão em instituições do segmento da energia nuclear. Quais são, na sua visão, os desafios da pesquisa em Materiais para área nuclear?

Angelo F. Padilha: – Meu primeiro emprego como engenheiro foi na área nuclear, na Coordenadoria de Ciência e Tecnologia de Materiais (CCTM) do Instituto de Energia Atômica (IEA), hoje IPEN-CNEN. O grupo foi criado e era liderado pelo Professor Shigueo Watanabe. Era composto de cerca de 50 pessoas, quase todos físicos do estado sólido. A convivência com eles foi para mim uma escola importante.

As aplicações da tecnologia nuclear contemplam não apenas a geração de energia núcleo-elétrica, mas também numerosas aplicações na indústria, na medicina, na agricultura, além da propulsão nuclear. Por exemplo, o número de pessoas que já se beneficiaram dos radio-fármacos produzidos no IPEN é comparável ao número de pessoas que se beneficiam da energia elétrica gerada pelos reatores instalados em Angra dos Reis.

Quase todos os materiais utilizados na construção de um reator nuclear, ou de um submarino de propulsão nuclear, ou até mesmo de uma centrífuga para enriquecimento isotópico de urânio são materiais que não foram desenvolvidos para estas aplicações. Na década de 1950, quando os norte-americanos construíram o primeiro reator nuclear para geração de energia núcleo-elétrica e o primeiro submarino de propulsão nuclear, em termos de materiais, eles precisaram desenvolver principalmente a tecnologia do urânio e do zircônio. Centenas de outros materiais indispensáveis para as aplicações mencionadas já eram disponíveis ou precisaram tão somente de alguma adaptação.

Por outro lado, as tecnologias nucleares apresentam algumas características especiais: i) são dominadas por poucos países; ii) muitas delas não podem ser adquiridas no mercado; iii) existe pouca cooperação internacional, especialmente nas tecnologias nucleares sensíveis; iv) são tecnologias complexas e exigem uma grande quantidade de recursos humanos e econômicos para serem desenvolvidas; v) são em geral tecnologias maduras, dominadas e aperfeiçoadas ao longo de décadas. Um país ao dominar uma tecnologia madura, pode rapidamente transformá-la em vantagem geopolítica ou econômica.

O Brasil construiu ao longo dos últimos sessenta anos um programa nuclear que pode ser classificado como um dos dez ou doze mais importantes do planeta. Além disto, temos grandes reservas de urânio. Do ponto de vista de materiais, ainda somos dependentes de importações, que frequentemente encontram grandes obstáculos. Acredito que os maiores desafios e oportunidades na área de materiais para aplicações nucleares estão na produção nacional, nas adaptações e nos aperfeiçoamentos. É mais provável que as inovações futuras sejam do tipo incremental do que radical.

Boletim da SBPMat: – Deixe uma mensagem para os leitores que estão iniciando suas carreiras científicas.

Angelo F. Padilha: – Procure obter uma formação científica consistente, o resto será consequência. Um pesquisador com conhecimentos profundos em disciplinas fundamentais, tais como termodinâmica, cristalografia e transformação de fases será sempre bem-vindo em qualquer grupo de pesquisa. Não desanime ao enfrentar a nossa mastodôntica e caolha burocracia.

Boletim da SBPMat: – Seu nome consta na “comissão interdisciplinar de materiais”, criada no final do ano 2000 para viabilizar a fundação da SBPMat. Se possível, compartilhe alguma lembrança ou comentário a respeito da sua participação na criação da sociedade.

Angelo F. Padilha: – Acredito que a SBPMat foi criada no momento certo e com o perfil adequado. Em minha opinião, esta é a principal razão do seu perdurável sucesso. Todos da “Comissão Interdisciplinar de Materiais” contribuíram de alguma forma; uns mais e outros menos. Eu estou certamente entre os que menos contribuíram. Acho que a capacidade de articulação agregadora do Guillermo Solórzano e a liderança científica do Edgar Zanotto foram decisivas. Tenho orgulho de ter participado da criação da SBPMat.

Concurso para professor do Instituto de Física da USP em Física da Matéria Condensada – experimental.


Edital IF-19/16  (área experimental)

Estarão abertas, até o dia 03 de abril de 2017, as inscrições ao Concurso de Títulos e Provas para provimento de um cargo de Professor Doutor, na Referência MS-3.1, em RDIDP, com o salário de R$ 10.360,07, no Departamento de Física dos Materiais e Mecânica do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, na área de Pesquisa Experimental de Física da Matéria Condensada.

Os formulários para as inscrições e os editais estão disponíveis no site http://portal.if.usp.br/ataac/pt-br/node/4866

Para candidatos estrangeiros, as instruções e os formulários para as inscrições estão disponíveis no site http://portal.if.usp.br/fmt/pt-br/node/1600

Informações adicionais poderão ser obtidas na Assistência Acadêmica do IFUSP. Telefones 11-3091-6020 / 11-3091-7000.

Oportunidade: bolsa de pós-doutorado em Bioeletroquímica no IQSC – USP.


  • Título: Bolsa de PD em Físico-Química
  • Área de conhecimento:Química
  • Nº do processo FAPESP:2013/14262-7
  • Título do projeto:Interação entre Biomoléculas e Nanoestruturas: Eletroquímica, Interfaces e Superfícies.
  • Área de atuação:Físico-Química
  • Pesquisador principal:Frank Nelson Crespilho
  • Unidade/Instituição: Instituto de Química de São Carlos/IQSC; Universidade de São Paulo/USP.
  • Data limite para inscrições:11/09/2016

O Laboratório de Bioeletroquímica e Interfaces, Departamento de Físico-Química (DFQ/IQSC/USP), em São Carlos, SP, oferece uma Bolsa de Pós-Doutorado FAPESP para desenvolver projeto na área de Bioeletroquímica sob supervisão do Prof. Frank Crespilho. É desejável que o candidato possua formação em Doutorado em Química, Engenharia Química ou áreas afins. Também, serão preferidos os candidatos com experiência em espectroscopia (UV-VIS e FTIR) e eletroquímica. O perfil que se tem em vista nesta chamada é de um pesquisador que tenha facilidade para trabalhar em equipe e que domine a língua inglesa. O candidato desenvolverá um projeto de pesquisa em nível de pós-doutoramento na área de Bioeletroquímica e Espectroscopia na Região do Infravermelho, incluindo:

1)     Desenvolver e testar novos eletrodos enzimáticos;

2)     Desenvolver superfícies sólidas modificadas com enzimas confinadas, com alta atividade e seletividade;

3)     Estudar a interação entre o transporte de carga, transporte de massa e a conformação molecular de enzimas;

4)     Desenvolver novas ferramentas para a técnica de Geração de Imagens Químicas por FTIR (FTIR Chemical Imaging) acoplada com técnicas eletroquímicas.

A Bolsa de Pós-Doutorado será oferecida a partir de 11/10/2016.

Os candidatos interessados devem enviar uma mensagem, até o dia 11/09/2016, para o endereço bioelectrochemistry@iqsc.usp.br, anexando o (i) curriculum vitae e a lista de publicações, (ii) duas cartas de referência e (iii) uma carta de apresentação descrevendo suas principais qualificações e habilidades.

Artigo em destaque: Projetando estruturas para manipular a luz.


O artigo científico com participação de membros da comunidade brasileira de pesquisa em Materiais em destaque neste mês é: Oxide-cladding aluminum nitride photonic crystal slab: Design and investigation of material dispersion and fabrication induced disorder. Melo, EG; Carvalho, DO; Ferlauto, AS; Alvarado, MA; Carreno, MNP; Alayo, MI. Journal of Applied Physics 119, 023107 (2016). DOI: 10.1063/1.4939773.

Projetando estruturas para manipular a luz

Cristais fotônicos são nanoestruturas que possibilitam a manipulação da luz visível e das demais formas de radiação eletromagnética, graças à organização de sua estrutura em padrões periódicos.

Além de haver materiais com essas características na natureza, como a opala, cristais fotônicos são criados pelo ser humano, podendo ser classificados como metamateriais. Suas características (materiais que os compõem, formato, dimensões) são projetadas com o objetivo de se conseguir o controle da luz. Por meio de processos de nanofabricação, essas estruturas se tornam reais e são utilizadas em diversos dispositivos chamados “nanofotônicos”. Todavia, a fabricação dessas estruturas não é tarefa simples.

Os autores do artigo. Da esquerda para a direita, posando no laboratório: professor Marcelo Nélson Paez Carreño, Emerson Gonçalves de Melo, Maria Elisia Armas Alvarado e professor Marco Isaías Alayo Chávez. Nas inserções: à esquerda, Daniel Orquiza de Carvalho e, à direita, André Santarosa Ferlauto.

Com um estudo baseado principalmente em simulações computacionais, uma equipe de cientistas de instituições brasileiras, liderada por pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP), gerou contribuições científicas que podem ser utilizadas para melhorar a fabricação de cristais fotônicos de modo a otimizar seu desempenho na manipulação de luz. “O trabalho apresenta uma análise bastante detalhada dos efeitos causados por processos de nanofabricação sobre as características ópticas de cristais fotônicos planares fabricados em nitreto de alumínio com cobertura de dióxido de silício”, diz Emerson Melo, primeiro autor de um paper sobre o trabalho, que foi recentemente publicado no prestigiado periódico Journal of Applied Physics (JAP).

“A ideia surgiu da oportunidade de combinar as excelentes características ópticas e físicas do nitreto de alumínio (AlN), tais como sua transparência em uma grande faixa de comprimentos de onda (do infravermelho próximo ao ultravioleta), seus efeitos não lineares e sua grande estabilidade a variações de temperatura, com as vantagens proporcionadas por cristais fotônicos, como a construção de guias de onda, curvas e cavidades ressonantes de alta eficiência em dimensões nanométricas, além dos diversos efeitos ópticos proporcionados por cristais fotônicos, como baixíssimas velocidades de grupo e intensificação dos efeitos não lineares dos materiais”, conta Emerson, que é estudante de doutorado em Microeletrônica – Fotônica na EPUSP, dentro do Grupo de Novos Materiais e Dispositivos do Laboratório de Microeletrônica do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos. A pesquisa de doutorado de Emerson, cujo orientador é o professor Marco Isaías Alayo Chávez, visa ao estudo, fabricação e caracterização de dispositivos nanofotônicos como guias de onda, cavidades ressonantes, moduladores e chaveadores ópticos em cristais fotônicos de nitreto de alumínio.

O estudo que gerou o paper publicado no JAP iniciou com uma etapa experimental. Filmes finos de nitreto de alumínio e dióxido de silício (SiO2) foram fabricados pelo grupo da EPUSP e, com a colaboração de pesquisadores da UFMG e da UNESP, foram analisados por meio da técnica de elipsometria espectroscópica (VASE) a fim de obter suas funções dielétricas, as quais seriam usadas posteriormente como dados na investigação teórica.

À esquerda, diagrama de uma estrutura de cristal fotônico com alguns dos defeitos de fabricação estudados. À direita, diagrama da célula unitária do cristal fotônico ideal projetado pelos cientistas.

Depois, o grupo da EPUSP projetou um cristal fotônico, ideal em termos de desempenho e de possibilidades de fabricação, composto por uma camada de nitreto de alumínio entre duas camadas de dióxido de silício, com furos redondos dispostos em padrões que se repetem ao longo do “sanduíche”. Usando métodos analíticos e numéricos, os pesquisadores da USP simularam alguns “efeitos colaterais” dos processos de fabricação de cristais fotônicos desse tipo (por exemplo, variações nos tamanhos e posições dos furos) e analisaram teoricamente como essas imperfeições afetariam o desempenho do cristal fotônico.

A investigação teórica de Emerson e os outros pesquisadores da EPUSP concentrou-se nas imperfeições geradas nas duas etapas principais do processo de nanofabricação normalmente empregado em cristais fotônicos como o estudado: litografia por feixe de elétrons e corrosão seca assistida por plasma. “Os resultados apresentados permitem avaliar que o processo de litografia por feixe de elétrons tem maior influência no desempenho de dispositivos que exploram a dispersão da radiação eletromagnética através do cristal fotônico, tais como prismas, chaveadores e moduladores ópticos”, diz Emerson. “Já a qualidade do processo de corrosão seca tem um impacto mais profundo nas características de dispositivos em que são introduzidos defeitos pontuais ou lineares na rede periódica do cristal fotônico para inserir modos harmônicos na banda proibida fotônica. Nesse caso, a corrosão seca deverá ser muito bem controlada para fabricação de dispositivos nos quais guias de onda e cavidades ressonantes encontram-se entre seus principais elementos”, completa.

Além de avançar na compreensão do papel dos processos de nanofabricação de cristais fotônicos no desempenho de dispositivos nanofotônicos, os autores do paper conseguiram definir uma metodologia para projetar cristais fotônicos planares com núcleo e cobertura em filmes finos de materiais dielétricos. “A metodologia inclui o levantamento das funções dielétricas dos materiais através da técnica de elipsometria espectroscópica para a análise dos efeitos de dispersão dos materiais, a obtenção dos parâmetros geométricos que maximizam a banda proibida fotônica e a análise dos impactos causados por desvios introduzidos no processo de fabricação”, detalha Emerson.

A pesquisa teve apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

20º aniversário da criação do Instituto de Física de São Carlos, e seis décadas participando da história da pesquisa em Materiais no Brasil.


O ano de 2014 é de comemorações para uma das instituições protagonistas da história da pesquisa em Materiais no Brasil. O Instituto de Física de São Carlos (IFSC), da Universidade de São Paulo (USP), celebra seu 20º aniversário.

Entretanto, as origens do IFSC e de suas contribuições à Ciência e Engenharia de Materiais brasileira remontam a uns 60 anos atrás. “Desde a sua origem o IFSC teve um papel central no desenvolvimento da Ciência e Engenharia de Materiais, uma vez que a pesquisa em materiais esteve presente com os pioneiros do IFSC”, afirma o professor Antonio Carlos Hernandes, diretor do IFSC de 2010 a 2014 e pesquisador na área de Materiais.

O início da história pode ser fixado em 1953, quando a USP, que tinha sido fundada em 1934, inaugurou uma unidade de ensino e pesquisa na então pacata cidade de São Carlos, no interior do estado de São Paulo. Tratava-se da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), que existe até a atualidade. Na época, o diretor da escola, Theodoreto Souto, incumbido de formar a equipe de docentes-pesquisadores, levou até São Carlos professores recrutados, principalmente, na USP de São Paulo, no Rio de Janeiro e no exterior do país, mas não conseguiu que eles se assentassem na cidade por muito tempo.

Sergio Mascarenhas chegou a São Carlos em 1956 e protagonizou a história da pesquisa em Materiais na região. Crédito: SBPMat. Foto de 2012.

Do Rio de Janeiro, o primeiro a integrar a equipe de docentes da EESC foi o físico Armando Dias Tavares, assistente de Joaquim da Costa Ribeiro nos laboratórios de Física da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Rio de Janeiro (hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ). Em seguida, colaboradores e alunos de Dias Tavares, formados sob a influência de Costa Ribeiro e Bernhard Gross (principais pioneiros da pesquisa em Materiais no Brasil) saíram da “cidade maravilhosa” para o interior paulista, a convite de Souto. Entre eles, chegaram a São Carlos em 1956 os recém- formados em Física e Química e recém-casados Sergio Mascarenhas Oliveira e Yvonne Primerano Mascarenhas – um casal que deixaria um importante legado na história da Ciência e Engenharia de Materiais na região e no país.

Num momento em que, no mundo e no Brasil, a maior parte dos recursos humanos e materiais para pesquisa em Física se destinavam à Física nuclear e de altas energias, o casal Mascarenhas optou por iniciar estudos em Física da Matéria Condensada, área na qual tinham trabalhado junto a Costa Ribeiro no Rio de Janeiro. Documentos elaborados pelo IFSC comentam que Sergio e Yvonne enxergaram nessa área duas possibilidades para o grupo de São Carlos: a de se destacar internacionalmente num campo onde existia menos concorrência, e a de gerar aplicações que tivessem um impacto positivo na economia da região e na qualidade de vida da sua população.

Assim, na década de 1960, Sergio Mascarenhas criou o Grupo de Física da Matéria Condensada. “Graças a um intercâmbio muito forte entre a USP em São Carlos, e as universidades de Princeton e Carnegie Mellon nos Estados Unidos, e também grupos da Inglaterra e da Alemanha, principalmente de Stuttgart, nós conseguimos estabelecer um programa de formação de pesquisadores bastante intenso, o qual dura até hoje”, comentou Mascarenhas em entrevista concedida em 2013 ao Boletim da SBPMat. Entre os trabalhos com maior impacto realizados naquela época pelo grupo de São Carlos, é possível citar as pesquisas ligadas a defeitos em cristais, como cristais iônicos com centro de cor, os quais foram usados posteriormente para memórias ópticas.

No final da década de 1960, uma nova instituição de ensino e pesquisa, a Universidade Federal de São Carlos (USFCar), era criada na cidade, com participação efetiva de professores do grupo da EESC. Em particular, Sergio Mascarenhas, que foi o primeiro reitor (pro tempore) da universidade, propôs a criação na instituição do primeiro curso de graduação na América Latina em Engenharia de Materiais, buscando construir uma ponte entre a Ciência de Materiais e a geração de produtos, processos e serviços. O curso iniciou suas atividades em 1970.

Em mais uma iniciativa pioneira na área de Materiais, o grupo de São Carlos, com Sergio Mascarenhas à frente da organização, recebeu na cidade a comunidade brasileira de físicos de estado sólido (na época formada por cerca de 50 pesquisadores) para realizar o “1º Simpósio Nacional de Física do Estado Sólido e Ciência dos Materiais” num pequeno galpão batizado graciosamente de Rancho das Marocas.

Prédio do Instituto de Física e Química de São Carlos em 1970, pouco antes da criação formal do IFQSC. Crédito: IFSC/USP.

Como conseqüência do caminho de crescimento, institucionalização e ganho de autonomia trilhado por Mascarenhas e seus colaboradores do grupo de São Carlos, em 1971 foi criado o Instituto de Física e Química de São Carlos (IFQSC), cujo primeiro diretor foi o próprio Mascarenhas. O IFQSC contou desde o início com um Departamento de Física e Ciência dos Materiais, além do Departamento de Química e Física Molecular. Mais um passo foi dado em 1994, quando o IFSC foi desmembrado, dando lugar ao Instituto de Química de São Carlos (IQSC) e ao IFSC, cuja primeira diretora foi Yvonne Primerano Mascarenhas.

Outro marco da participação do IFSC na história da pesquisa em Materiais no Brasil foi a criação, em 1993, do programa interunidades em Ciência e Engenharia de Materiais da USP em São Carlos. Administrado pelo IFSC, o programa reúne docentes desse instituto, do IQSC e da EESC, além de pesquisadores de outras instituições da região.

Atuação com impacto acadêmico e social

Além de participar do programa interunidades, o IFSC possui um dos programas de pós-graduação em Física mais conhecidos e disputados do país, o qual tem obtido nota máxima nas avaliações da CAPES desde sua criação. Dentro de seu mestrado e doutorado, é possível pesquisar uma ampla variedade de temas, que inclui diversas possibilidades na área de Materiais, desde pesquisas fundamentais em Física da Matéria Condensada até estudos sobre materiais semicondutores, polímeros, cerâmicas e vidros. Ainda na área de Materiais, o IFSC atualmente possui grupos de pesquisa consolidados, como, por exemplo, o Grupo de Polímeros “Professor Bernhard Gross”, e abriga projetos de grande porte, como Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) e Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CePIDs).

Entretanto, o impacto acadêmico da atuação na área de Materiais do grupo de São Carlos que gerou o IFSC tem ultrapassado os limites do município de São Carlos. De acordo com o professor Antonio Carlos Hernandes, a primeira consequência dessa atuação foi a formação de doutores que passaram a atuar na área em outras instituições de ensino superior. “Com isso muitos centros universitários e de pesquisa que atuam em Materiais nos dias de hoje tem em seu DNA a formação no IFSC”, diz Hernandes.

“O IFSC reúne o que é essencial para a pesquisa de qualidade em materiais, com infraestrutura de equipamentos e pessoal com experiência em diversos tipos de materiais”, afirma o professor Osvaldo Novais de Oliveira Junior, vice-diretor do IFSC para o período 2012-2016. Contando com esses recursos, acrescenta Novais, formaram-se centenas de mestres e doutores em Materiais, muitos dos quais se tornaram líderes de grupos de pesquisa em todas as regiões do Brasil. “Esses líderes de várias instituições, assim como outros que fazem parte do IFSC, têm hoje papel relevante na organização da comunidade de Materiais no país, com atuação na SBPMat, realização de eventos e programas de cooperação nacional e internacional, e formulação de políticas públicas”, completa.

Mas o impacto da atuação do IFSC na área de Materiais vai além do ambiente acadêmico. O professor Hernandes destaca, entre outros exemplos, a criação de empresas de base tecnológica instaladas na cidade de São Carlos. “Essas empresas de alta tecnologia nasceram do trabalho de pesquisadores do IFSC, quase sempre envolvendo pesquisa em Materiais”, acrescenta o professor Novais, que também traz à tona outro tipo de contribuição social realizada pelos professores e pesquisadores do instituto, o “incansável trabalho de popularização da ciência, com programas diversos de extensão universitária, voltados para alunos do ensino médio e fundamental, assim como para o público em geral”.

Para saber mais.

Entrevista com o vencedor do Prêmio Capes de Tese 2014 na área de Materiais: Luís Fernando da Silva.


Luís Fernando da Silva (direita), autor do estudo vencedor do Prêmio Capes de Tese 2014, e prof. Valmor Mastelaro, orientador do trabalho.

Luís Fernando da Silva é o vencedor do Prêmio Capes de Tese 2014 na área de Materiais, por sua tese de doutorado “Síntese e caracterização do composto SrTiO3 e SrTi1-xFexO3 através do método hidrotermal assistido por microondas”, defendida em 2013 pela Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP). O trabalho foi orientado pelo professor Valmor Roberto Mastelaro.

O resultado do Prêmio Capes de Tese 2014 foi divulgado no início de outubro. A cerimônia de entrega dos prêmios acontecerá no dia 10 de dezembro de 2014, em Brasília.

Vejam nossa entrevista com Luís Fernando.

Boletim da SBPMat: – Poderia nos contar brevemente como começou o seu interesse pela ciência e quais foram os momentos mais importantes na sua carreira acadêmica até o momento?

Luís Fernando da Silva: – Meu interesse começou durante minha graduação em Física na UNESP (campus Bauru). Eu iniciei minha iniciação científica a partir do meu segundo ano de graduação, onde meu projeto de pesquisa consistia na caracterização estrutural de filmes de GaAs e GaN sob a orientação do professor José Humberto Dias da Silva e contando com o financiamento da FAPESP. No meu último ano de graduação, meu trabalho recebeu menção honrosa no simpósio de iniciação científica da USP, o que acabou me motivando ainda mais para iniciar um mestrado na área de Materiais. Em função de meu interesse na área de caracterização estrutural, iniciei meu mestrado na USP sob a orientação do professor Valmor R. Mastelaro, que é referência no país na área de espectroscopia de absorção de raios X. Meu trabalho consistiu na preparação e caracterização dos compostos SrTiO3 e SrTi1-xFexO3 amorfos e nanocristalinos. Ao final do mestrado, o professor Valmor Mastelaro propôs o desafio de sintetizar o composto SrTi1-xFexO3 pelo método hidrotermal-microondas, sendo que, até o momento, não havia nenhum reporte sobre sua preparação por este método. Após investigar diferentes parâmetros de síntese do composto e caracterizar as propriedades estruturais do composto SrTiO3, demos início à síntese do composto SrTi1-xFexO3, o que conseguimos realizar com grande sucesso. Ambos os compostos foram caracterizados por espectroscopia de absorção de raios X (XANES e EXAFS) no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), a importância e originalidade dos resultados foram aceitos para publicação em importantes revistas na área de materiais: CrystEngComm (CrystEngComm, 2012,14, 4068-4073) e Physical Chemistry Chemical Physics (Phys. Chem. Chem. Phys., 2013,15, 12386-12393). Além disso, de acordo com a literatura, o composto SrTi1-xFexO3 tem sido utilizado com sucesso como sensor de gás, em especial hidrocarbonetos e oxigênio. Baseado nesta aplicação, o professor Valmor Mastelaro iniciou uma cooperação com o grupo de microssensores, da Universidade Aix-Marseille, na cidade de Marselha, França. Dentro desta cooperação, realizei um estágio de 6 meses no grupo de microsensores, contando com o financiamento do programa Ciência Sem Fronteiras. Os resultados obtidos foram parcialmente publicados na importante revista na área de sensores de gás Sensors and Actuators B (Sens. Actuators, B, 2013, 181, 919–924). Atualmente em meu pós-doutorado, iniciei um novo projeto de pesquisa, sob a supervisão do professor Elson Longo e em parceria com o doutor Cauê Ribeiro (EMBRAPA Instrumentação), o qual consiste no estudo de sensores resistivos de gás fotoativados. Recentemente, fui contemplado com o projeto universal do CNPq para o desenvolvimento deste projeto de pesquisa.

Boletim da SBPMat: – Por que começou a fazer pesquisa na área de Materiais?

Luís Fernando da Silva: – A área de pesquisa em Materiais sempre me fascinou desde meu período de iniciação científica. A possibilidade de poder sintetizar um material, desvendar suas propriedades, e utilizá-lo em uma aplicação tecnológica é desafiante e ao mesmo tempo fascinante.

Boletim da SBPMat: – Qual é, na sua opinião, a principal contribuição da tese premiada?

Luís Fernando da Silva: – A principal contribuição de minha tese foi a utilização da técnica de espectroscopia de absorção de raios X. A grande maioria dos artigos encontrados na literatura reportam o método de preparação do material e sua aplicação (sensor de gás, fotocatálise, etc.). Contudo, as propriedades estruturais são pouco investigadas, se restringindo apenas à identificação das fases cristalinas pela técnica de difração de raios X. Em meu trabalho, pudemos verificar que os materiais (no meu caso o SrTiO3 e SrTi1-xFexO3) preparados pelo método hidrotermal-microondas apresentam significativas distorções estruturais. Além disso, com relação ao composto SrTi1-xFexO3, pudemos analisar em maiores detalhes suas propriedades de detecção frente a diferentes gases (redutores e oxidantes), visto que um dos importantes parâmetros de um sensor de gás é sua seletividade.

Representação esquemática do processo de formação e organização dos cubos da fase SrTiO3 obtida pelo método hidrotermal microondas.

Boletim da SBPMat: – Quais foram os critérios que o guiaram para fazer uma pesquisa de qualidade destacada em nível nacional (a tese premiada)? A que fatores você atribui esta conquista?

Luís Fernando da Silva: – Principalmente à boa relação com meu orientador de doutorado, professor Valmor R. Mastelaro, o qual me deu total liberdade e credibilidade no desenvolvimento deste trabalho, além das importantes contribuições científicas. Além disso, a infraestrutura do centro de pesquisa CDMF/FAPESP (Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais) foi essencial e permitiu uma adequada e detalhada caracterização dos compostos investigados nesta tese.

Boletim da SBPMat: – Gostaria de deixar alguma mensagem para nossos leitores que estão realizando trabalhos de iniciação científica, mestrado e doutorado na área de Materiais?

Luís Fernando da Silva: – Acredito que a principal mensagem é que antes de iniciar qualquer trabalho de pesquisa (iniciação, mestrado ou doutorado) é primordial que se tenha prazer em fazer pesquisa e que você acredite no potencial e na qualidade do seu trabalho. Se você acreditar que o trabalho que você desenvolve tem potencial, você buscará o que tem de melhor em você para desenvolvê-lo.

Concurso para professor no Instituto de Física da USP.


INSTITUTO DE FÍSICA-USP. DEPARTAMENTO DE FÍSICA APLICADA.

Estão abertas de 06 de novembro de 2014 a 03 de fevereiro de 2015, as inscrições ao Concurso Público de Títulos e Provas para provimento de um cargo de Professor Doutor 1, MS-3.1, em RDIDP, cargo nº 1230204, junto ao Departamento de Física Aplicada, nas áreas de “Análise de Materiais por Feixes Iônicos; Cristalografia e Biofísica Molecular; Modificação e Caracterização de Superfícies; Física Atmosférica; Física de Fusão Termonuclear Controlada”.

Os formulários de inscrição e os editais estão disponíveis no site http://portal.if.usp.br/ataac/pt-br/concursos_abertos

Mais informações poderão ser obtidas na Assistência Acadêmica, na sala 339 da Ala I, ramais 916902 e 917000.

Pós-Graduação em Engenharia e Ciência dos Materiais na USP, campus Pirassununga.


Estarão abertas, no período de 06 a 24 de outubro de 2014, as inscrições para o curso de Mestrado e Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Ciências de Materiais na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos, Universidade de São Paulo (USP), campus de Pirassununga.

Os cursos compreendem as linhas de pesquisa de “Tecnologia de Polímeros Naturais” e “Materiais Cerâmicos e Compósitos”.

Aos alunos classificados no exame de seleção, o programa oferece bolsas de estudos distribuídas de acordo com as cotas disponíveis.

Inscrição: 06 a 24 de outubro de 2014

Início do processo seletivo: 10 de novembro de 2014.

Matrícula: 26 de janeiro a 17 de julho de 2015.

Para se inscrever, o candidato deverá acessar a página: http://www.usp.br/fzea/ecm12.php

Concurso para professor na USP (Depto. de Física dos Materiais e Mecânica – Instituto de Física).


Estão abertas, até o dia 10 de setembro de 2014, as inscrições ao Concurso de Títulos e Provas para o provimento de um cargo de Professor Doutor, na Referência MS-3, em RDIDP, com o salário de R$ 9.184,94, no Departamento de Física dos Materiais e Mecânica do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, na área de “Sistemas Eletrônicos  Fortemente Correlacionados”, “Magnetismo Molecular” e “Interação da Radiação Eletromagnética com a Matéria”.

O formulário de inscrição e o edital estão disponíveis no site http://portal.if.usp.br/ataac/pt-br/node/4040.

Para candidatos estrangeiros, as instruções e o formulário de inscrição estão disponíveis no site http://portal.if.usp.br/fmt/node/437.

Informações adicionais poderão ser obtidas na Assistência Acadêmica do IFUSP. Telefones 11-3091-6020 / 11-3091-7000.